quarta-feira, 22 de junho de 2011

Homofobia: Governo e sociedade não se entendem a respeito




O assunto é delicado.
E portanto, força necessariamente a reflexão. Afinal, muitos não foram, certamente, preparados para enfrentar a questão de forma objetiva e direta.
Existem implicações de toda a sorte, quando o assunto é cercado de tabus, mitos e desinformação - como a discussão sobre o tema da Homofobia.
Em geral, as pessoas são criadas segundo convicções mais tradicionais, permeadas por uma visão religiosa e nem sempre aberta a discussões sobre temas que fogem ao controle da família.
Para complicar, muitas vezes o aprendizado se dá na conta das relações mantidas externamente, com pessoas e grupos que já possuem suas convicções a respeito, e nem sempre estas são frutos da imparcialidade. Ao contrário, dependendo do indivíduo e do grupo, já nos chegam carregadas de intolerância e discriminação.
Estes deveriam ser os balizadores do ambiente que coloca, agora, de maneira equivocada, a discussão na sociedade de um grande número de questões: união homoafetiva, reconhecimentos legais, criminalização, casamento e celebrações religiosas, modelo alternativo de família, e uma proposta de educação sobre o assunto (o controverso - e discutível "kit anti-homofobia do governo", lembra?).
Ao que parece, o momento tem que ser de cautela e reflexão.
É inegável que relegamos, como sociedade, a discussão sobre o assunto a um patamar de importância secundária, que agora está cobrando o seu lugar.
E isto não se dá apenas em relação a este tema, mas seguramente em alguns outros - como drogas, por exemplo.
Mas é visível, igualmente, que avanços de posição foram obtidos - o próprio reconhecimento legal da relação homoafetiva, por exemplo. Quem imaginaria - sinceramente, até bem pouco tempo, que um cônjuge do mesmo sexo tivesse seus direitos reconhecidos, em termos de indicação de dependência, pensão oficial e partilha de bens, por exemplo? Ou que fosse possível para parceiros do mesmo sexo reconhecer uma união estável em cartório, ou mesmo serem acolhidos para pleitear a adoção de crianças dentro do sistema legal?
Um longo caminho percorrido por muitos, vislumbrou num curto período de tempo, estes avanços e conquistas - já firmadas.
É certo que, mesmo o reconhecimento legal acaba por impactar posições e pensamentos, e reforçar divergências de todo o tipo.
Mas se dá, em princípio, seguindo o mesmo jogo democrático que resulta, eleitoralmente, em candidatos que são vitoriosos para ocupar o mandato e os que concorrem mas perdem a eleição.
Nem todos os brasileiros votaram na presidente da república, seu governador, seus prefeitos - mas devemos agir respeitosamente e reconhecer seus mandatos, porque são fruto da maioria. Até uma outra oportunidade que teremos de transformar convicções pessoais novamente em voto, quem sabe então como parte da maioria.
Muito se tem discutido sobre homofobia, quase sempre com posicionamentos que acirram pontos distintos da discussão, e acabam concretando o espaço onde deveria existir flexibilidade, discernimento e diálogo.
O tempo deve ser, agora, de reflexão.
Que podemos fazer melhor, sem confrontos ou posturas sectárias.
Até para abrir espaço ao entendimento do que se encontra em discussão.
Etapa mais do que necessária, para que se consiga uma posição clara a respeito de tudo o que cerca o assunto.
O BLOGANDO SÉRIO! sempre estará ao lado do diálogo.
Nesta e em todas as outras questões.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Dilma, Gleise e Ideli: Meninas superpoderosas no Planalto?


Gleise, Dilma e Ideli: Foto de Gustavo Miranda
A recente crise com Palocci, parece que de alguma forma serviu a um interesse maior: A vontade da presidente Dilma Roussef de imprimir uma personalidade mais próxima da sua ao mandato que recebeu do antecessor Lula.
É sabido pela mídia - e confirmado nos bastidores (se isso existe) do círculo de poder governista, conforme atestam algumas declarações de componentes do PT e de partidos da base aliada - em especial do PMDB, que o momento se mostrou oportuno.
Afinal, tratava-se de reafirmar a sua condição de mandatária da nação, enquadrando a tentativa explícita do governo paralelo de Lula, além das pretensões de mudança aparentemente impostas pelo mesmo grupo que tem o Planalto sob pressão constante.
A ascenção da senadora Gleise Hoffmann a Casa Civil e da ex-senadora e agora ex-ministra Ideli Salvati a pasta da Coordenação Política, ainda que contrariando a estes interesses, renova de certa forma o fòlego da presidente quando o assunto passa a ser a governança pública.
Mesmo sendo precoce qualquer avaliação sobre o desenrolar desta mudança brusca, e de como se comportará o "triunvirato" em relação ao grande desafio que tem pela frente - já que o governo Dilma apenas se inicia, é quase certo afirmar que o jogo político em Brasília terá que ser revisto, e o permanente balcão de negociatas dos líderes de partidos políticos terá que se adaptar, ao menos agora, as mudanças que porventura sejam estabelecidas.
Seja qual for a troca de comando nas proximidades do seu gabinete, cabe a presidente Dilma mostrar a que veio, e começar a governar.
Boa parte do que foi prometido durante a campanha, já no início, mostrou-se diferente.
Cortes no orçamento - que atingiram até mesmo os programas sociais que ajudaram a elegê-la, e a fragmentação contínua da base em Brasília, que responde a interesses pessoais e cartoriais mais do que ao interesse nacional, vão além das notícias que a mídia publica diariamente.
É esperar pra ver.


quarta-feira, 8 de junho de 2011

Palocci, o inexplicável: Arquivamento e queda.


No dia seguinte ao anúncio de que nada seria investigado sobre seu enriquecimento vertiginoso - e suspeito, o ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, foi afastado do governo.
Em seu lugar, assume a senadora Gleise Hoffmann.
Reincidente pela terceira vez (a primeira quando prefeito de Ribeirão Preto-SP, a segunda como ministro da fazenda de Lula e a república do Lago Sul em Brasília - a das negociatas e da quebra do sigilo ilegal do caseiro Francenildo, e agora ministro da Casa Civil - e a fortuna suspeita), confirma o dito popular do "faz escola".
Não deveria - fato, estar no governo Dilma desde o início, mesmo a mando de Lula, com tal histórico.
Terá agora, quem sabe, tempo de sobra para praticar o que mais deve ser de seu gosto.
Só não deve, imagino, ter mais tanta sorte com os clientes habituais.
Que, com o susto, devem estar com as barbas de molho.
Pelo menos por enquanto.


terça-feira, 7 de junho de 2011

Roberto Gurgel: o Procurador Geral que não quer procurar

Procurador Geral e Lula: Preço pela nomeação pode ser até a credibilidade
Foto: oglobo.com.br
O caso Palocci continua rendendo dividendos.
Pena que sempre em sentido contrário a constatação da verdade e a realização de justiça.
Até as pedras nas escadas que levam ao Palácio do Planalto já sabiam do veredicto que seria proferido pelo Procurador Geral da República - nomeado por Lula e reconduzido ao posto por Dilma, ao pedido de investigação encaminhado por partidos de oposição sobre o enriquecimento vertiginoso do ministro da Casa Civil, e também ao protocolado pelo ex-senador Roberto Freire do PPS sobre a divulgação recente da CEF/Caixa Econômica Federal no caso do caseiro Francenildo - atestando que o pedido de quebra de sigilo ilegal partiu mesmo do gabinete do então ministro da fazenda.
O que houve - a demora, foi apenas um pouco de charme no jogo jogado do "vamos abafar" que se tornou corrente inquebrantável desde o primeiro mandato do atual governo.
Roberto Gurgel, numa sentença de vinte e sete páginas repletas de um juridiquês prolixo (ou será pró-lixo?), procura julgar, em alguns momentos mais como um defensor público do que julgador isento, fracos os indícios - incontestes em qualquer sistema penal, no mínimo de prevaricação, mas também tráfico de influência e possivelmente corrupção ativa, que pesam sobre Palocci.
Só não seria pior, se os jornais não divulgassem esta semana a intenção de aposentadoria precoce da atual ministra do STF/Supremo Tribunal Federal, Ellen Gracie, que pretende se desligar da corte ainda este ano.
Se for assim, estará aberto o caminho para que - dos 11 ministros da mais alta corte, apenas tres (3) não tenham sido indicados por Lula ou Dilma.
O resto das histórias, à partir daqui, já ficou até chato de prever.
Pena.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

O Efeito Marina : A história agora virou livro


Convite do Lançamento - Divulgação
Chegou em boa hora.
A história da candidatura que mudou o rumo das últimas eleições presidenciais - a da ambientalista, ex-ministra do meio ambiente e ex-senadora Marina Silva, chega agora ao alcance de todos, e em sua versão original e sem cortes.
Será lançado no RIO o livro "O Efeito Marina - bastidores da campanha que mudou o rumo das eleições" de Alfredo Sirkis, no próximo dia 6 de junho, segunda-feira, a partir das 19h, na Livraria da Travessa do Shopping Leblon.

Mais do que um relato do que sabemos e acompanhamos pela mídia, o livro traz a tona, também, histórias curiosas e passagens inéditas da trajetória da campanha que mobilizou - mesmo com recursos ínfimos se comparados aos candidatos que acabaram passando ao segundo turno, uma boa parte de brasileiros no que pode ser chamado de "Onda Verde" em 2010.

Não fossem os seus 20 milhões de votos, uma grata recompensa dos eleitores a esse orgulho de brasileira que é Marina Silva, e houvesse um pouco mais de tempo, a eleição poderia ter sido diferente.
Para melhor.

Uma ótima dica de leitura e uma grande oportunidade para pessoas de todas as classes e gostos.
Vale a pena conferir.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Desmatadores em alta: Câmara Federal aprova Código Florestal

imagem: envolverde.com.br
Quando parece que todos os desastres naturais dos últimos anos, que ocorreram em diferentes épocas e regiões do Brasil, vão trazer um pouco de bom senso aos digníssimos legisladores - deputados federais, e quiçá conclamar um pouco de coerência com a realidade, eis que - mais uma vez, eles se mostram bem distantes das expectativas da sociedade.
Numa mistura do fisiologismo político explícito e, talvez, de razões barganhativas menos declaráveis, a discussão do novo Código Florestal acabou, em votação na Câmara Federal, legalizando o retrocesso na política ambiental, especialmente por permitir a anistia dos desmatadores até 2008 e, pasme, permitir que eles ainda continuem a receber financiamento do governo para suas práticas.
O relator, deputado federal Aldo Rebelo, na prática nunca demonstrou maiores preocupações em ser o cabeça-de-chave deste retrocesso, até porque se desconhece tanto sua expertise no assunto "meio ambiente" para assumir esta relatoria, quanto os interesses particulares que o motivaram a assassinar - mais uma vez, a coerência com a ética em sua trajetória como parlamentar.
Da forma como está, dias mais fáceis para queimadas, motoserras e toda a sorte de crimes ambientais se avizinham no horizonte.
É do interesse da sociedade estar alerta, e continuar a pressão - fortalecendo com seu apoio aqueles que permanecem como escudeiros legítimos das causas ambientais no congresso, tanto ong's como parlamentares - entre eles o deputado Alfredo Sirkis, do PV.
Nunca é tarde para seguir a cartilha de Marina Silva.
Não se pode admitir um Brasil que não tenha compromisso fechado com a defesa do meio ambiente e da sustentabilidade.
Ainda existe esperança, com a votação no Senado Federal.
Estamos de olho!

Caso Pimenta Neves: STF termina com imoralidade jurídica


imagem:terra.com.br
Muitos não lembram.
Mas outros nunca esquecem.
O caso do jornalista Pimenta Neves é emblemático para a justiça brasileira.
Infelizmente, por ser um dos mais vergonhosos no cumprimento do princípio elementar do criminoso - assassino confesso - colocado na prisão.
A morosidade do caso, que se alongou por onze anos, ajudou a perpetuar a sensação de impunidade para os poderosos ou, numa outra perspectiva, de uma justiça que beneficia aqueles que, mesmo culpados, tem recursos para promover a quase interminável série de chicanas jurídicas, no sentido contrário ao seu processo, sentença e condenação.
A jornalista Sandra Gomide pagou com a própria vida o preço de manter uma relação afetiva com o criminoso. Sua família despedaçou-se, aos poucos, durante todo este tempo em busca de justiça.
E nós, observadores, mergulhamos num misto de indignação e tristeza.
Sua prisão - em caráter definitivo, esgotado o último recurso legal junto ao STF/ Supremo Tribunal Federal, entretanto, não ameniza a imoralidade.
Porque a justiça pode ser cega.
Mas a injustiça, certamente, é figura que todos enxergam bem.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Palloci, milhões recebidos e Casa Civil: Um titanic vem a tona!

E de novo.
Não satisfeitos por protagonizar um escândalo em tempos de Dirceu - que originou um dos capítulos mais vexatórios da política brasileira nos últimos anos - o caso do mensalão,e que se seguiu com o apadrinhamento de Erenice aos filhos - outro escândalo, ao que parece os ocupantes da casa civil (sempre petistas, desde Lula), parecem que gostam de demonstrar (ainda que não publicamente, já que PF´s são distintas de PJ´s na Receita Federal) que o flerte constante e a relação anexa ao gabinete da Presidência dão bons frutos.
E põe bons frutos nisso!

Imagem: exame.abril.com.br
Reportagem atual do jornal Folha de São Paulo (http://www.folha.com.br/) dá conta - e nos deixa a todos espantados, que o patrimônio declarado na PJ (Pessoa Jurídica) do atual ministro da Casa Civil de Dilma Roussef, Antônio Palloci - já alvejado em vôo de cruzeiro durante o exercício de integrante da cúpula como ministro da Fazenda, no caso da quebra de sigilo do caseiro Francenildo e a exposição da mansão das negociatas no Lago Sul em Brasília, cresceu num curto período de parlamentar (quatro anos como deputado federal), pelo menos 20 (vinte) vezes o valor declarado a Receita Federal no início do mandato.
A reportagem declara - e comprova, a compra de um imóvel de luxo em S. Paulo (R$ 6,6 milhões) e de uma sala comercial (R$ 850 mil) apenas naquele período.
Segundo declarações - oficiais - da Casa Civil, a pedido do ministro claro, tais cifras (que equivalem a aproximadamente sete vezes o total da remuneração parlamentar obtida em quatro anos), são resultado de consultorias prestadas a empresas privadas.
Acionada, a Comissão de Ética Publica da Presidência (!), a cargo do ex-ministro do STF Sepulveda Pertence (!!) declarou - quando procurada, que nada encontrou de errado que justifique qualquer providência (!!!).
Líderes do governo - instruídos pela própria presidente Dilma Roussef, articularam uma completa "blindagem" e, mais uma vez, ignoram indícios do que pode se tornar uma futura dor-de-cabeça ao próprio governo.
Afinal, com Palocci ao governo pela segunda vez, estão protegidos esqueletos que assombram os companheiros da famiglia PT desde Ribeirão Preto e Santo André, e se articulam de proporção desmedida durante os dois governos de Lula.
A uma oposição fragilizada e que não consegue encontrar seu próprio rumo, resta o esperneio - pelo menos público, sem maiores consequências.
Por enquanto.
Afinal, mesmo nos filmes - de terror, claro, existe o caso de "mortos se tornarem vivos".
E causar medo aos que ora sossegam.
É esperar e ver.

Principal executivo do FMI preso por estupro em NY

Não é de hoje que o poder corrompe.
Vem de muito longe.
Existe inclusive uma citação que diz - literalmente, mais ou menos assim "O poder corrompe e o poder absoluto corrompe absolutamente".
Mas não é preciso muito esforço de natureza investigativa para descobrir: Basta observar na história recente situações, em que figuras que gozavam de alto prestígio social e político, acabaram se tornando protagonistas numa lista de escândalos rumorosos da mídia.
Um ex-presidente de Israel e o atual primeiro ministro italiano, por exemplo, frequentam tal lista.
Por aqui então, o espaço chega a ser pequeno se relacionarmos a figura de políticos a casos de corrupção, por exemplo - mas um empresário de transportes do DF, acusado de ser mandante do assassinato do próprio genro, um médico especialista em reprodução humana de SP, acusado de violentar suas pacientes, e uma procuradora de justiça no RJ acusada de torturar a filha adotiva pequena prestam-se ao serviço de trazer a discussão a um nível que conseguimos enxergar.
Afinal, nem todos conseguimos conviver perto o suficiente para observar o dia-a-dia de presidentes.
E dar partida numa discussão: O poder corrompe?
Se é verdade que o princípio da ética humana é a base que deve orientar a ação do indivíduo na sociedade, para que se consiga viver de maneira harmônica, o que falar a respeito da torpeza que corrompe a ação social, e transforma pessoas com ascendência cultural e econômica em assediadores morais e sexuais?

Imagem: G1.globo.com
O caso mais atual é o que envolve o diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, figura chave dos rumos da economia mundial e candidato-declarado a presidência da França nas próximas eleições, preso em New York pela acusação de tentativa de estupro a uma camareira do hotel de luxo em que estava hospedado na cidade, se torna emblemático (mais pode ser lido em www.oglobo.com.br).
E abre espaço para uma reflexão : onde vamos parar?

MEC quer institucionalizar o erro!


Quando parece que já vimos tudo de errado a respeito do ensino no Brasil - em especial, apoiado por referências no mínimo duvidosas dos seus burocratas educacionais - muitas vezes do próprio mandatário, sr. ministro da educação, parece que mais temos a nos surpreender. O espanto mais recente vem da esfera do ensino fundamental - mais precisamente Programa do Livro Didático, que autorizou a impressão e a distribuição de quase meio milhão (isto mesmo, 500.000)  exemplares de um livro que praticamente institucionaliza o erro...no português!
Por conta do aparelhamento ideológico em alguns setores da educação básica - e quiçá (!) do cumpadrismo com autores que exibam uma carteira de filiado ou um símbolo simpático ao governo atual, a autora pretende defender a tese de que não existe um jeito "certo ou errado" de falar, ou seja, uma norma da língua culta. Para ela - a autora - o que existe é uma visão de "adequado ou inadequado".
Escrever "A gente fomos sair" ou "Nós semos amigos", por exemplo, não estaria mais errado.
Apenas, inadequado.
Autor de vários livros - escritos na vigência da norma culta, o ministro Fernando Hadad ao ser alertado por educadores e especialistas, preferiu se manifestar, dizendo que o MEC... manterá o livro didático!
Num país onde convivemos reiteradamente com falhas de qualidade no ensino e deficiências na didática educativa, e onde aspectos do ensino fundamental - base da pirâmide, são constantemente deficitários, mesmo a guisa (!) de maquiagem e manipulação conveniente de dados, o MEC consegue, assim, prestar um grande deserviço...a Educação Brasileira!
Herrar pode até ser umano.
Mas insistir num erro sabido, acaba sendo mesmo burrice.
Não é, ministro?
 

Roger Agnelli e VALE: Uma história de muitos capítulos.


E cada dia que passa, parece que a sociedade tem a oportunidade de conhecer mais um.
A história de intervencionismo estatal na VALE - protagonizada nos primeiros meses de um longo governo que se instala no Brasil, ao que parece, oculta bombásticas entrelinhas.
Quase sempre, trazendo a tona situações que não são motivo de orgulho para seus operadores, em especial do governo, que tendo maioria para encobrir maus feitos de seus idealizadores, há muito já não se preocupa nem de longe com as situações constrangedoras que possam aparecer.
Sabe-se, agora, que antes de sua saída - ou deposição - da VALE, Agnelli fez chegar a presidente Dilma Roussef uma carta pessoal (leia a íntegra na Revista Época : http://www.epoca.com.br/), onde faz considerações sobre a atuação de "consultorias jurídicas" - constituídas por filiados, integrantes ou simpatizantes declarados do PT (Partido dos Trabalhadores), que tem pautado seu enriquecimento repentino na atuação exercida em favor de prefeituras - petistas e peemedebistas - sobre ações que tem o propósito de ampliar o recebimento das participações sobre os chamados "royalties" da exploração de minérios aos quais estas prefeituras teriam direito, por conta da atuação da mineradora em seus municípios.
Contratos expostos - e autênticos - dão conta de situações estranhas, em que tais consultorias tem "participação" percentual sobre o aumento destas receitas - que seriam públicas.
Municípios que recebem gordas participações (dezenas de milhões por ano), muito pouco - ou nada mesmo, tem feito na aplicação destes recursos em prol da população - que é a verdadeira beneficiária do processo: Afinal, estes recursos são uma espécie de contrapartida devida aos habitantes por conta dos efeitos da exploração de minério em suas regiões.
Enquanto os advogados ou "consultores jurídicos" viajam em jatinhos pelo norte, bebendo champagne e prefeitos locais multiplicam seu patrimônio pessoal a passos estelares - os municípios em questão carecem de investimento mínimo em quesitos de infraestrutura básica tais como redes de água potável ou saneamento urbano. Em outras palavras : água para beber só a suja, e esgoto correndo a céu aberto.
Será apenas mais uma situação de descalabro, se não tivesse vindo a tona como resultado de uma medida de ingerência sem precedentes do governo - ainda que sócio, numa das maiores e mais bem administradas empresas - privadas - do mundo.
O que mais vem por aí?

Bin Laden morto. Mas o terrorismo não está nem aí.


Mesmo se fosse cena de filme de ação, a operação montada pela CIA e pelo governo americano deixaria a desejar.
Não houve - nas seguidas versões oficiais apresentadas (chegaram a quase quinze), motivo para grande vibração dos SEALS (força de elite da segurança americana) - noves fora o fato de que quem estava sendo "eliminado" era o terrorista mais procurado do mundo. Bin Laden, representasse o que o mundo ocidental julgasse, naquela casa no Paquistão estava longe da figura ameaçadora - propagandeada em seus vídeos divulgados pela internet e na mídia internacional.
Mas não se pode esquecer de que ele realmente era "o criminoso", responsável por uma série de situações de terror - que culminaram com o atentado de 11 de setembro de 2001 em New York.
"Tailor made justice", como diriam em inglês (algo como "justiça sob medida").
Tarefa cumprida, serviço terminado.
Troops back home (soldados voltam pra casa). Neste caso, os que participaram da ação no Paquistão.
Há ainda muitos outros - centenas de milhares, que continuam a enfrentar as guerras fora dos EUA.
E fica a pergunta: Como esse evento afeta - se tanto - essa intricada teia de "planejadores do terror" que se irradiou pelo mundo inteiro, em pequenas células fanáticas, sem apreço pela vida humana e com um potencial de destruição quase que instantâneo em diferentes países?
O rosto deste terrorista era mais do que conhecido por todos - algo que ele mesmo se encarregava de promover, de maneira articulada, do ponto de vista da comunicação contemporânea, da internet e das redes sociais.
Mas a face do terrorismo é cultivada na escuridão.
E essa agora é a verdadeira preocupação.


quinta-feira, 24 de março de 2011

STF e Ficha Limpa: Crônica de um retrocesso anunciado.

Muita espera, para muito pouco.
Ou quase nada.
Para aqueles que viviam a expectativa de ver a justiça prevalecer, não aceitando que candidatos "fichas-suja" pudessem concorrer - e confirmar os seus mandatos eleitorais, a decisão proferida pela mais alta corte de
justiça do país tem um sabor bem amargo.
Pena.
Se o dissabor com a continuidade desta questão, fruto do impasse com o empate no seu julgamento, que nada decidira até agora, já era grande por constatar um STF/ Supremo Tribunal Federal que em nada lembra a corte jurídica do passado - onde nomes do direito e da magistratura tiveram destaque, com a chegada de um juiz autêntico, experiente (com passagem pelo STJ), de carreira, como o Ministro Luiz Fux, a quem coube a responsabilidade pelo voto de minerva - pelo retrocesso, o gosto ainda é mais amargo.
O STF está fazendo história, em tempos recentes.
É verdade.
Infelizmente, menos por força das decisões a que tem proferido seu colegiado, e mais pela cisão, incoerências e deslumbre com as viscitudes políticas - da má política, que se materializam sob sua égide.
Ou mesmo - de forma controversa, até por aceitar indicação de quam nunca foi bom em passar em concurso para juiz. Mas deixa pra lá.
Ao entender que políticos inescrupulosos e contumazes, corruptos e que tem compadrio direto com os escândalos do "Brasil Republicano" de hoje, podem continuar - ou iniciar - seu mandato, calçado numa visão parcial e capenga do direito adquirido através da anterioridade da norma ou da Lei em vigor, o STF - apesar de Ayres Britto, Ellen Gracie, Carmen Lúcia, Joaquim Barbosa e Ricardo Lewandowski (que é também o presidente do TSE/ Tribunal Superior Eleitoral), conseguiu alongar - agora de maneira oficial e irrestrita, a presunção de bom-mocismo para figuras as quais não me atrevo sequer a nomear.
- Mas deixo, a título de informação, acesso aberto para quem na mídia o fez textualmente, como o Portal IG (http://ultimosegundo.ig.com.br/politica/fichassujas+comemoram+decisao+do+stf/n1238187815196.html) em sua edição noturna do último dia 23, e que poderá ser visualizada no link acima pelos interessados.
Sendo a esperança a última que morre - é verdade, mas tendo que se contentar com mandatos quase vitalícios em instâncias superiores - muitos dos quais tardarão a renovar, fica a surpresa seguida de constragimento.
Como explicar tamanho retrocesso?
A melhor solução é : Pergunte ao STF!
O endereço eletrônico para sugestões e reclamações http://www.stf.jus.br/portal/atendimentoStf/enviarDadoPessoal.asp também está acessível através do site : http://www.stf.jus.br/
Somos simples.
E nessa simplicidade, deixamos aflorar muitas vezes uma sensação de pequenez.
Porém somos cidadãos. E brasileiros.
O que nos torna grandes.
Porque a história - a nossa, de gente de bem, não termina agora.

sábado, 15 de janeiro de 2011

A tragédia das chuvas no Rio de Janeiro

Tragédia das Chuvas no RIO DE JANEIRO: Crônica de uma catástrofe anunciada pelo descaso das autoridades. Por que nossos políticos não se envergonham de si mesmos?