O sequestrador de Eloá, um ex-namorado de 22 anos - Lindemberg Alves, que havia feito de refém a jovem junto com amigos de escola, que acabaram por ser liberados em momentos diferentes no decorrer da semana, ainda teve contornos de uma imperícia absurda por parte da polícia militar e dos negociadores que participavam do episódio, ao permitir que uma amiga também adolescente da jovem - Nayara, liberada do cárcere, voltasse novamente ao apartamento e mais uma vez se tornasse refém do desequilíbrio do sequestrador.
Num gesto desnecessário e aparentemente de bravata irresponsável, comandantes policiais chegaram a tentar justificar o retorno da jovem dizendo que ela "aparentava maturidade superior a sua idade", e que "colocariam o próprio filho no lugar da jovem".
Julgamentos que se mostraram incoerentes e fora de propósito, no decorrer dos eventos que se sucederam.
Infelizmente, a longa espera e a aparente inércia da polícia, a sugestiva falta de comando tático das equipes (que mostraram pelos principais canais de televisão o seu atropelo e amadorismo para lidar com a situação), e as falhas na tomada de decisão que culminou com a entrada no apartamento, acabou provocando o trágico desfecho do episódio: Nayara a amiga, baleada na boca e Elóa, a vítima principal, atingida na cabeça e no abdomem.Mesmo socorrida por dedicada equipe médica, a menina Eloá não resistiu a gravidade do ferimento na cabeça, e faleceu durante o final de semana.
Num gesto de humanidade inigualável, e mesmo fortemente abalada, a família autorizou a retirada de órgãos para doação, alguns dos quais já foram transplantados em diferentes hospitais.
Final triste para um episódio que precisa servir de referência e análise.
Tanto por parte do governo e das autoridades de segurança pública, para apurar as responsabilidades e a correção dos procedimentos adotados no episódio, como da sociedade, que precisa estar atenta a existência de indivíduos como Lindemberg, perigo real e imediato.

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