segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

A "Era Lula": Problemas a vista?

foto: agência reuters
Primeiro, a perda da qualidade de líder regional, enfrentada pelo Brasil em episódios - que ainda se arrastam, com a Bolívia de Evo Morales, com o Paraguai - na questão de Itaipu, e com o Equador - e o possível calote ao empréstimo do Banco Central.
Houve a tentativa de "ganhar" a qualquer custo o governo do Estado de São Paulo - que acabou ficando com Serra.
Depois, foi a vez de colocar as cartas - todas - no apoio a candidaturas municipais, pelo Brasil afora, que acabaram naufragando.
A mais expressiva delas - a cidade de São Paulo (vide Marta Suplicy), confirmando a reeleição de Gilberto Kassab para um novo mandato - neste caso apoiado por José Serra.
Depois, o alarde sobre as reservas do Pré-Sal, por exemplo, em tempos de barril passando dos US$ 140 dólares, cuja exploração comercial, de altíssimos investimentos previstos para a Petrobras, fica distante com a cotação desabando para abaixo dos US$ 50 dólares atuais.
Ainda houve a tentativa de pregar uma "candidatura sucessória" nem bem o segundo mandato havia se estabelecido, trobeteando-se o nome da ministra Dilma Roussef - ungida a mãe do PAC/ Programa de Aceleração do Crescimento, e de investimentos bilionários em infra-estrutura, quando a execução orçamentária é pífia: alcançou menos de 20% do total provisionado para 2008.
Com a crise econômica - grave e global, vieram os devaneios sobre o impacto que ela teria na economia e nos planos do Brasil - mínimo, segundo sopraram os sábios da equipe econômica (comprometidos até o talo com o modelo que levou o sistema financeiro ao colapso que ele vive), e que em apenas um mês levou a uma maxi-desvalorização do Real frente o Dólar (saltando de médios R$1,60 para os atuais R$ 2,50 de paridade cambial), a mudança nas regras do jogo do Banco Central, ao aperto de crédito e a escalada dos juros - em patamares que beiram a irracionalidade da banca nacional.
Agiotagem acomodada e bem servida.
E consentida pelo governo, diga-se de passagem.
A máquina pública emperra na proporção em que crescem os seus custos.
Pelo andar da carruagem - e segundo projetam economistas e analistas, nem com a maior carga tributária do planeta incidindo sobre o brasileiro será possível fechar as contas.
Ou seja, a arrecadação não será suficiente em 2009/2010 para cobrir o custeio da administração pública.
Problemas a vista.
Com a mudança de ares e a ascenção de Barack Obama nos EUA, já não se pode mais colocar toda a culpa em George W Bush.
Quanto tempo a imagem de Lula aguentará o tranco?
E até onde ele consegue segurar - o que seja - que virá por aí?

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