quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Final de Ano: Tempo de Festas...

...de reflexões, resoluções para o ano que vem chegando.
E de pausa no blog, que retorna a qualquer momento.
Depois da ceia de natal e do champagne de ano novo, é claro...

B O A S

F E S T A S


E


F E L I Z

A N O

N O V O ! !

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

RIO: Injustiça e licença para matar

figura: www.imageshack.us

Mesmo sendo protagonistas de uma tragédia no Rio de Janeiro, em que morreu o menino João Roberto de apenas quatro anos, vítima de mais de uma dezena de tiros disparados - errôneamente - por policiais militares.
A própria mãe dirigia o veículo, metralhado pela polícia sem qualquer explicação plausível - e vídeos com imagens de câmeras do local divulgaram com clareza que eles abriram fogo em direção ao carro, sem hesitação.
Na época, o próprio governador Sérgio Cabral, em entrevista coletiva a imprensa, qualificou de absurda a atuação dos PM´s envolvidos, aos quais se referiuu publicamente como "assassinos".
No caso, que comoveu o estado e o país este ano, seus pais e a própria família esperaram pelo julgamento e pela justiça.
Que não veio.
O primeiro PM indiciado como réu, acabou inocentado hoje no julgamento pelo Tribunal do Juri, da acusação de homicídio, tendo sua pena substituída pela prestação de serviços comunitários e pagamento de cestas básicas.
A impunidade, neste caso - e a sensação de acobertamento legal do erro inequívoco, deixam não apenas nos pais e na família de João Roberto, um sabor amargo.
E abre precedente perigoso, já que pode ser entendido que no cumprimento do dever, vale matar quem esteja no caminho.
Mesmo que não seja o criminoso.
As palavras, emocionadas dos pais, resumem : "Tínhamos confiança que a morte de nosso filho de 4 anos, veria justiça. Nos sentimos metralhados no carro uma segunda vez".
Com eles, toda a sociedade.

Crise no Consumo: Governo precisa mudar estratégia


Primeiro foi o aceno com a mudança nas regras do depósito compulsório, reduzindo o percentual que tem que ser recolhido - obrigatóriamente - ao Banco Central.
Depois, nova mudança, propondo que parte do valor a ser recolhido, pudesse ser realizada através de títulos da dívida pública - e não de dinheiro.
A pretensão, por parte do governo e das autoridades da economia era uma só: permitir que as linhas de crédito e financiamento chegassem aos consumidores e empresas.
E que a pressão não elevasse os juros na concessão do crédito.
Parecia que apenas ele - o governo - acreditava que assim caminharia a banca nacional.
Não foi.
Pesquisas nos dão conta que os juros atingiram o maior patamar dos últimos anos, e que os financiamentos ainda estão sendo negados - ainda que por intermédio de táticas diferentes das usuais.
Resultado : O governo alimentou a gordura dos bancos brasileiros - que verdade seja dita, nunca nesta crise estiveram na situação de seus congêneres americanos e europeus.
Injetou recursos da ordem de R$ 80 bilhões nos caixas dos bancos, que tomando um caminho diferente do acordado para as mudanças na regra do jogo, decidiram investir no sentido de aumentar a dívida pública em seu poder.
Não de conceder mais crédito ou manter sob controle as taxas de juros reais praticados.
Empresas - especialmente micro, pequenas e médias deixam de produzir porque não conseguem financiar seu crédito, aumentar seu capital de giro ou adquirir equipamentos de produção sem a sangria estratosférica dos juros.
Consumidores deixam de comprar, principalmente porque não dispõem de dinheiro - mais simples explicação, impossível.
Se, ao invés de colocar o ponto-de-apoio nos bancos (que na sua grande maioria, com taxas que chegam facilmente a superar 250% ao ano, não são os verdadeiros necessitados), o governo pensasse - e sua equipe de sábios - em colocar recursos diretamente na mão dos consumidores e das empresas, o resultado final seria bem diferente.
Mas, para fazer isso é preciso discernimento, competência e coragem.
Principalmente na presidência e entre os caciques do planejamento e da economia.
Qualidades que, parece, andam em falta.
Pelo menos por hora.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Natal de Incertezas

A julgar pelo que publicam os jornais e apresentam nas TVs, o natal deste ano será definitivamente o Natal das Incertezas.
As montadoras de automóveis - com as sabidas dificuldades e a queda vertiginosa nas vendas nestes últimos meses do ano, com pátios abarrotados de veículos que deveriam ser vendidos no Brasil e no mercado exterior, começaram concedendo licenças e férias coletivas, que agora poderão ser estendidas.
A Vale - uma das maiores empresas brasileiras e player global da mineração, anunciou demissões (de uma só vez cortou 1.500 empregos), remanejamento logístico e a interrupção de atividades em algumas de suas unidades.
A Petrobras acelerou demais em tempos de mercado pré-crise, apostando na grande alta volátil nos preços internacionais do petróleo, e agora precisou por o pé no freio dos investimentos - e realizou recentemente uma discutível operação para a tomada de recursos na CEF de R$ 2 bilhões de reais para reforçar o seu cash flow.
A indústria, com a redução do consumo que viu ocorrer à partir de outubro, foi obrigada a rever suas estratégias, cortar alguns investimentos e elencar prioridades.
O comércio, ao final, foi certamente atingido - especialmente neste período, onde normalmente é esperada a oportunidade de compensar alguns resultados abaixo do previsto durante o ano.
A julgar pelo aparente movimento nos shoppings e lojas, pode-se ter a impressão (pela quantidade de pessoas) que os negócios não foram muito afetados.
Mas uma olhadela mais precisa, na quantidade de bolsas de compras, revela que elas são em número muito mais reduzido do que as pessoas que circulam.
Não se pode afirmar, com segurança, como ficará o quadro na virada do ano e no decorrer do primeiro trimestre de 2009.
Vamos esperar - e desejar, apenas que a crise finalmente estanque.
E nos livre de novos sustos.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Cassação de governador da Paraíba abre precedente


imagem: Quadro "justiça ", de marilia chartune

Pelo menos é o que se espera, já que o motivo alegado para a cassação do mandato do governador Cássio Cunha Lima - e de seu vice, foi o de uso de programas sociais com fins eleitorais e suposto "abuso do poder econômico" na eleição passada.
Proferida pelo TRE da Paraíba e confirmada pelo TSE/ Tribunal Superior Eleitoral, em Brasília, a decisão - segundo agências de notícias, pode colocar em risco o mandato de outros sete governadores.
Vale a pena lembrar que, pelo motivo alegado, poderiam pairar dúvidas sobre o ocorrido em outros pleitos - que nunca chegou a tirar a cadeira de ninguém (até agora).
Ainda assim, o governador ingressou com recurso sobre a decisão junto ao STF/ Supremo Tribunal Federal, na tentativa de reverter o que parece - segundo opinião formada por advogados especializados e juristas da área do direito eleitoral.
Vale a pena lembrar também que já são conhecidas as práticas alegadas, e é difícil imaginar onde elas não tenham ocorrido.
No quesito "uso de programas sociais", vale a pena lembrar o caso do cheque-cidadão no Rio de Janeiro (Garotinho/Rosinha), que na prática não significou punição para os ex-governadores.
Ou mesmo no aumento na concessão de benefícios financeiros considerados "sociais", em épocas de eleição, camuflados sob o pretexto de "programas sociais".
Já no que diz respeito a "abuso do poder econômico", é interessante, igualmente, lembrar um caso mais atual : a eleição municipal em São Bernardo do Campo, no estado de São Paulo.
A campanha do candidato eleito foi calculada em - incríveis - R$ 15 milhões.A tomar-se por base o número de habitantes/eleitores, é soma que bate a própria campanha da capital São Paulo e - pasmem - de muitos pleitos majoritários para governador.
A confirmar-se o crime, puna-se exemplarmente o culpado.
Mas que os TRE´s e o próprio TSE, óculos em riste, mirem também em outras campanhas e prestações de contas de candidaturas vitoriosas.
Sob pena de que se confunda a mente do cidadão comum, com uma justiça eleitoral que decide e pune muito pouco.
E pode acabar maculada na suspeição de ser dirigida.
Apenas a quem lhe convir.

A "Era Lula": Problemas a vista?

foto: agência reuters
Primeiro, a perda da qualidade de líder regional, enfrentada pelo Brasil em episódios - que ainda se arrastam, com a Bolívia de Evo Morales, com o Paraguai - na questão de Itaipu, e com o Equador - e o possível calote ao empréstimo do Banco Central.
Houve a tentativa de "ganhar" a qualquer custo o governo do Estado de São Paulo - que acabou ficando com Serra.
Depois, foi a vez de colocar as cartas - todas - no apoio a candidaturas municipais, pelo Brasil afora, que acabaram naufragando.
A mais expressiva delas - a cidade de São Paulo (vide Marta Suplicy), confirmando a reeleição de Gilberto Kassab para um novo mandato - neste caso apoiado por José Serra.
Depois, o alarde sobre as reservas do Pré-Sal, por exemplo, em tempos de barril passando dos US$ 140 dólares, cuja exploração comercial, de altíssimos investimentos previstos para a Petrobras, fica distante com a cotação desabando para abaixo dos US$ 50 dólares atuais.
Ainda houve a tentativa de pregar uma "candidatura sucessória" nem bem o segundo mandato havia se estabelecido, trobeteando-se o nome da ministra Dilma Roussef - ungida a mãe do PAC/ Programa de Aceleração do Crescimento, e de investimentos bilionários em infra-estrutura, quando a execução orçamentária é pífia: alcançou menos de 20% do total provisionado para 2008.
Com a crise econômica - grave e global, vieram os devaneios sobre o impacto que ela teria na economia e nos planos do Brasil - mínimo, segundo sopraram os sábios da equipe econômica (comprometidos até o talo com o modelo que levou o sistema financeiro ao colapso que ele vive), e que em apenas um mês levou a uma maxi-desvalorização do Real frente o Dólar (saltando de médios R$1,60 para os atuais R$ 2,50 de paridade cambial), a mudança nas regras do jogo do Banco Central, ao aperto de crédito e a escalada dos juros - em patamares que beiram a irracionalidade da banca nacional.
Agiotagem acomodada e bem servida.
E consentida pelo governo, diga-se de passagem.
A máquina pública emperra na proporção em que crescem os seus custos.
Pelo andar da carruagem - e segundo projetam economistas e analistas, nem com a maior carga tributária do planeta incidindo sobre o brasileiro será possível fechar as contas.
Ou seja, a arrecadação não será suficiente em 2009/2010 para cobrir o custeio da administração pública.
Problemas a vista.
Com a mudança de ares e a ascenção de Barack Obama nos EUA, já não se pode mais colocar toda a culpa em George W Bush.
Quanto tempo a imagem de Lula aguentará o tranco?
E até onde ele consegue segurar - o que seja - que virá por aí?

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Ética e Negócios no Brasil


imagem: www.soxfirst.com

É cada vez mais necessária a construção desta ponte. Especialmente quando, de um momento para outro, somos bombardeados por notícias na mídia que colocam em xeque, pelo menos na teoria, o exercício da ética nas relações de negócio.
Muitas são as denúncias.
Diferentes os comportamentos e as empresas em questão.
No governo, movidas a relacionamentos tortuosos, encontramos empresas de setores como telefonia, energia e construção alternando-se como expoentes, em escândalos de maior ou menor intensidade, mas sempre com o objetivo do superfaturamento de preços, a modificação de contratos existentes e a rolagem de débitos - boa parte oriundos da sonegação ou do não-recolhimento de contribuições obrigatórias para o FGTS e o INSS de seus funcionários, por exemplo.
Já na esfera das relações de consumo imediato, mais próxima ao entendimento do dano causado a ética no mundo corporativo, a lista cresce: vai do varejo - ampliando as margens para a concessão de pseudo-descontos ou aparente vantagem nos pagamentos à vista ou a crédito dos bens ofertados, passando pelo setor de serviços - onde quem dita o preço da sua prestação é a aparência e as condições financeiras do "freguês", passa por bancos e administradores de cartões de crédito - onde a regra´se assemelha a prática da agiotagem, para desembocar até mesmo na área educacional, onde a majoração de anuidades ou semestralidades - acima dos índices de inflação e reajuste de salários e dos custos operacionais, oculta a visão imediatista da ampliação exagerada dos lucros, o exercício do domínio mercadológico e a partilha imediata de seus dividendos.
É certo que qualquer resultado da atuação nestes ambientes, têm que ser o lucro.
A coisa só complica, quando não se mede o esforço em alcançá-lo a qualquer custo.
E o arsenal de questionamentos para atribuir responsabilidades é imenso.
Culpa da cultura do mercado?
Como explicar, então, que as empresas podem ser socialmente responsáveis e obter boas margens em seu negócio?
Culpa da formação dos administradores e proprietários do negócio?
Então, como explicar que tanto as disciplinas de gestão e finanças como as de ética e responsabilidade social fazem parte do mesmo curriculum novo a ser aprendido?
Culpa da indiferença da sociedade em esboçar uma reação mais enérgica ao vilipêndio dos seus direitos nas práticas comerciais abusivas?
Sendo o caso, a busca cada vez mais intensa por fazer valer os seus direitos de consumidor, nos PROCONS e Juizados Especiais, a que seria atribuída?
Para cada tentativa de atribuição de culpa, existe uma alternativa que mostra a possibilidade de confrontá-la.
Grandes bancos e redes varejistas com seguranças que atiram em seus clientes, empresários que aparecem sendo presos acusados de corrupção e sonegação fiscal, estudantes de boas universidades particulares que são notícia - por integrar gangues e quadrilhas criminosas.
O ponto de convergência, quem sabe, a explicar é o fato de que a crise é MORAL.
Mais do que social ou econômica, ainda que não possamos deixar de lado a idéia de que estas são dimensões que contribuem com ela.
Ética no negócios.
Já passamos da hora de reforçar os alicerces, que nos permitem enxergar a linha entre a boa e a má atitude.
Para não cruzá-la, nunca.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

A tragédia das chuvas em Santa Catarina

foto/ www.noticias.br.msn.comEstado mais castigado pelas fortes chuvas que atingem a região sul e sudeste do país este mês, Santa Catarina vive uma de suas maiores tragédias.
O número de mortos chega a 65 e já são cerca de 52 mil o número de desabrigados, nos temporais que castigam - initerruptamente - o estado.
Vários são os reportes de deslizamentos, desabamentos e quedas de barreiras, que interditaram o acesso rodoviário em 8 municípios: dois na Grande Florianópolis (São João Batista e São Bonifácio), dois no norte do estado (Garuva e Itopoá) e quatro no Vale do Itajaí (Rio dos Cedros, Luiz Alves, Pomerode e Benedito Novo).
A bela cidade de Blumenau - conhecida por sediar o evento da OktoberFest (que foi recorde de público no mês de Outubro), é uma das mais atingidas pelo mau tempo, e já teve decretado estado de calamidade pública pela prefeitura. A situação na cidade é considerada bastante grave.
Vários estados se mobilizam, com o objetivo de enviar apoio para as regiões mais atingidas, e a Defesa Civil Nacional encontra bastante trabalho com as inúmeras ocorrências registradas.
Hoje mesmo, um grupo de especialistas do governo de São Paulo foi enviado de helicóptero para ajudar localmente.
Não apenas Santa Catarina, mas o Rio Grande do Sul, São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo tem sido atingidos pelas últimas chuvas fortes, com registros de incidentes que colocam em alerta diferentes cidades nestes estados.
Os temporais estão sendo provocados, segundo a meteorologia, por conta de um anti-ciclone tropical formado na costa sul Oceano Atlântico e estacionado sobre as águas mais frias desta época do ano.
E a previsão não é boa, já que são esperadas chuvas fortes no decorrer desta semana, o que motiva a continuidade do estado de alerta das autoridades e a preocupação das populações nestas regiões.

Como as pessoas podem ajudar :

A Defesa Civil de Santa Catarina abriu duas contas bancárias para receber doações em dinheiro para ajudar as vítimas das chuvas que atingem o estado desde o fim de semana. Os interessados podem depositar qualquer quantia nas contas:

- Banco do Brasil
Agência 3582-3
Conta corrente 80.000-7
- Besc
Agência 068-0
Conta Corrente 80.000-0.

O nome da pessoa jurídica é Fundo Estadual da Defesa Civil, e o CNPJ, 04.426.883/0001-57

Para entender mais sobre a situação, veja o link: http://g1.globo.com/Noticias/Brasil/0,,MUL874537-5598,00-ENTENDA+COMO+SE+FORMARAM+AS+CHUVAS+QUE+CASTIGAM+SANTA+CATARINA.html

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Desastre da TAM: Indiciamento apenas não resolve

Foto: http://www.conut.com.br/
Parentes e amigos das vítimas da maior tragédia da aviação comercial brasileira - o acidente com o vôo 3054 da TAM ao aterrisar em Congonhas, não tem motivos para acalmar a angústia e indignação.
Não obstante a lentidão com que o processo - hoje com mais de 16 mil páginas - percorre o "nem sempre seguro caminho" da justiça brasileira, houve a mudança no enquadramento inicial e tipificação do crime previsto.
O que reduz, de maneira objetiva a sua gravidade, no que diz respeito a penas previstas, e dá mostras de que muita coisa ainda pode ocorrer adiante.
Que afeta aos dois lados.
A experiência com o grave acidente anterior - o do Fokker 100 que caiu após a decolagem, matando todos os passageiros e tripulantes, e o fato de que ainda hoje as ações de indenização estão correndo na justiça, já que muitos parentes das vítimas não aceitaram os acôrdos protocolares, oferecidos inicialmente pela companhia aérea, poderia ter servido de experiência para a própria TAM, no que diz respeito a lidar com os desdobramentos desta grande tragédia - que vitimou além da sua tripulação, outros funcionários que trabalhavam em seu centro de distribuição, totalmente destruído por um incêndio após o choque e explosão do avião.
Não se pode, indiscutivelmente, condenar acusados antes que se tenham esgotado as suas possibilidades - legais de defesa.
O agir da TAM no pós-tragédia, entretanto, tem conseguido atrair para si, e de forma permanente, a atenção da mídia e da sociedade.
imagem: Jornal O Globo
Pouco tempo antes, houve a queda do boeing que fazia o vôo 1907 da GOL, ao sofrer colisão no ar com um jatinho executivo, conduzido por pilotos americanos, que ignoraram o risco ao não acionar o equipamento que permitiria a identificação em vôo da aeronave e manter-se num nível de vôo não-autorizado, o que provocou a tragédia que chocou a opinião pública e que começou também a desvelar a situação da segurança aérea no Brasil.
Porém - como no caso da TAM, não foi o suficiente para manter a GOL na berlinda dos noticiários a respeito da condução do processo de indenização aos parentes das vítimas.
Sabe-se que é longo e tortuoso o caminho que podem percorrer indenizações de seguros no país, especialmente numa tragédia destas proporções.
Mas, tanto em respeito as vítimas quanto as relações existentes entre uma empresa e seu público, o andamento destes processos legais poderia sofrer um rito, digamos, menos ordinário.
Até porque, ao postergar indefinidamente as conclusões e julgar seus culpados, mesmo que sob os alegados efeitos da morosidade no judiciário, casos como este acabam por contribuir para a cristalização de antagonismos.
E a percepção de injustiça.

Estudar hoje : Questão de risco?

charge: www.expresso.pt














Pelo menos é o que aparenta.
As notícias na mídia mais recentes, dão conta do problema em Belém, Pará.
Alunos de escolas públicas da cidade, vivem em permanente situação de conflito, onde não raro são os casos de confrontos físicos entre estudantes - muitos com hora e local marcado para acontecer.
Casos como o de Belém se repetem por todo o Brasil.
As escolas não são mais um local seguro.
Um quadro que apresenta três faces principais - distintas, conexas e tristes.
A primeira, a da perda de referências e a banalização da violência entre crianças, adolescentes e jovens, que parecem buscar no confronto físico não apenas atender as expectativas de seu grupo mais próximo, mas também utilizar as rixas e a agressão como forma de auto-promoção.
Frequentemente por motivos banais ou por motivo nenhum.
A segunda, porque o ambiente escolar - no passado um local de estudo, cultura, formação cívica e integração, foi sendo reduzido a um espaço onde professores e agentes da formação educacional, compartilham diariamente a sua insatisfação pessoal e profissional com os alunos, que acabam por vislumbrar em seus mestres um futuro sem muitas perspectivas, que não querem abraçar da mesma forma.
Potencializada por uma enxurrada de mensagens, equivocadas, com as quais têm que conviver obrigatoriamente nesta etapa da vida, já marcada pela angústia da mudança e da transição para a futura fase adulta, onde o errado parece certo e vice-versa, a resultante deste "caldeirão de informações" acaba, quase sempre, forçando um comportamento ainda mais rebelde.
E terceira - e talvez a mais significativa de todas, a modernidade das relações na família.
Que parece ser um família com formação, estrutura e sentido cada vez mais distante do propósito inicial: o de ser um espaço para a formação do caráter e o exercício da integridade de seus filhos e membros.
Tomados por esta dinâmica, nossas crianças, adolescentes e jovens acabam por responder de forma cada vez menos elaborada, mais rápida, as questões que se apresentam.
Respondem ao abandono intelectual e espiritual com desapego aos laços afetivos.
A crítica construtiva com impaciência e sarcasmo precoce.
E as diferenças pessoais, com raiva e violência.
Cada um dos atores neste processo - que é a educação, precisa urgentemente revisar a sua própria cartilha.
E tomar - para si, a responsabilidade de interagir de maneira renovada.
Caso contrário, não será a escola um caso perdido.
Mas a sociedade brasileira.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Agora é para valer: Banco do Brasil compra Nossa Caixa


Num negócio rápido - para os padrões do mercado, mas visto com tranquilidade nesta época de crise financeira global, o Banco do Brasil realiza esta semana a compra da Nossa Caixa - cujo controle acionário está nas mãos do Governo do Estado de São Paulo.
O valor da operação - de cerca de R$ 5,3 bilhões, será pago em dezoito parcelas mensais e consecutivas, corrigidas monetáriamente.
O governador de São Paulo, José Serra, após reunião com o presidente Lula que antecedeu a notícia de fechamento do negócio entre as instituições, deu entrevista em que declara pretender com a receita da compra, principalmente para ampliar os investimentos no Metro e no setor de transportes públicos do Estado de São Paulo.
A compra - acelerada após o anúncio de fusão dos bancos Itaú e Unibanco, que criou o maior conglomerado financeiro do continente sul (perdendo apenas para um par de bancos americanos), foi possível graças a edição de MP/ Medida Provisória, que autorizava a compra de ativos de outras instituições financeiras por parte de Bancos Públicos.
Ainda assim, o Banco do Brasil não consegue - momentâneamente - ocupar novamente a liderança, uma vez que, mesmo absorvendo os ativos da Nossa Caixa de cerca de R$ 55 bilhões, o resultado total ainda é inferior ao obtido na fusão Itaú-Unibanco.
A julgar pelas opiniões expressas pelo Ministro da Fazenda, Guido Mantega, e pelo próprio presidente Lula, que declararam a imprensa o desejo de que o Banco do Brasil seja o maior banco do país, trata-se apenas de questão de tempo.
Novas aquisições estão em estudo.
O que significa novidades mais a frente.

Independência entre poderes no Senado?

foto: agência brasil
É o que reza a constituição federal, mas não havia se tornado - na prática - representação da verdade. Pelo menos nos últimos 20 anos do texto promulgado em 1988.
E até esta semana.

Foi o que mostrou a decisão do presidente da casa, senador Garibaldi Alves, ao devolver para o executivo a MP/ Medida Provisória das Filantrópicas.
Essa mesma, a que colocava numa mesma dimensão instituições sérias e outras nem tanto - muitas com processos judiciais por má-utilização ou desvio de recursos, ao propor a extensão da validade dos certificados de filantropia existentes.
Garibaldi Alves, com a decisão, acabou gerando um fato político e importante.
Político, na verdade, porque a relação de dependência "velada" entre os poderes institucionais (Executivo, Legislativo e Judiciário) sempre existiu, trabalhada sob o argumento de que a convivência harmônica é a pretensão de toda a democracia.
Mas, nos últimos anos, o que tem ocorrido - mesmo - é uma quase submissão política as vontades do executivo.
Que acabou por transformar a Presidência da República numa espécie de "máquina de legislar", através da edição contínua - e muitas vezes injustificada, das Medidas Provisórias.
Importante, porque o Senado Federal tem se transformado, aos poucos, na "última linha de defesa" contra o rolo-compressor governista em curso na Câmara Federal, cuja maioria quase sempre é traduzida pelo atendimento das vontades do Palácio do Planalto - seja a que custo fôr, num ritmo quase que automático.
O gesto do atual presidente do Senado, Garibaldi Alves, que já havia se manifestado outras vezes em tom de crítica, no que considera "o uso exagerado das MP´s" por parte do governo, pode ter que forçá-lo, mais uma vez, a rever suas estratégias de relacionamento político com a casa, no que diz respeito ao encaminhamento delas.
E dosar a parte de humildade necessária - que lhe cabe, para levar a bom termo este relacionamento.
Sem dúvida, dá mostras que o presidencialismo - na prática, também deve ser uma democracia.
E que o respeito a independência dos poderes, na discussão do que é realmente importante para o país, é diferente de um regime de aprovação automática das MP´s do Executivo.
Ou, deveria ser.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Obama inova no seu pré-governo


Com certeza, trata-se de uma grande novidade na política, americana ou mundial.
E das melhores possíveis.
O presidente-eleito dos EUA, Barack Obama e seu vice - Joe Binden, ao articular o funcionamento do gabinete de transição (a posse ocorrerá em 20 de janeiro), tomaram a decisão de, nos diferentes gabinetes de coordenadores e especialistas da transição, estimular a participação dos simpatizantes de sua eleição e futuro governo, promovendo convites para a troca de idéias e de sugestões, em cada área de atuação.
A esta atitude, somou-se o fato de que o gabinete de transição (change.gov) está propondo uma revolução - positiva, na maneira de organizar o preenchimento das quase 9 mil posições de trabalho na administração que inicia, para que o tradicional esquema de indicação (nem sempre com mérito) dos postulantes aos cargos disponíveis.
Nela, todos os profissionais que são indicados, ou que se mostram interessados em trabalhar com o futuro presidente americano poderão concorrer, num processo que se assemelha mais ao realizado pelas empresas de "hunting" - ou seleção de executivos.
E onde, certamente, o "expertise" ou conhecimento objetivo sobre cada assunto, poderá ser levado mais em consideração do que o tradicional "QI - Quem Indica".
É grande a expectativa de que o próximo governo venha a se constituir num dos mais inteligentes e propositivos que foi estabelecido nos EUA, a contemplar-se, sem mistérios, cada uma destas iniciativas.
Eu mesmo fiquei surpreso - e feliz, por exemplo, ao receber um email do co-chair deste gabinete de transição montado na cidade de Chicago - Illinois, para assistir, por vídeo, um encontro interno a respeito do tema "Energia e Meio Ambiente", e de ser convidado a interagir com idéias e proposições.
Bacana, não?
Boas idéias, colocadas em prática, acabam por dar bons frutos.
Ao caminhar nesta direção, a administração Obama-Biden parece acertar em cheio.
A sociedade, passa a acreditar que as soluções para os problemas e crises, são possíveis.
E estão ao alcance do governo.

Pedofilia no Brasil: A hora do basta!

imagem:www.diganaoaerotizacaoinfantil.wordpress.com

A mudança na legislação que tipifica o crime de pedofilia no Brasil, propondo o aumento da pena aplicável para seus perpetradores, tal como foi apresentada no Senado Federal é, sem dúvida, um bom começo.
Mas não é o suficiente.
Os casos mais recentes, divulgados pela mídia nacional, dão conta que o perigo está próximo e é imediato.
Só no Paraná, em apenas duas semanas, foram quatro os casos.
Todos, crimes que nos assustam.
Com requintes de crueldade, estes criminosos sexuais - conhecidos como pedófilos, não conhecem limites e, a despeito dos esforços empreendidos pelas polícias, continuam a encontrar refúgio cada vez maior na impunidade.
Nos EUA, por exemplo, os "sexual ofenders" como são denominados, contam - inclusive - com departamentos especializados na investigação dos crimes e na maioria dos estados, com uma legislação bastante rígida e extremamente punitiva, já que são tratados como crimes graves.
O sistema legal preconiza, inclusive, a identificação permanente daqueles que foram condenados por tais crimes, e tanto suas informações pessoais quanto o seu DNA permanecem fichados e são objeto de constante monitoramento por parte de investigadores locais, estaduais e federais.
O avanço encaminhado pela proposta de mudança nas penas, deve ser acompanhado por um maior investimento no aparelhamento dos setores de inteligência policial, uma vez que o pedófilo é indivíduo de comportamento compulsivo, ou seja, dificilmente não cometerá novamente o crime caso permaneça em liberdade ou com o seu paradeiro desconhecido.
Instrumentos de "tracking" ou rastreamento, semelhantes aos utilizados para identificar e monitorar a segurança de pessoas, poderiam ser utilizados para traçar um acompanhamento mais permanente dos criminosos, quando da autuação e da prisão por este tipo de crime.
Médicos, psicólogos e especialistas no assunto não conseguem concluir, ainda, que seja possível impedir o comportamento patológico dos pedófilos e criminosos sexuais, através de algum tipo de tratamento - sem que exista a administração permanente de algumas interações de medicamentos fortes, que atuam sobre a química cerebral e forçam a inibição de seu comportamento habitual.
Mais uma razão para que a sociedade busque o reforço de sua vigília - em tempos de internet e do isolamento ou autonomia excessiva de crianças e pré-adolescentes, por conta de uma modernidade das relações familiares, para que estejamos sempre alertas.
Manter as nossas crianças e pré-adolescentes informadas a respeito do assunto, pode ajudar no controle de indivíduos e comportamentos suspeitos.
A pedofilia não tem cura.
Já a passividade e indiferença em relação ao assunto, por parte da família, de pais, responsáveis e professores, com certeza.

sábado, 15 de novembro de 2008

Crise: Governo continua a apoiar quem menos precisa

É o que parece estar ocorrendo, quando a área econômica anuncia - novamente - mexida no compulsório dos bancos.
Neste novo cenário que, diga-se de passagem, é curiosamente marcado pelo anúncio da realização de lucros bilionários no último trimestre do ano para as instituições financeiras, serão colocados mais R$ 40 bilhões para os bancos.
A novidade? É que não será necessário que o recolhimento do compulsório seja realizado apenas em dinheiro para o BC/ Banco Central (como estabelecido até aqui), mas, em parte, através de títulos da dívida pública.
A intenção, novamente, é a de que os bancos daqui - aliviados da "pressão externa da crise", possam retormar com maior tranquilidade a concessão de linhas de crédito e manter as taxas de juros em seus financiamentos.
Quem está de fora, pode até estranhar e se perguntar: Será que ninguém do BC, do Ministério da Fazenda ou da Presidência tem feito uma visita aos bancos ultimamente?
Nem mesmo uma consultinha de seus computadores, ao internet banking?
É o que bastaria para descobrir-se que, apesar da segunda leva de ajuda ao sistema bancário, ele continua surdo aos apelos por crédito.
E cego a qualquer tipo de manifestação ou acôrdo que tenha sido proposto para condicionar a liberação destes fundos aos seus objetivos.
Basta ver que o apoio às montadoras de automóveis, por exemplo, anunciado pelo Estado de S.Paulo e pelo Governo Federal ao mesmo tempo (duas frentes de crédito de R$ 4 bilhões cada), vai sair de bancos oficiais - respectivamente Nossa Caixa e Banco do Brasil.
Que, a propósito da concretização da compra anunciada pelo mercado, será brevemente apenas de uma fonte - o Banco do Brasil, que cresce com a aquisição da Nossa Caixa, mas as custas de um risco de R$ 8 bilhões.
Quando a situação é esta, fica sempre a impressão que o governo gosta mesmo de "botar a banca".
Neste caso, de idiota.
Só que as custas - como diria Elio Gaspari, do meu, do seu, do nosso dinheirinho.

A crise mundial: G8 ou G20 ?


imagem: www.thecashflowgame.com
Uma crise aguda, a busca por uma nova ordem econômica mundial e uma releitura dos princípios do livre mercado.
E a presença de um grupo maior de líderes para influir na tomada de decisão sobre tudo que diga respeito a estes temas.
Essas são as linhas básicas, que orientam o pensamento dos chefes de governo e ministros da área econômica do G20 - grupo formado pelos países desenvolvidos e emergentes mais importantes para o cenário global contemporâneo.
Eles estão reunidos este final de semana em Washington-USA , com o propósito central de discutir a crise financeira mundial, seus efeitos e desafios futuros.
A visão corrente é a de que o G8 - grupo que reúne apenas as oito economias mais tradicionais do planeta, além de não conseguir estancar a derrocada dos mercados mundiais - iniciada nos EUA à partir de setembro passado, em sua fase mais conhecida, não conseguiu demonstrar estar preparado para a tarefa de corrigir - sozinho - os desvios do sistema financeiro global, que acabaram por tornar ainda mais tempestuoso o cenário, com a entrada em recessão técnica da "zona do euro" durante esta semana.
Mesmo com a ação articulada das atuais lideranças, o trabalho de recuperação parece ser lento - e doloroso.
Ao socorro inicial dos bancos e instituições financeiras nos EUA, Europa e Ásia, com o intuito de segurar o que, de outra forma, seria uma quebradeira sistêmica, somar-se-ão agora as injeções de recursos em grandes empresas, atingidas em cheio duplamente, ao ver o valor de suas ações reduzir consideravelmente nos mercados e, agora, amargar a diminuição no ritmo de consumo de seus produtos em escala global.
Um conta que chegará, facilmente, a projeção de quase U$ 10 trilhões em 2009.
Desta reunião - que se segue a realizada em São Paulo este mês, é possível que já surjam encaminhamentos para uma redefinição de papéis.
E do número de participantes.

Governo erra e associa filantropia a "pilantropía"


E presta um deserviço a centenas de instituições sérias, na sua batalha diária por realizar um papel que - a bem da verdade - lhe pertence.
E dizer que a isenção de tributos é o que lhes caberia de pagamento por isso, é no mínimo uma meia-verdade.
Ao editar uma MP - Medida Provisória, que praticamente coloca lado-a-lado, sem distinção, as organizações sérias, que apresentam relatórios anuais e planos de ação, apontando indicadores de mudança social nas áreas em que atuam, e aquelas que sobrevivem de fraudar o sistema, recebendo verbas públicas, desviando recursos e deixando de prestar contas, num momento tão conturbado da visão pública que ONG´s e filantrópicas estão enfrentando, é no mínimo constrangedor para a sociedade.
A revalidação indiscriminada por parte do governo, dos certificados emitidos pelo CNAS - Conselho Nacional de Assistência Social, proposta com a medida, sem que exista um mínimo de cuidado na ánalise da situação em que se encontra cada organização, e que pode - como veiculado amplamente na mídia - significar a concessão para entidades que já se encontram, até mesmo, sendo questionadas judicialmente sobre suas atividades e procedimentos, acaba sendo o marco do desatino empreendido por uma das áreas que, dadas as bandeiras lançadas à época de sua constituição, merecia ter sido cuidada de maneira mais profissional, íntegra e competente.
Ao ancorar a medida apenas no argumento de que a falta da revalidação, colocaria em risco o trabalho das organizações sérias - o que poderia ser verdade, parece que lhe falta até mesmo o bom-senso, já que é relativamente fácil identificar quais instituições estão descumprindo com a prestação de contas de seus recursos até este momento.
As reações - na Câmara e no Senado Federal, entretanto parecem que forçarão um recuo nos grandes disparates de tal proposta.
Primeiro, em favor do erário público, vilipendiado anualmente pelo não-recolhimento de recursos das "pilantrópicas".
E, principalmente, em favor da ética e da transparência, motores das organizações de verdade, que merecem e precisam de apoio.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Barack Obama : Eleito o novo presidente dos EUA

Foto: Agência de Notícias AFP

Barack Hussein Obama. Filho de pai queniano e mãe americana. Senador Americano pelo Estado de Illinois, 47 anos, advogado formado pela Universidade de Harvard, casado com Michelle Obama e pai de duas filhas. Presidente eleito dos EUA que tomará posse em janeiro de 2009. Negro.

Não fosse a importância de enfatizar a mudança para a sociedade onde, na época em que ele nasceu, o casamento legal entre brancos e negros era proibido na maior parte do país, a última parte de sua resumida biografia seria até dispensável.

Hoje os EUA amanheceram, num exemplo de democracia histórica, com o seu primeiro presidente afro-descendente. De origem humilde e consciente dela, Obama discursou pela madrugada no berço de sua origem, a cidade de Chicago, para uma multidão que aguardava ansiosa por este momento.

Sua caminhada, até aqui vitoriosa e cheia de marcos importantes para jovens desta potência chamada de USA, pode ser encarada como um exemplo vivo de superação. O último desafio, abraçado com a sua campanha pela disputa como candidato do partido democrata a presidência, mostrou aos americanos - e ao mundo - que pode existir luz no fim do túnel.

O longo túnel da intolerância, da discriminação, da desigualdade.

Mas também da democracia, da oportunidade, e da esperança por dias melhores, principalmente numa época tão conturbada e repleta de desafios - sociais, políticos e econômicos.

Onde o próximo presidente eleito, ele, Barack Obama, terá a oportunidade de mostrar que o sonho americano, ainda assim, é possível.

Boa sorte Obama! Estamos torcendo por você.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Eleições nos EUA: Chegou o Dia D

Foto: AP/Associated Press

O dia de hoje, 04 de novembro de 2008, terá o seu lugar na história contemporânea.
Dia de eleição para os americanos - mas de expectativa para o mundo inteiro.
A corrida eleitoral americana não despertava interesse global - pelo menos da forma que a atual, não fosse um conjunto de fatores que alterou, sensivelmente, o equilíbrio e a harmonia da disputa.
É verdade que a primeira eleição do atual presidente , George W Bush, foi um caso a parte, principalmente em função da confusão do processo eleitoral americano e as ocorrências tumultuadas no estado da Flórida (sul dos EUA) em que, mesmo com a contagem final apontando 500 mil votos a mais do adversário, o hoje multimídia Al Gore, lhe permitiu a vitória.
Antes um duelo de força entre os dois partidos (Republicano e Democrata) e palco para a defesa de ideais mais conservadores ou mais liberais, a configuração em 2008, após o 11 de setembro das torres gêmeas em New York, da guerra no Iraque, do furacão Katrina de New Orleans, da crise dos combustíveis e da escalada mundial no preço dos alimentos, e do terremoto financeiro das hipotecas e bancos americanos que já custou trilhões de dólares aos cofres públicos, e que alcançou e envolveu o globo numa crise sem precedentes recentes, a eleição de 2008 será um marco.
Os acontecimentos representaram, especialmente para os americanos, um horizonte de recessão, dívidas impagáveis, desemprego em massa e incertezas a frente.
E a sensação de que o sonho americano, em algum momento da noite mal dormida, havia se transformado em pesadelo.
Mas para todo o mundo, a sensação - guardadas as devidas proporções, também é de tensão e expectativa.
Trata-se da possibilidade de colocar um freio nas políticas equivocadas, tanto internas quanto externas, que acabaram por reviver um sentimento de anti-americanismo, no qual o atual presidente - com o menor índice de popularidade da história de seus antecessores, parece ter boa parte da culpa.
Mas é certo que, independente do resultado desta terça-feira, onde vença o favorito Barack Obama ou o combativo John McCain, o novo presidente terá bastante trabalho e gastará ainda muito tempo para desfazer equívocos, propôr alternativas, consertar o que está fora de lugar e reorganizar as relações com a sociedade americana e com o mundo.
É possível - pela intensidade do quadro, que algum tempo ainda corra no relógio das decisões definitivas, antes que tenhamos uma idéia clara da escolha, acertada ou errada dos americanos.
Mas democrática.
E este, certamente, já é o peso maior que sentem ambos os postulantes.

Itaú e Unibanco: Bom para o mercado...

... mas e para os clientes?
Com o anúncio tornado público, e que agitou a bolsa de valores na abertura do mercado desta última segunda-feira, as ações de ambos os bancos chegaram a alcançar alta de 20% em relação a cotações anteriores.
É isso mesmo: Itaú e Unibanco agora são apenas um.
Com patrimônio líquido de quase R$ 52 bilhões e ativos correntes que ultrapassam os R$ 575 bilhões, 15 milhões de correntistas, 4.800 agências e pontos de atendimento (representando 18% do mercado), não um qualquer, mas simplesmente o maior banco privado do hemisfério sul.
E um dos vinte maiores do planeta.
A onda de fusões e aquisições no setor financeiro brasileiro já se apresentava ano passado, com a aquisição do Real (ABN-AMRO) pelo Santander, que criou na ocasião o segundo maior banco brasileiro.

Mas a notícia desta semana - certamente apressada pelo quadro de crise global, não deixou de causar surpresa, tanto no mercado quanto nos concorrentes, já que os detalhes da operação, que durou 15 meses, conseguiram permanecer confidenciais até o último momento.
Analistas financeiros e especialistas do sistema bancário são unânimes ao afirmar que se trata de uma boa notícia.
Segundo eles, a idéia aparente de concentração excessiva no setor não procede, já que o sistema financeiro brasileiro contra com outros bancos de grande porte - inclusive públicos, como o Banco do Brasil e a CEF, além de competidores estrangeiros bem posicionados (Santander e HSBC, por exemplo). A idéia geral é de que seria melhor contar com menos bancos - mas fortes, do que com muitos pequenos e fracos, principalmente em momentos de crise aguda.
De qualquer maneira, a visão acaba sendo simplista, já que a fusão vem sendo apenas comentada do ponto de vista da solidez do mercado, e não das vantagens para o cliente.
Já vivemos num país onde a inflação é menor que um dígito e o custo total efetivo dos empréstimos e financiamentos ultrapassa os 400% ao ano.
E as taxas - por serviços simples e corriqueiros, que no passado eram até gratuitos, se transformaram num assalto autorizado aos bolsos do consumidor.
Se a diversidade, sob este ponto de vista, nos traz um leque maior de opções e a consequente oportunidade de caminhar para o lado que nos trata melhor, a concentração num mercado tão perverso - de juros abusivos, taxas incontidas, comissões de permanência desconhecidas e tarifas que são majoradas ao gosto dos banqueiros (com o governo conivente e convenientemente cego ao que acontece), pode sim estar apontando para um momento de perda real nas relações consumidor-sistema.
Sem mencionar o ponto de vista do trabalho, por exemplo, que já sendo difícil encontrar nas agências pessoal empregado em número suficiente, para ocupar apenas as posições de frente (caixas, por exemplo), a fusão lança dúvidas sobre o volume de espaços de trabalho que, duplicados em caso de fusão, com certeza deixarão de existir.
É certo que o mercado faz o seu papel em defender a concentração, tomado pelo pânico especulativo que lhe é peculiar neste instante.
Mas, como sempre acontece, o fiel da balança deve nos deixar - consumidores - ao final mais desprotegidos.
E dependentes.
Foto: Agência Reuters (www.reuters.com) Imagem: www.revistadobrasil.com.br

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

América Latina: ONU aponta cidades mais desiguais

O coeficiente GINI, indicador pelo qual a ONU procura apontar o nível de equidade social e econômica, e serve de base para a publicação do relatório Estado Mundial das Cidades 2008/2009 (http://www.unhabitat.org/content.asp?cid=5979&catid=5&typeid=6&subMenuId=0), que foi divulgado esta semana, aponta Brasil e Colômbia como os países que possuem cidades mais desiguais.
O relatório aponta ainda, entre outras informações de interesse científico, o fato de que a expectativa de aumento da população urbana na América Latina deverá alcançar até 50% a mais do que a atual até o ano 2050.
Estima-se, com base nas informações apresentadas, que a cidade de São Paulo, por exemplo, será mais populosa do que New York em 2025.
A desigualdade existentes nas maiores cidades da região, entre as quais se incluem São Paulo e Bogotá, por exemplo, representaria o mesmo nível de um conjunto de 26 municípios da África.
O cálculo para se atingir o coeficiente (que varia de 0 a 1), leva em consideração variáveis econômicas que verificam o grau de distribuição de renda.
Segundo Cecília Martinez, diretora da UN-Habitat para a América Latina, a região é a campeã de desigualdade.
Ainda segundo ela, cidades que têm mais de 0,4 (limite de alerta) deveriam procurar melhorar essa diferenciação.
Objeto de estudo que deveria ser utilizado pelos governos - e suas equipes, principalmente no que diz respeito aos seus planos de desenvolvimento e projetos de investimento futuro.
Vale a pena conferir.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Crise na Economia: Empresas brasileiras perdem...

E perdem muito, mais do que poderiam imaginar a bem pouco tempo.
Com o caos dos mercados internacionais, as empresas brasileiras correm contra o relógio especulativo, na tentativa de frear o ritmo de desvalorização de seus negócios - e do seu próprio valor de mercado nas bolsas.
A Revista Época (www.epoca.com.br) nos traz uma reportagem interessante, ao mesmo tempo em que nos brinda com a informação : até hoje, esta perda já alcançou a cifra de R$ 1 trilhão - isso mesmo, um trilhão de reais.
E tendo em vista a alta volatilidade na qual se encontram mercados e governos, com as bolsas pelo mundo sofrendo momentos de acentuadas perdas, pode ser que esta seja apenas a superfície do iceberg.
Os números das economias - especialmente as grandes da europa, já dão sinais de que se avizinha um período de recessão por lá.
Nos EUA, como nos mostram quase que diariamente os telejornais, a situação é desesperadora para uma grande parte das famílias americanas, que num primeiro momento sucumbiram a pressão de bancos e perderam suas casas, e agora têm que se deparar com o corte de vagas e o fechamento de diferentes empresas. Sem casa e sem trabalho, o cidadão perde o rumo e vaga pelas cidades, sem destino certo.
Aqui, o BC - Banco Central e as autoridades monetárias já despejaram quase R$ 50 bilhões em recursos para tentar conter os avanços da crise. O dólar disparou, alcançando cotações recordes e estaciona em patamares antes impensáveis (pré-crise :R$ 1,56/US$ 1 e em crise: R$ 2,30/US$1).
As medidas de contenção continuam a ser editadas, com o governo assumindo um papel quase estatizante para bancos e empresas que se encontrarem em dificuldades.
Procura enfatizar que vivemos situações distintas por aqui (o que acaba sendo verdade), mas acaba seguindo - de uma maneira economo-tupiniquim o mesmo receituário que vem sendo aplicado nos EUA, Europa e Ásia, ainda que as realidades sejam assim: Lá, bancos quebram e são vendidos a preço de banana.
Por aqui, o Bradesco por exemplo, anuncia esta semana um dos melhores resultados trimestrais de toda a sua história.
E como nas fábulas, em que se acredita em quase tudo, o dinheiro do compulsório liberado para ele, Itaú, Unibanco e outros grandes terá destino certo: Ao invés de segurar juros, comprarão títulos da dívida pública.
Ao invés de oferecerem crédito a consumidores, sairão em compras de ações de empresas sólidas que caíram, e de carteiras dos bancos menores que estejam em dificuldades.
Alívio na ponta dos juros: Nem pensar.
Taxa Básica inferior a 14% ao ano e CEF - Custo Efetivo de Financiamento Bancário (o que eles nos cargam) superior a 440% ao ano em alguns bancos (como o Itaú).
Contra 0,6% ou 0,85% mensal de remuneração pelo nosso dinheiro que, quando aplicado - e dependendo da aplicação, querem nos oferecer.
Com ambiente assim, fazer o que : O paraíso para especuladores continua sendo aqui.
Ou não?

São Judas Tadeu, o das causas impossíveis.


Foto: G1/Alícia Uchôa - www.g1.com

Primo de Jesus e seu apóstolo, considerado um dos mais apaixonados defensores de sua palavra, São Judas Tadeu é considerado por seus devotos - e referendado pela própria igreja católica - como o padroeiro das causas impossíveis, dos assuntos de difícil solução.

Hoje, em meio a grande turbulência global que afeta a economia, a grande violência que assola as nossas cidades e o fantasma da incerteza que ronda a prosperidade, a saúde e o trabalho, quem sabe não é hora de, credos e crenças à parte, realizarmos uma pausa em nosso cotidiano agitado, e trazermos a tona o que de melhor habita em nós.

Bons pensamentos, boas atitudes, boa música, gestos de apoio, compreensão e de solidariedade: Quase tudo pode ser usado para despertar os valores que nos são tão caros, e que tem a força impressionante para enriquecer nossa mente, corpo e espírito.

Salve São Judas Tadeu!

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Carta Aberta aos Prefeitos Eleitos do RIO, Belo Horizonte e São Paulo

A corrida eleitoral nos três principais centros urbanos do país finalizou neste domingo, com as eleições do segundo turno.
Antes de sua importância econômica e política, estas três cidades representam uma éspecie de "câmara de ressonância" para todo o Brasil.
Quero saudar aos seus prefeitos-eleitos : Eduardo Paes (Rio de Janeiro), Márcio Lacerda (Belo Horizonte) e Gilberto Kassab (São Paulo).
Ainda que existam mágoas, ressentimentos e dissabores, frutos do percurso de cada uma de suas campanhas até este domingo que passou, com o saldo de eleições tranquilas e transparentes, fica a oportunidade do recomeçar e do reconstruir, em cada dia de expectativa, até o momento de sua posse definitiva em janeiro de 2009.
Como cidadão, que teve ao longo destes anos a possibilidade de observar que o Brasil, num todo, prescinde do que acontece nestas capitais - e que apesar de carioca da gema, também foi em alguns momentos adotado por Belzonte e Sampa, nasce o desejo de que o diálogo ressurja mais forte entre vocês, e que uma grande frente de valor seja criada à partir daí, não deixando dúvidas quanto a possibilidade de resgate dos valores carioca, mineiro e paulista.
Ao conviver de maneira comunicativa, disposta ao diálogo, não existirá tempo melhor para a retomada de um leque de possibilidades, de afirmação social e cidadã, que vai do empreendedorismo para a geração de novas oportunidades de trabalho até a melhora da qualidade de vida, do resgate dos elos mais frágeis da corrente social e do desembolso - sensato - dos recursos de sua gente em prol do desenvolvimento sustentável destas nossas queridas cidades.
Cariocas, Belzontinos e Paulistas, seja quem forem, sãos cidadãos de bem e sempre dispostos a arregaçar as mangas e trabalhar em prol daquilo em que acreditam.
E - eleições não mentem - acreditamos que vocês, de alguma maneira, representariam o que será necessário para manter a vaidade efêmera distante, mas o orgulho cidadão bem pertinho de nossas ruas, avenidas, praças, comunidades e bairros.
Procurem, na caminhada que se inicia hoje, tornar o domingo que passou único.
Inesquecível.
Saudações Fraternas,
José Luiz ESTEVES

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

A crise internacional e o Brasil




Ilustração: Crise Mundial em www.kanitz.com

Parece que, finalmente , a ficha começou a cair.
Para a equipe da área econômica do governo (que apenas procura dilatar ao máximo o prazo de sua tão propagada estabilidade) e para o próprio presidente Lula (antes tarde do que nunca), que andaram sustentando uma pseudo-normalidade na economia brasileira, apesar da situação de catástrofe que vem assolando as bolsas, empresas e governos em todo o mundo.
A despeito da aparente normalidade, o presidente do Banco Central - Henrique Meireles, e o ministro da fazenda - Guido Mantega, têm aparecido constantemente em comunicados conjuntos, alternando o anúncio de medidas voltadas a manutenção da oferta de crédito - via redução de compulsório para os bancos, a estabilidade das empresas - principalmente exportadoras e do setor agropecuário, além de trabalhar alternativas para a manutenção do estágio de consumo.
Outra novidade anunciada, foi a possibilidade de estender a interferência do governo às empresas ligadas ao setor da construção civil, numa versão tupiniquim das medidas do pacote original americano.
Aos poucos, o custo da estabilidade dá mostras de que é alto.
Conta que promete aumentar ainda mais para os cofres públicos, já que a incerteza ainda é dominante nos mercados internacionais, que flutuam ora de maneira positiva, ora de maneira muito negativa - como mostraram os pregões na Ásia e Europa de hoje, em que a Bolsa de Tokyo recuou quase 7%, puxando para baixo os índices da economia da Europa.
De certo, apenas que:
- O governo já injetou em menos de duas semanas, mais de US$ 25 bilhões de dólares para tentar conter os efeitos da crise mundial por aqui;
- O valor de mercado de empresas brasileiras, consideradas sólidas, caiu em cerca de 30% (trinta porcento);
- O dólar americano, a despeito da situação bastante negativa dos EUA, já tem alta acumulada frente ao real de mais de 37% (trinta e sete porcento).
Para onde caminha a crise, ninguém sabe de verdade.
Mas é certo: Dias bastante duros virão.

Uma questão de (In)Segurança Pública

O recente confronto entre as polícias militar e civil em São Paulo, que culminou com uma autêntica "batalha campal" nos arredores do Palácio da Liberdade - sede do governo estadual, por conta de uma greve da polícia civil que se extende por mais de um mês no estado, é apenas a ponta do iceberg na questão da estrutura de gestão da segurança pública.
Não apenas em São Paulo, mas em todo o Brasil.
Levantamento realizado a bem pouco tempo, traça um perfil das corporações e permite, mesmo para não-especialistas, descrever o quadro quase a perfeição:
- Ineficiência do Governo Federal para colocar em prática um Plano Coordenado de Ação contra o Crime, cujo enfoque acrescente ganhos reais em termos de valorização da cidadania e do resguardo das ações sociais locais;
- Pouco ou quase nenhum investimento considerado de porte, nas ações de prevenção ao crime comum;
- Ausência de programas de natureza educativa, que estabeleçam uma ponte segura de comunicação entre as polícias e a população;
- Recursos reduzidos para o reaparelhamento dos setores de inteligência e de polícia técnica (peritos e legistas);
- Investimento central em veículos e armamento, sem que exista um planejamento prévio sobre motilidade urbana (dificuldade de transitar com viaturas) e portabilidade/funcionalidade (armas modernas mas logística ruim no aspecto de munição, proteção humana e material) e muito pouco treinamento e aperfeiçoamento no uso dos armamentos;
- Falta de comunicação entre setores de uma polícia de combate (PM) e uma polícia judiciária investigativa (civil), por conta da inabilidade dos seus principais gestores;
- Forte ingerência política local na tomada de decisões, que vão da escolha de delegados titulares, no caso da civil (para ocupar determinadas delegacias) até a escalação de comandantes para os batalhões, no caso da militar - sem que o aspecto do mérito e do desempenho seja a referência maior a orientar estes processos;
- Falta de habilidade e de uma interlocução segura dos governadores no âmbito da Segurança Pública do Estado;
- Alto nível de corrupção e desvio de finalidade dos efetivos das forças de segurança pública (PM e Polícia Civil), e
- Salários de policiais, soldos militares e seguros defasados da realidade.
A cada novo acontecimento, como este confronto ocorrido em São Paulo, cresce a expectativa de sociedade em relação a ação efetiva de seus governos, na questão da segurança pública.
Com o mapeamento realizado, que identifica o quadro geral, temos a oportunidade batendo a porta de ministros, governadores e secretários.
O que mais falta para caminhar na solução do problema, além de discernimento, disposição cidadã e vontade política?

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Desfecho trágico do sequestro em São Paulo

O brasil praticamente ficou em suspense e apreensão, enquanto o drama da adolescente de 15 anos - Eloá Pimentel, transcorria no cárcere privado em que era mantida - sua própria casa, num conjunto habitacional na cidade de Santo André, SP.
O sequestrador de Eloá, um ex-namorado de 22 anos - Lindemberg Alves, que havia feito de refém a jovem junto com amigos de escola, que acabaram por ser liberados em momentos diferentes no decorrer da semana, ainda teve contornos de uma imperícia absurda por parte da polícia militar e dos negociadores que participavam do episódio, ao permitir que uma amiga também adolescente da jovem - Nayara, liberada do cárcere, voltasse novamente ao apartamento e mais uma vez se tornasse refém do desequilíbrio do sequestrador.
Num gesto desnecessário e aparentemente de bravata irresponsável, comandantes policiais chegaram a tentar justificar o retorno da jovem dizendo que ela "aparentava maturidade superior a sua idade", e que "colocariam o próprio filho no lugar da jovem".
Julgamentos que se mostraram incoerentes e fora de propósito, no decorrer dos eventos que se sucederam.
Infelizmente, a longa espera e a aparente inércia da polícia, a sugestiva falta de comando tático das equipes (que mostraram pelos principais canais de televisão o seu atropelo e amadorismo para lidar com a situação), e as falhas na tomada de decisão que culminou com a entrada no apartamento, acabou provocando o trágico desfecho do episódio: Nayara a amiga, baleada na boca e Elóa, a vítima principal, atingida na cabeça e no abdomem.
Mesmo socorrida por dedicada equipe médica, a menina Eloá não resistiu a gravidade do ferimento na cabeça, e faleceu durante o final de semana.
Num gesto de humanidade inigualável, e mesmo fortemente abalada, a família autorizou a retirada de órgãos para doação, alguns dos quais já foram transplantados em diferentes hospitais.
Final triste para um episódio que precisa servir de referência e análise.
Tanto por parte do governo e das autoridades de segurança pública, para apurar as responsabilidades e a correção dos procedimentos adotados no episódio, como da sociedade, que precisa estar atenta a existência de indivíduos como Lindemberg, perigo real e imediato.

Mundial de Futsal: Brasil é Hexa no Rio

Num jogo contra a Itália - sua maior rival da atualidade, nem a expectativa de fortes emoções conseguiu dar conta do que se seguiu.
A seleção brasileira de Futsal de Franklin - o goleiro que entrou para salvar dois pênaltis e assegurar a vitória brasileira, substituindo o excelente goleiro Tiago, de Falcão, Schumacher, Gabriel, Lenísio e Marquinho, conseguiu vencer o cansaço e superar as condições físicas adversas de seus principais jogadores - principalmente de Falcão, que não teve condições de jogar até o final.
Contra uma seleção - a da Espanha, o jogo teve um sabor de revanche histórica, por conta de resultados anteriores que deram a espanhola o campeonato e interromperam o percurso do Brasil.
Faltando pouco para o final, com o placar apertado de 2X1 em favor do Brasil, um lance rápido e um vacilo da defesa colocaou ambos os times em condições de igualdade, para a prorrogação (dois tempos de 5 minutos) e, finalmente, a disputa de pênaltis - na qual o Brasil obteve a sua sofrida e merecida vitória: Resultado final de 4x3 nos pênaltis.
O fato da final ter sido disputada em casa, no Rio de Janeiro e ao sabor de uma torcida maravilhosa, teve um significado especial, garantiram os jogadores em entrevistas após a partida.
Tiago recebeu dupla premiação - além do título, como goleiro e a chuteira de bronze como o terceiro melhor jogador do mundial. O mesmo com Falcão, que ficou com a chuteira de prata da artilharia e a de melhor jogador do mundial.
Valeu Brasil!

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

A canalhice dos bancos brasileiros

Imagem: Veja-Editora Abril
Nos momentos de crise aguda é que fica mais claro, tanto para os consumidores comuns quanto para as empresas: A grande maioria dos bancos brasileiros é de índole especuladora, agiota e apátrida.
Especuladora, porque atiçou o setor empresarial a acreditar numa situação de normalidade, através da concessão de empréstimos para capital de giro e financiamentos para ampliação da produção, lastreados em contratos aparentemente positivos, de juros reduzidos, mas apostando de forma perversa na garantia de imobilidade cambial dos contratos de câmbio no mercado futuro.
As empresas, ao acreditarem que estavam fazendo um bom negócio, e motivadas pela aparente situação de inércia na paridade dólar-real, acabaram por compôr os seus caixas com operações que, instalada a crise, representaram um verdadeiro desastre.
Tanto nas suas operações de mercado real, como também para seus balanços, este sim, considerado o desastre maior.
Uma vez que a crise rebate as tentativas de acerto impostas pela ação conjunta de governos considerados fortes - a exceção dos EUA, mas mesmo ele com um plano que injeta quase 1 trilhão de dólares para a salvatagem do mercado, existe uma grande pressão sobre o valor das ações de grupos sólidos, que acabam por despencar nas bolsas e reduzir o seu patrimônio consolidado.
Agiota, porque uma vez instalada a crise nos mercados, de maneira oportunista e insensível, os bancos brasileiros - que estão em situação excepcional em relação aos seus congêneres americanos e europeus não por conta de maior zelo da autoridade monetária brasileira e do Banco Central, mas por força do aparente estado de "faço-o-que-quero-e-não-sou-importunado", já que num país de inflação anual de um dígito e taxa nominal de juros de menos de 14%, conseguem extorquir de clientes em suas operações de crédito juros que ultrapassam 400% ao ano e impôem taxas de operações e de manutenção que estão entre as maiores do mundo. Taxas que pagam, com folga, quase duas folhas de salário bruto por mês de seus funcionários.
Apátridas, finalmente - mas não por último, porque quando o governo toma a decisão de reduzir o compulsório (dinheiro de cada depósito ou operação realizada, que fica retido no Banco Central) e retorna aos seus caixas um volume considerável de recursos adicionais, para que sejam facilitados o crédito ao consumidor e as empresas, sem que exista a necessidade de um aumento de juros na ponta, e não se reduza o fluxo de consumo e de produção internas em meio a crise internacional, o que fazem os bancos?
Não apenas aumentam os juros reais das operações já existentes, como lançam mão destes recursos para, ao invés de financiar o crédito e a produção, capitalizar a compra de títulos públicos e, assim, tornarem-se ainda mais credores do próprio governo.
Sem que, na prática, precisem lançar mão de recursos próprios, previamente alocados em outras operações.
Até quando vão se entregar os ovos, as galinhas e o próprio galinheiro às raposas?
Não existe, para eles, presente de natal melhor do que a crise.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Semana decisiva para o Mercado Financeiro


Aumentam as expectativas esta semana, em função dos planos de emergência traçados pelos países do G7 e G20 em Nova York, e pelos países da Comunidade Européia.
Ao contrário das reuniões do G7 e G20, que ficaram mais no nível de protocolo de intenções, os líderes dos países europeus, em decisão conjunta e inédita, optaram por uma intervenção direta no mercado financeiro, garantindo o aporte de recursos para que nenhum banco sucumba a crise internacional.
Na prática, países como Inglaterra, Alemanha, França, Itália, Portugal e Espanha, por exemplo, passam a poder injetar diretamente recursos no sistema financeiro, via aquisição de ações dos bancos que se tornarem tomadores destes empréstimos, uma medida até então vedada aos países do bloco europeu. A mais forte e direta intervenção de governos na economia desde o final da segunda guerra.
O montante da ajuda : Mais de 1 trilhão de euros.
Caminho que deverá ser igualmente trilhado por governos de países asiáticos, fortemente atingidos pelo turbilhão e pelo caos financeiro mundial.
Em alguns casos, como os preços das ações dos bancos europeus despencaram nas últimas semanas, será possível considerar que este aporte de recursos torne os governos centrais os principais acionistas de seus grandes bancos, num processo similar ao de uma estatização, motivada pela pulverização de seus ativos e da grande falta de confiança de clientes e investidores.
A forte intervenção dos governos nos bancos, é uma cartada definitiva para tranquilizar a economia global, mesmo cientes de que o que passa a estar em jogo - junto com a normalidade, é a sua própria capacidade de atuar em conjunto e superar a grande crise.
A semana será de grandes expectativas.

Festas de Nossa Senhora...


No sudeste, de N. Senhora Aparecida - que neste domingo levou centenas de milhares de romeiros e fiéis a lotar a Igreja Matriz em Aparecida do Norte, SP.
Já em Belém, tem início o Círio de Nazareth que homenageia N. Senhora, festa de religiosidade que é marcada pela presença estimada de milhões de seguidores durante as próximas semanas na capital do Pará.
Aqui em Fortaleza - CE, a semana começa com os festejos em homenagem a N. Senhora de Fátima, marcados pela procissão que sai da igreja no bairro de mesmo nome (Fátima).
Festas de Nossa Senhora, a boa mãe.
Alegria de todos nós, seus filhos.
Viva Nossa Senhora, Viva Maria!

Seleção Brasileira vence a Venezuela


E salva mais uma vez o pescoço do técnico Dunga.
Numa vitória onde os destaques foram Robinho e Kaká, o Brasil reconfirmou o histórico de favoritismo sobre o adversário - depois de uma impensável vitória da Venezuela no amistoso de meio de ano.
A seleção não foi perfeita, mas convenceu mais do que em jogos anteriores - e avançou na tabela de classificação : Está em segundo lugar no grupo.
De qualquer maneira é sempre preocupante um time que apresenta muitos altos e baixos, e parece que resiste um pouco a assimilar um estilo de jogo com a característica brasileira que faz a felicidade da torcida.
Sabemos que o futebol de hoje não é o de 70 - muito menos a CBF ou a FIFA, onde os interesses que dominam tem mais a ver com vitrine, licenciamento e direitos de imagem do que com futebol-arte.
O técnico Dunga - que todos concordam nunca foi um jogador espetacular, mas regular - foi escolhido e aceitou o desafio de comandar uma equipe de estrelas, de jogadores cada vez mais distantes do gingado que desafia o equilíbrio dos adversários em campo - e balança as redes no final.
Com raríssimas exceções, a ida cada vez mais precoce de talentos para times no estrangeiro - principalmente Europa, tem matado um pouco a fonte de criatividade única que se consegue por aqui, o estilo genuínamente brasileiro - do drible desconcertante e das jogadas que surpreendem os esquemas muito repetitivos de treinamento dos grandes clubes europeus.
Mas não custa apostar em dias melhores.

Vai entender o FLAMENGO...

Maracanã lotado (recorde de público mais uma vez), ímpeto rubro-negro tomando conta do Rio...mas vai lá entender o Flamengo : Num dia pra lá de favorável, jogando em casa, com uma torcida cheia de disposição no Maracanã, eis que o time não consegue fazer nada direito.
Resultado : Atlético-Galo Mineiro vence por 3 a 0 (você não está vendo errado não, Galo Mineiro batendo o Urubu Carioca por três a zero!)
Uma vez Flamengo, sempre Flamengo.
Mas que dói, ah isso dói.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Crise na economia: Epicentro americano, amplitude global



A crise é grave, não apenas nos EUA - mas principalmente por lá.
O epicentro da onda de turbulâncias sofridas nos mercados financeiros, que teve como ponto de partida a questão de falta de controle sobre os ativos financeiros considerados de alto risco pelos bancos americanos - em especial os de investimentos, acabou por contaminar até as economias que andaram fazendo o dever de casa direitinho.
Europa e Ásia sofrem com os efeitos em cascata, principalmente tomados pelo pânico daqueles que não conseguem enxergar um final nesta crise, e a cada dia surgem rumores que acabam por pressionar a tomada de decisão de seus bancos centrais, principalmente através da injeção de dólares, da facilitação de fusões e da ampliação da garantia de depósitos para correntistas comuns.
O Brasil e outros países considerados emergentes vêm despencar os preços das commodities - principais ítens de exportação na sua balança comercial, provocado pelo freio no consumo que está em curso nos EUA e Europa.
Nos EUA o número de pedidos de seguro desemprego é o maior da sua história recente.
Só um país europeu - a Islândia, teve comprometidos pelos seus bancos mais do que o valor de todo o seu PIB, e está sendo socorrida através de empréstimos da União Européia e Rússia.
Empresas reais e sólidas, viram reduzir o seu valor de mercado em até 30% durante apenas uma semana.
Mesmo que os especialistas - e o próprio governo, estejam relutantes em assumir que o perigo é real e imediato por aqui, a decisão de antecipar férias coletivas por montadoras e a divulgação na redução no índice de crescimento industrial anunciado esta semana são fortes indicadores de que um quadro nada favorável para 2009 está se colocando no horizonte.
Os reflexos e as decisões vão depender, é claro, de como reagirão as economias em crise e de se vão ser estancadas as graves perdas - na casa dos trilhões de dólares - durante os próximos meses.
E de como se administrará a crise de confiança, que é geral.
Este sim, o fator determinante para colocar as casas novamente em ordem.

Obama e McCain: Debate e troca de acusações

O segundo debate com os candidatos a presidência americana - os senadores democrata Barack Obama e o republicano John McCain, ainda que um pouco menos rígido do que o primeiro, mostrou-se sem surpresas: Como o senador McCain está sendo engolido pela assombrosa crise financeira que explodiu ao final do mandato de George Bush, e por se encontrar atrás nas pesquisas de intenção de voto, não lhe restou alternativa a não ser partir para o ataque.
O problema é que, mesmo lançando mão do recurso de jamais mencionar o presidente Bush, fica cada vez mais difícil afastar a sua incômoda presença, pois Bush já é considerado o pior presidente americano de todos os tempos - tomando como referência o índice de popularidade de menos de 30% alcançado no final de seu mandato.
De qualquer forma, a administração da maior economia do mundo vai exigir dos postulantes nesta eleição, muito mais do que passar uma imagem vitoriosa, a menos de um mês para a chamada das urnas.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Pânico continua nos mercados internacionais


Nem bem a semana começava, e as bolsas da Ásia já davam mostras de que a segunda-feira seria de muita agitação e incerteza.
Estava correto.
O mercado financeiro, independente do pacote de ajuda recém-aprovado pelo governo americano, que vai injetar US$ 850 bilhões na economia para segurar a quebradeira por lá - e os reflexos que se alastram por todo o mundo, parece que simplesmente ignorou o alívio momentâneo.
Foi uma segunda-feira onde o pânico mais uma vez mostrou o quanto são débeis as salvaguardas existentes para a proteção de ativos financeiros.
A BOVESPA, por exemplo, teve uma das maiores quedas de todos os tempos, onde nem o mecanismo do "circuit breaker" - que paralizou as operações quando as quedas ultrapassaram 10% e depois 15%, e operou um dos piores resultados de sua história.
Na Europa e Ásia, as quedas oscilaram entre 4 e 6%, sendo que na Rússia - mais uma vez, as operações foram suspensas quando atingiu os 15% negativos.
O que estará acontecendo - de verdade - com os mercados?
Autoridades brasileiras, pressionadas e assustadas com o desempenho catastrófico das bolsas e a alta do dólar - que chegou a fechar acima de R$ 2,20 no dia, entre os quais o presidente do BC, Henrique Meireles e o ministro da fazenda, Guido Mantega, reuniram a imprensa para realizar um pronunciamento conjunto, ao tempo em que anunciavam a disposição de colocar em prática - imediatamente - medidas de salvaguarda para a concessão de recursos financeiros no sistema, incluindo-se bancos e empresas exportadoras.
Depois de nublar o entendimento do próprio presidente Lula sobre os efeitos da crise - que fez com que em diferentes ocasiões ele se comportasse de maneira quase autista em relação ao pandemônio global, talvez seja o tempo de falar mais claro.
- Quais os riscos correntes de nossas reservas atuais?
- Como fica a balança com a alta expressiva do dólar, a diminuição dos mercados compradores para nossas commodities (matérias primas) e a baixa de investimentos internacionais?
- Qual a blindagem real do nosso sistema financeiro, quando se compara a liquidez dos ativos de nossos bancos comerciais em relação aos americanos e europeus?
- Qual será o plano B se a crise não arrefecer em curto prazo?
Perguntas que mereciam ser respondidas.
Informações que deveriam ser passadas didáticamente - se necessário, ao presidente.
Até por respeito.