quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Lula muda discurso sobre crise nos mercados

Parece que as evidências acabaram por superar as suposições.
Pelo menos no que diz respeito a aparente "cegueira" demonstrada pelas autoridades e pelo governo, quando se referiam a crise dos mercados como sendo "apenas americana".
Após ter dito que o Brasil estaria "completamente imune" a crise que assombra os mercados financeiros internacionais, o presidente Lula finalmente veio a público para destacar a gravidade da crise, e apontar para o fato de que medidas preventivas serão tomadas na economia brasileira, a fim de antecipar o possível impacto que os desdobramentos das duas últimas semanas - pródigas em concordatas e fusões no setor bancário mundial, e de injeções maciças de recursos públicos na salvaguarda de instituições privadas, desde os EUA, passando pela Europa, Ásia - incluindo Japão, China e Rússia.
Ao entender a gravidade da crise, ainda que de maneira lenta, o governo brasileiro pode conseguir tentar administrá-la (e a seus esperados impactos), através da adoção de medidas compensatórias a escassez de crédito, a onda de demissões que ocorrerão em setores da economia - de maneira indistinta, mas especialmente forte nos mercados financeiro, imobiliário, automotivo e de bens de consumo, no que poderia ser chamado de "pós-onda de wall street".
Vai precisar também rever metas e planos de ação, formulados numa realidade de economia e dólar estáveis, principalmente no que diz respeito ao superávit fiscal, ao patamar de inflação e a projeção de gastos públicos.
Ou seja, sai de cena a tentativa de mostrar uma segurança débil em reservas que chegam a um colchão de cerca de U$ 250 bilhões de dólares, num cenário internacional que contabiliza mais de U$ 1,5 trilhões em perdas, apenas nas últimas duas semanas.
Não custa lembrar que a Rússia - com mais de três vezes este valor em reservas financeiras, manteve fechado os seus mercados e bolsas durante dias inteiros.
É um bom exemplo de que, em meio a crises agudas, não existe lastro financeiro que possa garantir o que seja.
E estamos falando, até aqui, apenas do que mais rápido se conseguiu enxergar do prejuízo.
Muito mais pode vir por aí.