sábado, 15 de novembro de 2008

Crise: Governo continua a apoiar quem menos precisa

É o que parece estar ocorrendo, quando a área econômica anuncia - novamente - mexida no compulsório dos bancos.
Neste novo cenário que, diga-se de passagem, é curiosamente marcado pelo anúncio da realização de lucros bilionários no último trimestre do ano para as instituições financeiras, serão colocados mais R$ 40 bilhões para os bancos.
A novidade? É que não será necessário que o recolhimento do compulsório seja realizado apenas em dinheiro para o BC/ Banco Central (como estabelecido até aqui), mas, em parte, através de títulos da dívida pública.
A intenção, novamente, é a de que os bancos daqui - aliviados da "pressão externa da crise", possam retormar com maior tranquilidade a concessão de linhas de crédito e manter as taxas de juros em seus financiamentos.
Quem está de fora, pode até estranhar e se perguntar: Será que ninguém do BC, do Ministério da Fazenda ou da Presidência tem feito uma visita aos bancos ultimamente?
Nem mesmo uma consultinha de seus computadores, ao internet banking?
É o que bastaria para descobrir-se que, apesar da segunda leva de ajuda ao sistema bancário, ele continua surdo aos apelos por crédito.
E cego a qualquer tipo de manifestação ou acôrdo que tenha sido proposto para condicionar a liberação destes fundos aos seus objetivos.
Basta ver que o apoio às montadoras de automóveis, por exemplo, anunciado pelo Estado de S.Paulo e pelo Governo Federal ao mesmo tempo (duas frentes de crédito de R$ 4 bilhões cada), vai sair de bancos oficiais - respectivamente Nossa Caixa e Banco do Brasil.
Que, a propósito da concretização da compra anunciada pelo mercado, será brevemente apenas de uma fonte - o Banco do Brasil, que cresce com a aquisição da Nossa Caixa, mas as custas de um risco de R$ 8 bilhões.
Quando a situação é esta, fica sempre a impressão que o governo gosta mesmo de "botar a banca".
Neste caso, de idiota.
Só que as custas - como diria Elio Gaspari, do meu, do seu, do nosso dinheirinho.

A crise mundial: G8 ou G20 ?


imagem: www.thecashflowgame.com
Uma crise aguda, a busca por uma nova ordem econômica mundial e uma releitura dos princípios do livre mercado.
E a presença de um grupo maior de líderes para influir na tomada de decisão sobre tudo que diga respeito a estes temas.
Essas são as linhas básicas, que orientam o pensamento dos chefes de governo e ministros da área econômica do G20 - grupo formado pelos países desenvolvidos e emergentes mais importantes para o cenário global contemporâneo.
Eles estão reunidos este final de semana em Washington-USA , com o propósito central de discutir a crise financeira mundial, seus efeitos e desafios futuros.
A visão corrente é a de que o G8 - grupo que reúne apenas as oito economias mais tradicionais do planeta, além de não conseguir estancar a derrocada dos mercados mundiais - iniciada nos EUA à partir de setembro passado, em sua fase mais conhecida, não conseguiu demonstrar estar preparado para a tarefa de corrigir - sozinho - os desvios do sistema financeiro global, que acabaram por tornar ainda mais tempestuoso o cenário, com a entrada em recessão técnica da "zona do euro" durante esta semana.
Mesmo com a ação articulada das atuais lideranças, o trabalho de recuperação parece ser lento - e doloroso.
Ao socorro inicial dos bancos e instituições financeiras nos EUA, Europa e Ásia, com o intuito de segurar o que, de outra forma, seria uma quebradeira sistêmica, somar-se-ão agora as injeções de recursos em grandes empresas, atingidas em cheio duplamente, ao ver o valor de suas ações reduzir consideravelmente nos mercados e, agora, amargar a diminuição no ritmo de consumo de seus produtos em escala global.
Um conta que chegará, facilmente, a projeção de quase U$ 10 trilhões em 2009.
Desta reunião - que se segue a realizada em São Paulo este mês, é possível que já surjam encaminhamentos para uma redefinição de papéis.
E do número de participantes.

Governo erra e associa filantropia a "pilantropía"


E presta um deserviço a centenas de instituições sérias, na sua batalha diária por realizar um papel que - a bem da verdade - lhe pertence.
E dizer que a isenção de tributos é o que lhes caberia de pagamento por isso, é no mínimo uma meia-verdade.
Ao editar uma MP - Medida Provisória, que praticamente coloca lado-a-lado, sem distinção, as organizações sérias, que apresentam relatórios anuais e planos de ação, apontando indicadores de mudança social nas áreas em que atuam, e aquelas que sobrevivem de fraudar o sistema, recebendo verbas públicas, desviando recursos e deixando de prestar contas, num momento tão conturbado da visão pública que ONG´s e filantrópicas estão enfrentando, é no mínimo constrangedor para a sociedade.
A revalidação indiscriminada por parte do governo, dos certificados emitidos pelo CNAS - Conselho Nacional de Assistência Social, proposta com a medida, sem que exista um mínimo de cuidado na ánalise da situação em que se encontra cada organização, e que pode - como veiculado amplamente na mídia - significar a concessão para entidades que já se encontram, até mesmo, sendo questionadas judicialmente sobre suas atividades e procedimentos, acaba sendo o marco do desatino empreendido por uma das áreas que, dadas as bandeiras lançadas à época de sua constituição, merecia ter sido cuidada de maneira mais profissional, íntegra e competente.
Ao ancorar a medida apenas no argumento de que a falta da revalidação, colocaria em risco o trabalho das organizações sérias - o que poderia ser verdade, parece que lhe falta até mesmo o bom-senso, já que é relativamente fácil identificar quais instituições estão descumprindo com a prestação de contas de seus recursos até este momento.
As reações - na Câmara e no Senado Federal, entretanto parecem que forçarão um recuo nos grandes disparates de tal proposta.
Primeiro, em favor do erário público, vilipendiado anualmente pelo não-recolhimento de recursos das "pilantrópicas".
E, principalmente, em favor da ética e da transparência, motores das organizações de verdade, que merecem e precisam de apoio.