quarta-feira, 22 de outubro de 2008

A crise internacional e o Brasil




Ilustração: Crise Mundial em www.kanitz.com

Parece que, finalmente , a ficha começou a cair.
Para a equipe da área econômica do governo (que apenas procura dilatar ao máximo o prazo de sua tão propagada estabilidade) e para o próprio presidente Lula (antes tarde do que nunca), que andaram sustentando uma pseudo-normalidade na economia brasileira, apesar da situação de catástrofe que vem assolando as bolsas, empresas e governos em todo o mundo.
A despeito da aparente normalidade, o presidente do Banco Central - Henrique Meireles, e o ministro da fazenda - Guido Mantega, têm aparecido constantemente em comunicados conjuntos, alternando o anúncio de medidas voltadas a manutenção da oferta de crédito - via redução de compulsório para os bancos, a estabilidade das empresas - principalmente exportadoras e do setor agropecuário, além de trabalhar alternativas para a manutenção do estágio de consumo.
Outra novidade anunciada, foi a possibilidade de estender a interferência do governo às empresas ligadas ao setor da construção civil, numa versão tupiniquim das medidas do pacote original americano.
Aos poucos, o custo da estabilidade dá mostras de que é alto.
Conta que promete aumentar ainda mais para os cofres públicos, já que a incerteza ainda é dominante nos mercados internacionais, que flutuam ora de maneira positiva, ora de maneira muito negativa - como mostraram os pregões na Ásia e Europa de hoje, em que a Bolsa de Tokyo recuou quase 7%, puxando para baixo os índices da economia da Europa.
De certo, apenas que:
- O governo já injetou em menos de duas semanas, mais de US$ 25 bilhões de dólares para tentar conter os efeitos da crise mundial por aqui;
- O valor de mercado de empresas brasileiras, consideradas sólidas, caiu em cerca de 30% (trinta porcento);
- O dólar americano, a despeito da situação bastante negativa dos EUA, já tem alta acumulada frente ao real de mais de 37% (trinta e sete porcento).
Para onde caminha a crise, ninguém sabe de verdade.
Mas é certo: Dias bastante duros virão.

Uma questão de (In)Segurança Pública

O recente confronto entre as polícias militar e civil em São Paulo, que culminou com uma autêntica "batalha campal" nos arredores do Palácio da Liberdade - sede do governo estadual, por conta de uma greve da polícia civil que se extende por mais de um mês no estado, é apenas a ponta do iceberg na questão da estrutura de gestão da segurança pública.
Não apenas em São Paulo, mas em todo o Brasil.
Levantamento realizado a bem pouco tempo, traça um perfil das corporações e permite, mesmo para não-especialistas, descrever o quadro quase a perfeição:
- Ineficiência do Governo Federal para colocar em prática um Plano Coordenado de Ação contra o Crime, cujo enfoque acrescente ganhos reais em termos de valorização da cidadania e do resguardo das ações sociais locais;
- Pouco ou quase nenhum investimento considerado de porte, nas ações de prevenção ao crime comum;
- Ausência de programas de natureza educativa, que estabeleçam uma ponte segura de comunicação entre as polícias e a população;
- Recursos reduzidos para o reaparelhamento dos setores de inteligência e de polícia técnica (peritos e legistas);
- Investimento central em veículos e armamento, sem que exista um planejamento prévio sobre motilidade urbana (dificuldade de transitar com viaturas) e portabilidade/funcionalidade (armas modernas mas logística ruim no aspecto de munição, proteção humana e material) e muito pouco treinamento e aperfeiçoamento no uso dos armamentos;
- Falta de comunicação entre setores de uma polícia de combate (PM) e uma polícia judiciária investigativa (civil), por conta da inabilidade dos seus principais gestores;
- Forte ingerência política local na tomada de decisões, que vão da escolha de delegados titulares, no caso da civil (para ocupar determinadas delegacias) até a escalação de comandantes para os batalhões, no caso da militar - sem que o aspecto do mérito e do desempenho seja a referência maior a orientar estes processos;
- Falta de habilidade e de uma interlocução segura dos governadores no âmbito da Segurança Pública do Estado;
- Alto nível de corrupção e desvio de finalidade dos efetivos das forças de segurança pública (PM e Polícia Civil), e
- Salários de policiais, soldos militares e seguros defasados da realidade.
A cada novo acontecimento, como este confronto ocorrido em São Paulo, cresce a expectativa de sociedade em relação a ação efetiva de seus governos, na questão da segurança pública.
Com o mapeamento realizado, que identifica o quadro geral, temos a oportunidade batendo a porta de ministros, governadores e secretários.
O que mais falta para caminhar na solução do problema, além de discernimento, disposição cidadã e vontade política?

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Desfecho trágico do sequestro em São Paulo

O brasil praticamente ficou em suspense e apreensão, enquanto o drama da adolescente de 15 anos - Eloá Pimentel, transcorria no cárcere privado em que era mantida - sua própria casa, num conjunto habitacional na cidade de Santo André, SP.
O sequestrador de Eloá, um ex-namorado de 22 anos - Lindemberg Alves, que havia feito de refém a jovem junto com amigos de escola, que acabaram por ser liberados em momentos diferentes no decorrer da semana, ainda teve contornos de uma imperícia absurda por parte da polícia militar e dos negociadores que participavam do episódio, ao permitir que uma amiga também adolescente da jovem - Nayara, liberada do cárcere, voltasse novamente ao apartamento e mais uma vez se tornasse refém do desequilíbrio do sequestrador.
Num gesto desnecessário e aparentemente de bravata irresponsável, comandantes policiais chegaram a tentar justificar o retorno da jovem dizendo que ela "aparentava maturidade superior a sua idade", e que "colocariam o próprio filho no lugar da jovem".
Julgamentos que se mostraram incoerentes e fora de propósito, no decorrer dos eventos que se sucederam.
Infelizmente, a longa espera e a aparente inércia da polícia, a sugestiva falta de comando tático das equipes (que mostraram pelos principais canais de televisão o seu atropelo e amadorismo para lidar com a situação), e as falhas na tomada de decisão que culminou com a entrada no apartamento, acabou provocando o trágico desfecho do episódio: Nayara a amiga, baleada na boca e Elóa, a vítima principal, atingida na cabeça e no abdomem.
Mesmo socorrida por dedicada equipe médica, a menina Eloá não resistiu a gravidade do ferimento na cabeça, e faleceu durante o final de semana.
Num gesto de humanidade inigualável, e mesmo fortemente abalada, a família autorizou a retirada de órgãos para doação, alguns dos quais já foram transplantados em diferentes hospitais.
Final triste para um episódio que precisa servir de referência e análise.
Tanto por parte do governo e das autoridades de segurança pública, para apurar as responsabilidades e a correção dos procedimentos adotados no episódio, como da sociedade, que precisa estar atenta a existência de indivíduos como Lindemberg, perigo real e imediato.

Mundial de Futsal: Brasil é Hexa no Rio

Num jogo contra a Itália - sua maior rival da atualidade, nem a expectativa de fortes emoções conseguiu dar conta do que se seguiu.
A seleção brasileira de Futsal de Franklin - o goleiro que entrou para salvar dois pênaltis e assegurar a vitória brasileira, substituindo o excelente goleiro Tiago, de Falcão, Schumacher, Gabriel, Lenísio e Marquinho, conseguiu vencer o cansaço e superar as condições físicas adversas de seus principais jogadores - principalmente de Falcão, que não teve condições de jogar até o final.
Contra uma seleção - a da Espanha, o jogo teve um sabor de revanche histórica, por conta de resultados anteriores que deram a espanhola o campeonato e interromperam o percurso do Brasil.
Faltando pouco para o final, com o placar apertado de 2X1 em favor do Brasil, um lance rápido e um vacilo da defesa colocaou ambos os times em condições de igualdade, para a prorrogação (dois tempos de 5 minutos) e, finalmente, a disputa de pênaltis - na qual o Brasil obteve a sua sofrida e merecida vitória: Resultado final de 4x3 nos pênaltis.
O fato da final ter sido disputada em casa, no Rio de Janeiro e ao sabor de uma torcida maravilhosa, teve um significado especial, garantiram os jogadores em entrevistas após a partida.
Tiago recebeu dupla premiação - além do título, como goleiro e a chuteira de bronze como o terceiro melhor jogador do mundial. O mesmo com Falcão, que ficou com a chuteira de prata da artilharia e a de melhor jogador do mundial.
Valeu Brasil!