quinta-feira, 30 de outubro de 2008

América Latina: ONU aponta cidades mais desiguais

O coeficiente GINI, indicador pelo qual a ONU procura apontar o nível de equidade social e econômica, e serve de base para a publicação do relatório Estado Mundial das Cidades 2008/2009 (http://www.unhabitat.org/content.asp?cid=5979&catid=5&typeid=6&subMenuId=0), que foi divulgado esta semana, aponta Brasil e Colômbia como os países que possuem cidades mais desiguais.
O relatório aponta ainda, entre outras informações de interesse científico, o fato de que a expectativa de aumento da população urbana na América Latina deverá alcançar até 50% a mais do que a atual até o ano 2050.
Estima-se, com base nas informações apresentadas, que a cidade de São Paulo, por exemplo, será mais populosa do que New York em 2025.
A desigualdade existentes nas maiores cidades da região, entre as quais se incluem São Paulo e Bogotá, por exemplo, representaria o mesmo nível de um conjunto de 26 municípios da África.
O cálculo para se atingir o coeficiente (que varia de 0 a 1), leva em consideração variáveis econômicas que verificam o grau de distribuição de renda.
Segundo Cecília Martinez, diretora da UN-Habitat para a América Latina, a região é a campeã de desigualdade.
Ainda segundo ela, cidades que têm mais de 0,4 (limite de alerta) deveriam procurar melhorar essa diferenciação.
Objeto de estudo que deveria ser utilizado pelos governos - e suas equipes, principalmente no que diz respeito aos seus planos de desenvolvimento e projetos de investimento futuro.
Vale a pena conferir.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Crise na Economia: Empresas brasileiras perdem...

E perdem muito, mais do que poderiam imaginar a bem pouco tempo.
Com o caos dos mercados internacionais, as empresas brasileiras correm contra o relógio especulativo, na tentativa de frear o ritmo de desvalorização de seus negócios - e do seu próprio valor de mercado nas bolsas.
A Revista Época (www.epoca.com.br) nos traz uma reportagem interessante, ao mesmo tempo em que nos brinda com a informação : até hoje, esta perda já alcançou a cifra de R$ 1 trilhão - isso mesmo, um trilhão de reais.
E tendo em vista a alta volatilidade na qual se encontram mercados e governos, com as bolsas pelo mundo sofrendo momentos de acentuadas perdas, pode ser que esta seja apenas a superfície do iceberg.
Os números das economias - especialmente as grandes da europa, já dão sinais de que se avizinha um período de recessão por lá.
Nos EUA, como nos mostram quase que diariamente os telejornais, a situação é desesperadora para uma grande parte das famílias americanas, que num primeiro momento sucumbiram a pressão de bancos e perderam suas casas, e agora têm que se deparar com o corte de vagas e o fechamento de diferentes empresas. Sem casa e sem trabalho, o cidadão perde o rumo e vaga pelas cidades, sem destino certo.
Aqui, o BC - Banco Central e as autoridades monetárias já despejaram quase R$ 50 bilhões em recursos para tentar conter os avanços da crise. O dólar disparou, alcançando cotações recordes e estaciona em patamares antes impensáveis (pré-crise :R$ 1,56/US$ 1 e em crise: R$ 2,30/US$1).
As medidas de contenção continuam a ser editadas, com o governo assumindo um papel quase estatizante para bancos e empresas que se encontrarem em dificuldades.
Procura enfatizar que vivemos situações distintas por aqui (o que acaba sendo verdade), mas acaba seguindo - de uma maneira economo-tupiniquim o mesmo receituário que vem sendo aplicado nos EUA, Europa e Ásia, ainda que as realidades sejam assim: Lá, bancos quebram e são vendidos a preço de banana.
Por aqui, o Bradesco por exemplo, anuncia esta semana um dos melhores resultados trimestrais de toda a sua história.
E como nas fábulas, em que se acredita em quase tudo, o dinheiro do compulsório liberado para ele, Itaú, Unibanco e outros grandes terá destino certo: Ao invés de segurar juros, comprarão títulos da dívida pública.
Ao invés de oferecerem crédito a consumidores, sairão em compras de ações de empresas sólidas que caíram, e de carteiras dos bancos menores que estejam em dificuldades.
Alívio na ponta dos juros: Nem pensar.
Taxa Básica inferior a 14% ao ano e CEF - Custo Efetivo de Financiamento Bancário (o que eles nos cargam) superior a 440% ao ano em alguns bancos (como o Itaú).
Contra 0,6% ou 0,85% mensal de remuneração pelo nosso dinheiro que, quando aplicado - e dependendo da aplicação, querem nos oferecer.
Com ambiente assim, fazer o que : O paraíso para especuladores continua sendo aqui.
Ou não?

São Judas Tadeu, o das causas impossíveis.


Foto: G1/Alícia Uchôa - www.g1.com

Primo de Jesus e seu apóstolo, considerado um dos mais apaixonados defensores de sua palavra, São Judas Tadeu é considerado por seus devotos - e referendado pela própria igreja católica - como o padroeiro das causas impossíveis, dos assuntos de difícil solução.

Hoje, em meio a grande turbulência global que afeta a economia, a grande violência que assola as nossas cidades e o fantasma da incerteza que ronda a prosperidade, a saúde e o trabalho, quem sabe não é hora de, credos e crenças à parte, realizarmos uma pausa em nosso cotidiano agitado, e trazermos a tona o que de melhor habita em nós.

Bons pensamentos, boas atitudes, boa música, gestos de apoio, compreensão e de solidariedade: Quase tudo pode ser usado para despertar os valores que nos são tão caros, e que tem a força impressionante para enriquecer nossa mente, corpo e espírito.

Salve São Judas Tadeu!

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Carta Aberta aos Prefeitos Eleitos do RIO, Belo Horizonte e São Paulo

A corrida eleitoral nos três principais centros urbanos do país finalizou neste domingo, com as eleições do segundo turno.
Antes de sua importância econômica e política, estas três cidades representam uma éspecie de "câmara de ressonância" para todo o Brasil.
Quero saudar aos seus prefeitos-eleitos : Eduardo Paes (Rio de Janeiro), Márcio Lacerda (Belo Horizonte) e Gilberto Kassab (São Paulo).
Ainda que existam mágoas, ressentimentos e dissabores, frutos do percurso de cada uma de suas campanhas até este domingo que passou, com o saldo de eleições tranquilas e transparentes, fica a oportunidade do recomeçar e do reconstruir, em cada dia de expectativa, até o momento de sua posse definitiva em janeiro de 2009.
Como cidadão, que teve ao longo destes anos a possibilidade de observar que o Brasil, num todo, prescinde do que acontece nestas capitais - e que apesar de carioca da gema, também foi em alguns momentos adotado por Belzonte e Sampa, nasce o desejo de que o diálogo ressurja mais forte entre vocês, e que uma grande frente de valor seja criada à partir daí, não deixando dúvidas quanto a possibilidade de resgate dos valores carioca, mineiro e paulista.
Ao conviver de maneira comunicativa, disposta ao diálogo, não existirá tempo melhor para a retomada de um leque de possibilidades, de afirmação social e cidadã, que vai do empreendedorismo para a geração de novas oportunidades de trabalho até a melhora da qualidade de vida, do resgate dos elos mais frágeis da corrente social e do desembolso - sensato - dos recursos de sua gente em prol do desenvolvimento sustentável destas nossas queridas cidades.
Cariocas, Belzontinos e Paulistas, seja quem forem, sãos cidadãos de bem e sempre dispostos a arregaçar as mangas e trabalhar em prol daquilo em que acreditam.
E - eleições não mentem - acreditamos que vocês, de alguma maneira, representariam o que será necessário para manter a vaidade efêmera distante, mas o orgulho cidadão bem pertinho de nossas ruas, avenidas, praças, comunidades e bairros.
Procurem, na caminhada que se inicia hoje, tornar o domingo que passou único.
Inesquecível.
Saudações Fraternas,
José Luiz ESTEVES