sábado, 14 de março de 2009

Atentado em curso contra a caderneta de poupança


crédito da imagem: www.paulohenriqueamorim.com.br
Todos sabemos que a caderneta de poupança - em seus altos e baixos, desde a criação, sofre nas mãos dos governos que, diga-se de passagem, em nenhum momento a tornaram pródiga por conceder lucratividade ACIMA da inflação.
Do ponto de vista da economia, sempre foi tratada como aplicação "conservadora e ortodoxa", não representando atrativo para investidores profissionais.
Para os bancos - que geram verdadeiras fortunas com o spread (diferença entre o percentual do rendimento pago aos poupadores e o custo efetivo do dinheiro emprestado em outras situações), a caderneta sempre serviu como pano-de-fundo para captar recursos a juros baixos, emprestando-os com grande lucratividade.
De qualquer forma, mesmo com baixos rendimentos, a poupança sempre foi o refúgio de uma grande parcela dos brasileiros - em sua maioria da classe trabalhadora, que não possue condições de aspirar aplicações mais "ousadas e menos ortodoxas", como o mercado de ações, CDI, CDB ou letras de câmbio e moedas estrangeiras - por exemplo.
Ocorre que - com a chegada da crise e a redução da taxa selic (que regula os juros da economia), e a grande insegurança e volatilidade do mercado, a poupança ganha o viés de interessante - já que alguns fundos de renda fixa, descontada a taxa de administração praticada por seus gestores (bancos), já projetam rendimentos anuais inferiores ao da caderneta de poupança.
Naquele que pode ser considerado o grande atentado contra o consumidor - poupador, em favor dos grandes bancos e investidores, o Banco Central e o Ministério da Fazenda estudam a "toque-de-caixa", uma mudança no cálculo dos rendimentos da caderneta, para - PASMEM - fazer com que os sua já pequena correção (mais pífia ainda se comparada ao que renderam aplicações no período que antecede a crise, dos lucros bilionários do sistema financeiro) não seja maior do que as dos fundos de aplicação.
O argumento? Evitar - isso mesmo - evitar uma possível migração de investidores para a poupança, abandonando fundos menos lucrativos , e causando uma provável instabilidade na matriz econômica que rege o mercado.
Caso essa mudança ocorra, os bancos e grandes investidores - mais uma vez - terão uma injeção de lucratividade as custas da perda de milhões de pequenos poupadores da caderneta.
Grosseiramente, ensaia-se uma situação de "anti-robin hood" : A cobertura do lucro dos já mais favorecidos econômicamente, com o recurso tirado da população de pequenos poupadores.
Tomara que os poupadores se antecipem, e advogados já comecem a protocolar ações preventivas para proteger o pequeno patrimônio de trabalhadores de baixa renda, donas de casa e aposentados - em sua grande maioria.
Além de afirmar uma visão distorcida do panorama atual em outras economias - que buscam formas de estimular a confiança de pequenos clientes e poupadores, trata-se de distorcer com explicações de ordem macroeconômica.
Em prol dos mesmos - sempre - favorecidos.
Espera-se que o presidente Lula, já tendo alcançado com os últimos acontecimentos, o entendimento de que nem sempre as explicações e conversas de pé-do-ouvido de sua equipe econômica correspondem a realidade, mostre seu bom senso.
E impeça este verdadeiro crime.
Contra a Economia Popular.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Da crise real: impactos e dúvidas


Que ela chegou, já estamos cansados de saber.
Seus impactos na economia e em nossas vidas já foram mais do que percebidos.
Num primeiro momento, informações desencontradas - e que vemos agora, totalmente fora de crédito possível, davam conta de que os reflexos seriam pouco ou "quase nada" sentidos por aqui.
Curioso pensar que, tendo origem no sistema de mercado e nos fundamentos da economia americana, acreditava-se que ela seria menor ou não causaria grandes danos aos países emergentes.
Não somos - Brasil, Rússia, India e China (livrando um pouco deste quadro, talvez a India, com a questão da TI), exatamente um grupo de países conhecidos por assimilar melhor impactos de natureza global.
É exatamente o contrário.
Ao divulgar a retração do PIB no último trimestre de 2008, que se aproximou dos impensáveis -4% em relação ao ano anterior, o governo foi forçado a mudar de tom, e a começar a encarar assertivamente o grande problema que temos que administrar pela frente.
O barril do petróleo de US$ 150 já esteve abaixo dos US$ 40, o nível de desemprego nos EUA supera os 8%, as economias fortes - da zona do Euro e da Ásia sofrem, na tentativa de equalizar as perdas nos mercados.
A China, Rússia e Índia enfrentam problemas, e adotam pacotes extensos e medidas para evitar que o risco fuja do controle.
A injeção - direta ou indireta - do governo para tentar amenizar a crise no Brasil ja ultrapassaram a casa da dezena de bilhão, num panorama onde grandes empresas perderam até metade do seu valor de mercado, e andam as voltas com a extensão de férias coletivas e demissões.
No flanco do consumo, o estímulo ao crédito e a redução de impostos sobre produtos a qual o governo lança mão são paliativos - até perigosos, caso não se respaldem em ações mais estratégicas a seguir.
Exemplo disso nos EUA, é a nova bolha de risco provocada pela inadimplência dos cartões de crédito. É matemática básica e simples: sem dinheiro ou trabalho, não se pagam contas de cartão.
A mesma ameaça ronda as economias que seriam menos voláteis neste quesito, e são agora objeto de estudos - apressados - de bancos e administradoras também na Europa.
Fóruns e conselhos de desenvolvimento econômico parecem agir ainda sob o impacto do primeiro momento da crise, quando a esta altura, já deveriam ter se tornado mais ágeis, para orientar o pensar e agir do governo.
Autoridades parecem perdidas, quando perguntadas a respeito dos próximos passos ou das etapas do seu planejamento anti-crise.
O que se aprende - no estudo da própria teoria econômica, é que o pós-crise sempre brinda as economias com problemas de toda a ordem de grandeza, e que seus impactos podem ser observados no tempo e espaço como a figura das ondas num lago calmo, extraída da física clássica.
Sendo o Brasil um país de muitos defeitos - mas igualmente de muitas virtudes, a mudança de curso não deve ser o fator preocupante.
Mas, a velocidade da mudança - este sim.
Pode desperdiçar boas oportunidades de agir.
Com mais segurança.
E eficiência.

Petrobras e a Bolsa: Quebra de sigilo?



crédito imagem: arenapublica.wordpress.com

É conhecida na área econômica e de negócios como "inside information" ou informação confidencial, e - por razões óbvias, sua obtenção antecipada por parte de investidores é considerada crime contra o sistema financeiro na bolsa de valores.

Ao confirmar esta semana que operadores e corretores tiveram acesso antecipado a informações oficiais, sobre os resultados da Petrobras do último trimestre e do ano de 2008, além de quantificar valores destinados a distribuição de dividendos para acionistas antes do encerramento do pregão da semana passada- e portanto enquanto é possível fazer negócios com as ações da empresa, a CVM - Comissão de Valores Mobiliários, regente do mercado, precisa investigar a fundo a questão, punindo exemplarmente a empresa e aqueles que tiveram contato com o material - confidencial e carimbado como "preliminar".

Num mercado assolado pela desconfiança, o acesso por parte de indivíduos a este tipo de informação pode significar a diferença entre ganhar e perder, realizando ou livrando-se de posições em carteira, tal como se uma poderosa bola de cristal a serviço privado.

Não pode existir mais o menor espaço para desconfiança.

Ou para questionamentos, do tipo "será que foi a primeira vez?"

Satiagraha, Protógenes e a continuação: Beco sem saída?


crédito imagem: www.zannin.com.br
Depois que a Revista Veja (http://www.veja.com.br/) publicou matéria recente, revelando que o delegado federal Protógenes de Queiroz - responsável inicial pelas investigações da Operação Satiagraha, que culminou com a prisão de diversos acusados, entre os quais o banqueiro Daniel Dantas - do Grupo Opportunity, pode ter se utilizado de meios ilegais para a coleta de informação e investigação dos suspeitos, mais uma capítulo desta "saga investigativa tupiniquim" foi colocado em evidência.
Ao que tudo parece, descortina-se o interesse sobre o "modus operandi" que desvelou um complexo, astuto e subterrâneo esquema de corrupção e de operações financeiras - que tinham ramificações empresariais e políticas bastante consistentes.
Até hoje se discute - por exemplo, o fato de que, apesar de todas as evidências de que o processo legal trata de uma organização criminosa, os seus principais envolvidos terem sido rapidamente soltos - inclusive Daniel Dantas, em decisão bastante discutível do presidente do STF/ Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, que teria "atropelado" instâncias do judiciário ao proferir a decisão.
Desde aquele momento - ainda em 2008 e até os dias de hoje, uma intrincada estratégia diversionista aparentemente foi elaborada pelos acusados, e tem alcançado sucesso em sua empreitada, já que uma sucessão de eventos expostos na mídia causou uma inversão de propósitos: O interesse na Operação Satiagraha, hoje, parece ter deixado de lado a organização criminosa, seus componentes e os crimes de que deu conta provar, para fixar-se nas figuras dos integrantes da polícia, do MP e da justiça - entre eles Protógenes e o juiz de S. Paulo, Fausto de Sanctis, que autorizou a prisão do banqueiro e demais envolvidos, e os possíveis "excessos" que foram praticados durante o período de investigação.
Pena.
É fato que gravações de vídeo com tentativas de suborno de agentes da lei, a ruidosa menção as "costas quentíssimas" de Daniel Dantas nas instâncias superiores da justiça brasileira, bem como o confisco de mais de US$ 450 milhões em dinheiro em contas nos EUA, parecem ter se tornado apenas o pano de fundo para continuação da história.
Que segue.
Esperamos que, neste caso, para fora do Beco-sem-saída dos conchavos históricos, da hipocrisia e da impunidade.


segunda-feira, 9 de março de 2009

Você já fez sua boa ação hoje?




crédito da imagem: fabiosantos.files.wordpress.com

Você já fez alguma boa ação hoje?
Não?
Nunca é tarde para acreditar que a boa atitude pode mudar o mundo.
A começar em VOCÊ!
Com a crise instalada, é cada vez maior o risco das instituições ligadas a filantropia e ação social terem reduzidos os seus orçamentos, e a consequente disponibilidade de recursos que serão aplicados em seus programas sociais.
Existe - quase sempre - uma tendência a que o apoio as causas sociais seja visto como algo pontual e extemporâneo. O que põe em risco toda uma estrutura de trabalho - especialmente de Fundações, Institutos e ONG´s, que é centrada na mobilização de recursos entre indivíduos e empresas.
Com o panorama de contração, instabilidade e desemprego - o trabalho social e humanitário destas organizações vai depender, fundamentalmente, da crença em sua atuação, sua missão, seus conjuntos de valores e, acima de tudo, da visão de mudança provocada nos indicadores com os quais os seus projetos e ações programáticas acabam por interagir.
Saúde, Educação, Desenvolvimento Comunitário, Cultura - são apenas algumas das muitas áreas onde os investimentos sociais, de organizações sérias atuando no Brasil e no mundo, conseguem mudar a realidade e ampliar os horizontes de uma grande parcela da população, em diferentes regiões.
Pesquise e faça a SUA opção.
Só não deixe de ajudar, combinado?

EUA: Barack Obama trabalhando!


crédito imagem: http://www.depauw.edu/

Após o começo de governo com algum tumulto - provocado por nomeações de sua equipe que acabaram cercando-se de controvérsia, ruídos e afastamentos, o presidente Barack Obama vai - aparentemente com vigor renovado, implementando aqui e acolá algumas decisões.
Que demostram a sua vontade em reformar o pensamento - equivocado - de seu antecessor, George W Bush, que além de mergulhar o país no caos econômico ainda foi o responsável pelo ressurgimento em grande escala do sentimento anti-americano pelo mundo afora.
Já seguiram, e estão sendo colocados em prática o pacote de ajuda financeira para a economia interna - limitando inclusive o salário de executivos das instituições financeiras que recebem recursos, a definição sobre a retirada paulatina do aparato militar no Iraque, o alinhamento do país a questão ambiental e ao Protocolo de Kyoto e, mais recentemente, a discussão sobre a questão da paz no oriente médio e a retirada do veto de seu antecessor com a retomada do apoio do governo as pesquisas genéticas realizadas com células-tronco.
Aos poucos, Barack Obama engrena a máquina.
E vai mudando a face dos EUA.
Para melhor.

Igreja e Modernidade: Excomunhão


crédito da imagem: http://www.affirmation.org/
Com o caso recente de uma menina de apenas nove anos em Pernambuco, que foi estuprada por seu padrasto e engravidou de gêmeos, a decisão do Arcebispo de Recife, em determinar a excomunhão de médicos, profissionais e da própria mãe - que autorizou a realização da interrupção da gravidez (de altíssimo risco para a vida da própria criança estuprada), abriu-se novamente a polêmica a respeito deste rito antigo da Igreja Católica, do qual a muito não se ouvia falar.
Pena.
A fé moderna - não obstante a pregação dos tradicionais dogmas da religião, deveria ter condições plenas, no mundo em que vivemos, de entender as diferenças - e respeitá-las, no trato com questões advindas de temas complexos, como pedofilia, violência sexual, estupro.
Especialmente quando as vítimas são apenas crianças, como o caso em questão.
O homem não pode deixar de reconhecer o valor da vida - é verdade.
Mas não pode, igualmente, permanecer cego ao que o cerca, ao tempo em que exercita o divino presente - negado até aos anjos - do livre arbítrio.
E tanto a racionalidade, como a segurança humanas são princípios mais do que fortes, para sustentar que a permanência do inflexível e do imutável nas questões de vida ou morte, não leva nem a absolvição nem a tormenta eternas.
Só assim se compensam os equívocos do pensar como arautos da palavra, designados de Deus.
Que já trouxe muito conforto ao mundo.
Mas também trevas e obscurantismo.

Crise nas universidades: A história se repete



Sensação de "dejá vu", ou de repetição.
Parece que foi ontem.
Mas quando me lembro que o ano era 1992 - vejo que já faz algum tempinho.
Exatos, dezessete anos.
Num artigo publicado pela Revista Marketing (http://www.revistamarketing.com.br/), com o título " Marketing: Caminho para Excelência da Universidade Brasileira", este humilde autor arriscava-se a tratar do cenário de crise que rondava as IPES - Instituições Privadas de Ensino Superior, e lançar mão de algumas propostas que poderiam ser colocadas em prática, sem a necessidade de muito esforço.
Pelo viés da comunicação e do marketing, minhas áreas então.
Ao ler nos principais jornais, que a UGF/ Universidade Gama Filho, UCAM/ Universidade Cândido Mendes, UNIVERCIDADE e UniCarioca tem suas aulas paralisadas, por conta do atraso (em alguns casos, frequente) no pagamento dos salários de seus professores, sou levado a pensar naquelas linhas de 1992.
E, também, no que dizia Einstein : " Tudo que uma universidade não deve ser é um lugar desinteressante para seus alunos e professores".
Ao que parece, o modelo piramidal, de sustenção econômica baseada apenas na receita de mensalidades dos alunos e na cobrança de serviços acessórios, parece estar na posição de cheque-mate.
Num momento em que a economia que vivemos durante décadas, fundada no arcabouço do modelo imposto por Bretton Woods - ainda que com algumas deturpações de origem e corruptela de significados, se vê contestada, é fato de que estruturas de complexidade de custeio como as universidades, que são (ou deveriam ser) atreladas às necessidades de empreendedorismo econômico permanente, já passaram do tempo de rever seus fundamentos de desenvolvimento institucional, sustentabilidade e posicionamento de mercado.
Na época, a discussão era pela alternativa de permanecer como "instituição sem fins lucrativos" ou abrir-se para o mercado.
Começava então o debate nas reitorias e mantenedoras.
E com ele, a sensação da experiência, do ensaio de "acerto-e-erro".
É fato que o Ensino Superior, como instituto, deixou de existir.
Antes.
Mesmo de Darcy Ribeiro e da tão discutida LDB em 1996.
Situação paralela - mas guardadas as devidas proporções, também rondava as universidades públicas.
A idéia de formação de "consórcios de educação" ou de "pools" por parte da instituições, que chegou a ser ventilada, sob a égide da "cooperação interinstitucional" foi deixada de lado, o que - sem dúvida - acabou por favorecer, quase uma década mais tarde, o surgimento das atuais redes de "Ensino Superior". Só que, movidas por um conceito diferente da cooperação e da troca de experiências (boas e ruins).
Se consolidou então a visão - quase que determinista, de que a educação poderia - e deveria, ser considerada sobre a mesma ótica mercantilista das organizações de negócios, e que os conceitos empresariais, com tal e qual efeito, facilmente se aplicariam.
Mas não FOI bem assim.
E não É bem assim.
Os reflexos disso podem ser observados hoje, por exemplo, tanto nas mesmas estruturas educacionais citadas em 1992 - como foi o caso das confessionais - caso da PUC, como naquelas que consolidaram seus avanços sobre a possibilidade de migrar do status de "faculdades integradas" para "centro universitário" ou mesmo "universidade especializada", considerando que esta "promoção" ou "avanço" poderiam ser interpretados unicamente, como frutos de sua competência acadêmica.
O que se viu - na verdade, foi um crescimento aparentemente significativo em relação ao número de novos "centros universitários" e "universidades", mas oblíquamente emparedado pelo surgimento de novas faculdades - isoladas, etapas mais avançadas de centros de ensino médio locais, que permearam o tecido urbano, capilarizando-se e alterando a gênese do ensino superior nas cidades.
Sem falar que, um pouco mais a frente, significativa parcela deles sucumbiria ao crescimento vigoroso das redes e passaria a fortalecer a este outro fenômeno, que buscou incorporar com mais perspicácia os modelos de gestão de unidades de negócio: disponibilidade, acessibilidade e pricing - preço final.
O momento de revisão das estruturas mais tradicionais, "on demand" - estratégico - esta atrasado.
Mas, ainda poderia ser colocado em prática.
Seria necessário que elas, para isso, pensem "fora do quadrado".
E sobre um "colchão de inovação".
Mais a frente continuaremos a falar sobre isso.

Rio de Janeiro e a Economia Solidária


O conceito de Economia Solidária, especialmente em tempos de crise como o que vivemos, encontra-se num momento de grande visibilidade.
Dos laboratórios de sociologia, antropologia e ciências econômicas até os dias de hoje, ganhou forma, força e conteúdo para tornar-se um vigoroso movimento internacional, cujos fundamentos apóiam-se tanto em sua origem social, quanto no caráter de sustentabilidade que deve focar cada um de seus desbobramentos e práticas.
A prova maior é o interesse que o tema desperta - tanto no âmbito político quanto econômico, uma vez que confere - por um lado, sentido de organização na adoção de políticas públicas e, por outro, legitimidade para ser encarado como motriz de alternativas de impacto, viáveis, no que diz respeito a geração de renda e possibilidades de mobilidade social.
Não é de hoje que modelos de cooperativismo, arranjos produtivos locais e até sistemas de crédito para populações de baixa renda tornaram-se referência para Bancos de Desenvolvimento e Organismos Internacionais, quando o assunto é a distribuição de renda com maior equidade e justiça social.
No Brasil - assim como em quase todos os países do continente latinoamericano, centro-américa, áfrica e ásia, multiplicam-se os exemplos de empreendedorismo social, fundados no conceito de economia solidária.
E com o aval dos governos.
No Rio de Janeiro, por exemplo, com a entrada da nova administração municipal, nasceu a SEDES - Secretaria de Desenvolvimento Econômico Solidário (http://www.rio.rj.gov.br/sedect/).
Com propostas que vão de encontro ao empoderamento destas práticas - da revitalização de áreas econômicamente degradadas, passando pela construção de uma cultura de empreendedorismo social, até o fomento de zonas de especial interesse para a instalação de programas de economia sustentável, o município poderá - a curto e médio prazo, alçar vôo na direção das melhores práticas.
Se contar com igual compromisso e a parceria de outros atores locais - do governo do estado e federal, e o respaldo e o interesse de agentes de fomento e desenvolvimento, a cidade só terá a ganhar.
Trabalho que a sociedade agradece.
crédito imagem: www.gacc.org.br

O Tamanho da Crise













crédito imagem: www.humornanet.com/files2/imgs2008/brasileiro

Ela começou como aparente problema - localizado - nos EUA.
Falava-se muito da questão das hipotecas "subprimes" - ou de alto risco.
O mês: Setembro. O ano: 2008.
Passados quase um semestre, e a despeito das inúmeras intervenções e pacotes gigantes de ajuda ao sitema financeiro dos governos em todos os cantos do planeta, a crise internacional parece que ainda tem fôlego para crescer.
Os números das economias - emergentes ou não - desvelaram um quadro de perdas em todos os setores.
EUA, a Zona do Euro (Europa) e Ásia entraram oficialmente em recessão.
Do início da crise em 2008 até aqui, só nos Estados Unidos já são quase 2,5 milhões de postos de trabalho perdidos, fazendo com que o percentual de desempregados já ultrapasse os 8% de média nacional.
No Brasil, retração na indústria, férias coletivas e demissões.
Inclusive em empresas onde se imaginava impossível este quadro, como é o caso da VALE e da da EMBRAER - este último, a representar 30% do total de trabalhadores pré-crise.
No horizonte, a retomada do conceito de "estatização" de grandes bancos, pacotes econômicos de sustentação na China e muita discussão - em fóruns e gabinetes, de até onde a crise terá fôlego.
Não seria o contrário?

De volta ao BLOGANDO SÉRIO...

... depois de um período quase "sabático" de ausência deste espaço.
Muita coisa nova acontecendo, outras nem tanto.
Mas todas - com certeza - merecendo, aqui e acolá, um ou outro comentário.
Não é?
Estou de volta!