sexta-feira, 11 de julho de 2008

Daniel Dantas, PF e as decisões de Gilmar Mendes

Preso por duas vezes esta semana, em função da Operação Satiagraha declarada pela Polícia Federal - que trataria de dois grupos criminosos com ramificações internacionais, o banqueiro Daniel Dantas do Opportunity - tido como o cabeça do esquema que envolve grandes desvios de dinheiro público, corrupção ativa, evasão de divisas e tráfico de influência, e que contaria ainda com a participação do especulador Naji Nahas e de Celso Pitta, ex-prefeito de São Paulo, tem a favor de si as decisões de soltura proferidas pelo Ministro Gilmar Mendes - presidente do STF, em tempo considerado recorde e ignorando as quase duzentas páginas de meticuloso e descritivo compêndio - que justificou a decretação de sua prisão, bem como evoca a supressão das instâncias jurídicas imediatamente superiores, as quais caberiam avaliar um possível recurso.
Ao ser flagrado em escutas telefônicas autorizadas pela justiça, um de seus assessores diretos combina o suborno de US$ 1 milhão oferecido a delegado federal, com o argumento de que "evita-se a decisão de primeira instância, já que no STF e no STJ o banqueiro contaria com a facilitação de membro(s) destas cortes para proferir sentenças favoráveis".
O caldo promete engrossar.

terça-feira, 8 de julho de 2008

O Rio chora pelo menino João Roberto : Até quando?

Violência Urbana + Despreparo da Polícia = Cidadão em Perigo.
Esta equação, velha conhecida da população dos grandes centros urbanos do país, precisa ser mudada. Em definitivo.
Nos últimos anos, confrontos entre bandidos e policiais tem deixado mais do que perdas em combate. Existe um verdadeiro - e assustador rastro de sangue de vítimas inocentes, atingidas tanto por bandidos em fuga quanto por policiais em perseguição.
Do lado dos bandidos, nada podemos esperar: Eles não tem qualquer compromisso ou respeito pela vida humana.
Mas e do lado da polícia?
Quase todo o ano, as forças policiais (policía militar, polícia civil) fazem concurso em algum estado brasileiro. Candidatos correm para competir - centenas de milhares por concurso, dependo do estado, por um salário pequeno (a média está na casa dos R$1,2 mil mensais) e pela possibilidade de portar uma arma para defender o cidadão. A média de duração dos cursos preparatórios de praças (PM) é de três meses. Chega a seis meses, no caso da Polícia Civil.
Muito pouco.
A violência das ruas tem motivado especializações em áreas de atuação profissional tão distintas da polícia, como a saúde - por exemplo: médicos e enfermeiros nos hospitais públicos precisam estar treinados para atender casos de ferimentos, em condições que se assemelham as das tendas de campanha militar em zonas de guerra.
As polícias, por sua vez, também precisam evoluir neste sentido - ainda que ao custo de permanecer em treinamento e fora das ruas por um período de tempo maior.
O caso terrível do menino João Roberto esta semana no Rio de Janeiro é, simplesmente, a soma dos ingredientes conhecidos da equação.
Que não muda o seu resultado - infelizmente, enquanto uma abordagem mais inteligente sobre capacitação nas forças policiais não acontecer.
Até quando vamos esperar?

As campanhas eleitorais vão as ruas...

E a hora é de vigilância - principalmente por parte do eleitor.
Primeiro, para coibir os excessos, pois apesar da legislação eleitoral em vigor estar mais "dura" com os candidatos, é fato de que muitos deles (serão mais de 400 mil em todo o Brasil) não estarão nem um pouco preocupados em transgredir.
Segundo, para lembrar que seu voto é o elemento mais importante do jogo político - e até por isso é o mais valorizado por cada um dos candidatos, que não vão poupar esforços para convencê-lo(a) de suas propostas e intenções.
Finalmente - mas não por último, lembre que se já existe um verdadeiro batalhão de maus políticos, com ficha suja e ocupando cargos eletivos, não apenas eles não merecem ser reeleitos, como o eleitor deve se cercar de todas as informações possíveis sobre o candidato que vem pedir votos, e negar em função de seus antecedentes - como sugerem os Tribunais Eleitorais.
Afinal, se até para obter um emprego o cidadão comum tem que comprovar seus bons antecedentes, porque entregar uma função pública a alguém que não preenche este requisito básico?
Ainda voltaremos a este assunto, mas até lá - OLHO VIVO!

O Fluminense nos ensina sobre estratégia

Mesmo com uma final emocionante no Maracanã, impulsionado pelo seu 12. jogador que foi a torcida tricolor, a grande expectativa do grupo se transformou num enorme vazio... justamente nos pênaltis.
E o mais curioso : ao retornar a dura realidade do Brasileiro, o segundo melhor time da américa amarga uma das últimas posições na competição.
Lembrar não custa :
1 - Um mau resultado no início é sempre um mau resultado para a estratégia definida, mesmo que ela seja vitoriosa (começar perdendo um jogo numa competição de dois jogos onde a soma dos dois jogos definine o vencedor não faz parte de uma estratégia vitoriosa);
2 - Cuidado ao investir todas as suas energias num único projeto.
Sacrificar outras possibilidades pode colocá-lo numa situação mais complicada do que buscar equilibrar as alternativas (optar preferencialmente pela Libertadores não significaria por tabela abandonar uma performance mais regular em outras competições);
3 - Momentos de decisão são chamados assim, exatamente porque diferem-se de todos os outros havidos anteriormente.
Ter consciência dos limites de cada membro da equipe ao ser submetido a uma pressão extra pode auxiliar na escalação de um grupo mais homogêneo, especialmente quando o desafio da conquista reside na repetição da mesma tática (bater pênaltis);
4 - Contar com reforço para atingir ao objetivo proposto é sempre positivo.
Desde que o reforço tenha o mesmo rendimento que se espera de cada um dos membros principais da equipe (a torcida, pelo seu gigantismo, pode alternar o seu comportamento em momentos distintos da partida, e influir psicológicamente - contra ou a favor - do resultado pretendido), e
5 - Uma oportunidade perdida numa das etapas da estratégia, pode contribuir irreparavelmente para o insucesso da mesma (iniciar o jogo decisivo com uma defesa fraca, que permite ao adversário que possue uma vantagem competitiva consolidá-la, tem que ser evitado).
Fica, no entanto, a lembrança de um grande jogo - de muita garra e perseverança.
Mesmo não chegando lá : Parabéns Fluminense!