quarta-feira, 25 de maio de 2011

Desmatadores em alta: Câmara Federal aprova Código Florestal

imagem: envolverde.com.br
Quando parece que todos os desastres naturais dos últimos anos, que ocorreram em diferentes épocas e regiões do Brasil, vão trazer um pouco de bom senso aos digníssimos legisladores - deputados federais, e quiçá conclamar um pouco de coerência com a realidade, eis que - mais uma vez, eles se mostram bem distantes das expectativas da sociedade.
Numa mistura do fisiologismo político explícito e, talvez, de razões barganhativas menos declaráveis, a discussão do novo Código Florestal acabou, em votação na Câmara Federal, legalizando o retrocesso na política ambiental, especialmente por permitir a anistia dos desmatadores até 2008 e, pasme, permitir que eles ainda continuem a receber financiamento do governo para suas práticas.
O relator, deputado federal Aldo Rebelo, na prática nunca demonstrou maiores preocupações em ser o cabeça-de-chave deste retrocesso, até porque se desconhece tanto sua expertise no assunto "meio ambiente" para assumir esta relatoria, quanto os interesses particulares que o motivaram a assassinar - mais uma vez, a coerência com a ética em sua trajetória como parlamentar.
Da forma como está, dias mais fáceis para queimadas, motoserras e toda a sorte de crimes ambientais se avizinham no horizonte.
É do interesse da sociedade estar alerta, e continuar a pressão - fortalecendo com seu apoio aqueles que permanecem como escudeiros legítimos das causas ambientais no congresso, tanto ong's como parlamentares - entre eles o deputado Alfredo Sirkis, do PV.
Nunca é tarde para seguir a cartilha de Marina Silva.
Não se pode admitir um Brasil que não tenha compromisso fechado com a defesa do meio ambiente e da sustentabilidade.
Ainda existe esperança, com a votação no Senado Federal.
Estamos de olho!

Caso Pimenta Neves: STF termina com imoralidade jurídica


imagem:terra.com.br
Muitos não lembram.
Mas outros nunca esquecem.
O caso do jornalista Pimenta Neves é emblemático para a justiça brasileira.
Infelizmente, por ser um dos mais vergonhosos no cumprimento do princípio elementar do criminoso - assassino confesso - colocado na prisão.
A morosidade do caso, que se alongou por onze anos, ajudou a perpetuar a sensação de impunidade para os poderosos ou, numa outra perspectiva, de uma justiça que beneficia aqueles que, mesmo culpados, tem recursos para promover a quase interminável série de chicanas jurídicas, no sentido contrário ao seu processo, sentença e condenação.
A jornalista Sandra Gomide pagou com a própria vida o preço de manter uma relação afetiva com o criminoso. Sua família despedaçou-se, aos poucos, durante todo este tempo em busca de justiça.
E nós, observadores, mergulhamos num misto de indignação e tristeza.
Sua prisão - em caráter definitivo, esgotado o último recurso legal junto ao STF/ Supremo Tribunal Federal, entretanto, não ameniza a imoralidade.
Porque a justiça pode ser cega.
Mas a injustiça, certamente, é figura que todos enxergam bem.