sábado, 29 de setembro de 2007

Curtir a vida: Com a palavra, a terceira idade

Já foi o tempo em que, quando fazíamos referência a terceira idade, o que logo vinha a mente eram os cabelos brancos, o jeito comportado de vôvo - com seu joguinho de damas ou da vovó com a cesta de linha e agulhas de tricô, não é?
Pois bem, nada mais atrasado nos dias de hoje do que esta pitoresca cena mental.
É bem verdade que os cabelos brancos até que permanecem - em especial nos homens.
Mas - fora isso, houve uma mudança de 360 graus no estereótipo do "gray age" - como fazem referência os norte-americanos, quando se trata de traçar um perfil mais atualizado do idoso em relação ao mercado de consumo, especialmente agora no Brasil.
Nunca viajaram tanto!
E até radicalizaram, no que diz respeito a inserir-se no mundo da tecnologia e a navegar através de uma padrão de comportamento que em nada deixa a desejar para os mais jovens.
As agências de viagem e operadores de turismo abraçaram a idéia de criar pacotes que lhes fossem atrativos, em termos de lazer e de cultura - este último ítem de consumo em que sempre foram bastante exigentes.
Restaurantes, teatros, empresas de transporte e uma variedade enorme de prestadores de serviços, começaram a desenhar-lhes uma proposta de atendimento diferenciado, concentrando-se em despertar a sua atenção e motivar o desejo de compra de ítens que eram praticamente impensáveis a penas uma década atrás.
Resultado : A expansão de oportunidades e de oferta de roteiros para a "melhor idade" confirmou-se como um nicho extremamente oportuno - e lucrativo, motivando desde a criação de departamentos - e até de empresas inteiras, especializadas apenas em atender ao que este segmento demanda na atualidade.
Não fossem as limitações impostas, de um lado pelo baixo rendimento da aposentadoria na maior parcela que representa este novo mercado consumidor, e do outro pela falta de estímulos e de visão externos para sustentar alternatinas viáveis a capilaridade e a democratização do acesso dos idodos para uma qualidade de vida mais plena, seria impossível quantificar em números o bolsão de recursos que ele projetaria a futuro neste modelo de economia empresarial, que gravita ao redor de sua longa lista de demandas.
Com a recente edição - por parte do governo federal, de um conjunto de medidas que pretende, no que eu considero um bom ponto-de-partida, tornar mais acessível o acesso da educação, da cultura e - principalmente do estímulo ao lazer para a terceira idade, pode ser que estejamos caminhando para um verdadeiro "boom" de oportunidades.
E é bom os atuais - e futuros empreendedores irem se preparando para este momento, capacitando-se a entender e a trabalhar com qualidade a relação que existirá com seu "gray market"dentro em pouco.
Acredite!

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Blindagem das casas em favelas cariocas? Fala sério...

Não costumo - ao ler e reler as notícias nos jornais ou revistas, dar atenção especial a uma ou outra, de conteúdo aparentemente muito "extravagante".
Na grande maioria das vezes, fala mais alto a experiência profissional nesta avaliação- principalmente quando a origem destas notícias é o meio político nacional, já que os políticos realmente são capazes de quase tudo para aparecer, e têm a seu serviço uma legião de assessores e divulgadores.
Mas "factóides" a parte, é impossível não falar sobre a proposta apresentada pelo Bispo-Senador Marcelo Crivella no Rio de Janeiro, propondo que 732 moradias do Morro da Providência, região central da cidade, sejam blindadas para escapar do perigo de...balas perdidas!
E esse problema afeta, num Rio de Janeiro de hoje, praticamente TODAS as comunidades e suas circuvizinhanças.
Sem falar que a população do Morro da Providência teria que conviver com a situação - veja só, de ter apenas uma pequeníssima parcela de suas moradias com blindagem : Isto porque na comunidade - muito grande, 732 casas são um número irrisório.
Parece que o digníssimo Senador-Bispo esqueceu que, na prática, seria como assumir públicamente a varrição do lixo para debaixo do tapete, em termos de segurança pública no Rio de Janeiro, ou ainda, praticar um atentado contra a inteligência dos moradores desta mesma comunidade - e de todas as outras, com uma solução que beira o absurdo - e já garante, folgada, um lugar no anedotário político local.
A função de um representante nosso no legislativo, deve ser a de apresentar projetos que ataquem a CAUSA-RAIZ dos problemas, nas áreas em que estes sejam identificados.
No caso da segurança pública, por exemplo, o que se precisa fazer é andar de mãos dadas com o desenvolvimento social e o trabalho, permitindo que o ESTADO ocupe o lugar que deveria ocupar nas comunidades da baixa renda, morros e favelas, para impedir a cristalização da marginalidade nestes mesmos espaços, estratégia comum de muitos anos dos bandidos cariocas e que, hoje, nem é mais adotada pela maioria das facções que representam :
O clima de violência e de medo do tráfico é o que impera na maioria dos morros, favelas e bairros da cidade. E o controle da comunidade não se mais mais por pseudo-ações de cunho social, não : Se faz da base da ameaça e do terror.
Será muito importante se nós eleitores, pudermos ajudar a "canalizar" a criatividade dos parlamentares para idéias de conteúdo, que façam sentido.
Porque, via de regra, cidadãos comuns é que tem a solução para a grande maioria dos problemas que os cercam.
Quer começar - entre na página do Senado Federal (http://www.senado.gov.br/) e procure o e-mail e telefones de contato dos senadores de seu estado.
Isto feito, ligue bastante para eles e envie e-mails propondo tudo o que faz sentido - para voce.
E o mesmo serve para os seus representantes na Câmara Federal (http://www.camara.gov.br/).
E cobre respostas!

Mianmar : O mundo ainda tem muitos países assim

O noticiário internacional tem colocado em pauta nos últimos dias, a questão de Mianmar - a antiga Birmânia, país de histórico grande como ditadura militar e de repressor de direitos civis.
Analistas e comentaristas políticos sempre deram como certo o desfecho do que vem ocorrendo no país desde agosto passado, e a própria ONU - Organização das Nações Unidas, vinha realizando um monitoramente permanente sobre o recrudescimento da situação local, infelizmente sem tomar nenhuma medida mais objetiva - em termos de pressão diplomática aceitável, para conter o seu avanço até o ponto em que se encontra hoje.
Existe uma crise diplomática - no meu entender, quando qualquer situação a que se vê acometida uma população civil, fere os princípios de liberdade e dos direitos humanos.
É neste casos - me corrijam se estiver equivocado, que temos o que popularmente passa a se denominar "ditadura": Um governo centralizador, autocrático e totalitário, fundamentado no controle - às vezes bem violento, do agir e do pensar da sua população.
Numa época em que o mundo sente os efeitos - devastadores, de alguns regimes de exceção travestidos em países, uma postura que case de um lado a diplomacia e do outro as côrtes de direito internacional, de maneira mais veemente, cobrando o respeito devido de governantes, a luz de seus tratados e acôrdos internacionais a estes princípios, deverá servir como balizador para a modernização da própria relação que existe entre países-membros de organismos como a ONU, OEA, CEE, MERCOSUL, ALCA, por exemplo.
Tomara que a história não repita, em Mianmar o que ocorreu em países como Sudão, Congo, Sierra Leoa, Angola e outros mais, onde a discussão - longa demais, sobre uma ou outra questão, posta na mesa por um ou outro país, discordante ou concordante, levou a população local a guerra civil e a décadas de atraso e de escuridão.
Sempre a custa de muitas, milhares, centenas de milhares de vidas de seus cidadãos comuns.
Como a sua.
Como a minha.

Dualibi, Coríntians, MCI e os descaminhos da cartolagem no Futebol Brasileiro

Já não é de hoje que sabemos que "futebol é uma caixinha de surpresas".
A única diferença é que esta referência - popular, era usualmente sinônimo para "uma partida não está ganha até o apito final do juiz".
Pois é.
E parece que agora são juízes - bem diferentes dos árbitros, que são os responsáveis pelo "apito final", quando temos na pauta a direção de clubes de futebol no Brasil.
As histórias - muitas verídicas, de descaminhos praticados por dirigentes de clubes já fazem partem dos tribunais de justiça a muito tempo: Vão da falta de recolhimento de tributos e encargos trabalhistas de um lado, até o desvio de recursos oriundos de comercialização de jogadores, e patrocínios de empresas, passando - é claro, pela manipulação fraudulenta das receitas com jogos em seus estádios.
Com a história em pauta quentíssima do Coríntians em São Paulo - dono de uma das maiores torcidas de futebol do mundo e clube de primeiríssima linha, envolvendo conexões com o submundo do crime estrangeiro e contornos de negociações políticas suspeitas - que envolvem até o ex-ministro José Dirceu, penso que já é hora do meio esportivo, jogadores, torcedores, sócios de agremiações esportivas, seus funcionários - incluindo até os jornalistas especializados, abraçarem um movimento pela ética na administração dos clubes de futebol, como forma de marcar um posicionamento firme a respeito do assunto.
E estimular uma onda que possa dar um pouco mais de brilho ao tão apagado desempenho dos clubes "de ponta" neste quesito.
E resgatar os valores tão necessários a administração dos clubes, quanto de qualquer outra empresa ou empreendimento.
Vamos lá?

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Inclusão de deficientes : O governo trabalha, afinal.

Criticar é quase sempre um caminho estanque em si, ou seja, é fácil para quem não assume consigo o compromisso de levantar as questões de uma forma mais isenta o possível - já que a isenção absoluta pode acabar sendo percebida como falta de postura, o que também não é lá muito bom.
Este comentário serve para lembrar que o Governo Federal - e o próprio presidente Lula, parecem estar (finalmente) arregaçando as mangas para trabalhar uma questão de vital importância para cidadania, que é a inclusão das pessoas portadoras de deficiência.
Em mais um plano de investimentos para a área social, divulgado ontem, pretende-se assumir o compromisso com o investimento de R$ 2,4 bilhões até o ano 2010, que possibilitará desde o treinamento e capacitação de professores para o trabalho com alunos especiais, passando pela ampliação da concessão de próteses, até a liberação de recursos para a renovação de frotas de transporte público - com a aquisição de ônibus adaptados para o atendimento de passageiros com dificuldades de locomoção.
Faz parte ainda deste conjunto de ações, aquela que é igualmente importante, e possibilitará a continuidade de concessão de benefícios financeiros, no caso do deficiente deixar por qualquer razão o mercado de trabalho.
Como todas as medidas anunciadas estão ainda no papel - mas ao menos JÁ estão nele, ficamos como cidadãos na torcida para que elas possam ganhar a vida real, beneficiando a milhões de brasileiros que precisam.
E já não era sem tempo!

Limite para as tarifas bancárias: Será que agora vai?

Segundo comentários de quem leu, o Ministério da Fazenda em seu conjunto de ações da chamada "Agenda Microeconômica", que será encaminhada na sequência do envio sobre a proposta da Reforma Tributária, estuda recriar um marco legal para estabelecer um limite na cobrança de tarifas bancárias.
Será?
É sabido até pelas crianças pequeninas - que já devem ter ouvido algum desabafo de seus pais sobre a quase extorsão-legalizada praticada pelos bancos, no que diz respeito a cobrança de tarifas e taxas de utilização de seus serviços.
Bem a propósito : Em sua quase totalidade, apenas as tarifas são responsáveis, hoje em dia, pelo pagamento de despesas com a folha de pessoal INTEIRINHA.
Mérito estranho, que nenhuma empresa produtiva - de verdade, na indústria ou comércio por exemplo, pode se dar ao luxo de conseguir.
Afinal, como explicar para o cliente a cobrança de um valor acessório ao produto que se pretende comercializar, quando esta é a finalidade do negócio : Gerar receita com o produto "per se".
Imagine a situação : A camisa custa R$ 50,00 mas porque o sr. é meu cliente, vou lhe cobrar apenas MAIS R$ 2,oo !!
Foi mais uma daquelas situações criadas à partir do momento em que os sábios da ekipeconomica do governo (como provavelmente diria Elio Gaspari) tornaram-se reféns - de boa vontade, do sistema bancário, em negócios que quase sempre culminaram com sua ida para estes mesmos bancos, depois da passagem pela Fazenda ou Banco Central.
E aprovaram a extinção do controle - que existia sim, mais próximo que o governo deve exercer sobre os bancos, para que não nos tornemos reféns do que eles imaginam criar para aumentar os seus lucros - hoje já bem astronômicos.
É esperar pra ver. Ou não ver.
Mas apenas o fato de alguém ter levado uma medida como esta adiante, pode significar que nem tudo está perdido para nós, usuários "compulsórios" das altas tarifas e taxas cobradas.
Que seja!

Muita atenção e cuidado com os remédios

Quase todo mundo tem um pouco de médico e de louco.
Quem já não ouviu esta frase?
E no caso dos brasileiros, com certeza não existem exceções.
Principalmente no que diz respeito a brincar de médico, através da prática, muito comum em todas as classes, da auto-medicação com medicamentos de uso restrito.
Pesquisa realizada na cidade de São Paulo pelo CVS - Centro de Vigilância Sanitária, mostrou que no período de 1991-2000, dos mais de 120 mil casos registrados nos diferentes Centros de Assistência Toxicológica (CEATOX), cerca de 40% deles haviam sido provocados pelo uso indiscriminado de remédios.
Este dado serve de alerta para todos, autoridades e cidadãos - principalmente porque é sabido que os registros não contemplam a totalidade das ocorrências, e que o número pode ser muitas vezes maior.
E estamos falando da cidade de São Paulo : Ponha-se na conta as demais capitais e municípios de maior população, e chegamos facilmente a casa dos milhões, não é verdade?
Existem hoje em dia, na comunidade científica e acadêmica da área da saúde, diferentes abordagens e teses que corroboram a preocupação com este perfil de usuário de medicamentos, que acaba por criar problemas mais graves para si - e para outros, quando não resiste a tentação de consumir pílulas, pastilhas e cápsulas na busca pela auto-cura, sem consultar a quem deveria. E até mesmo uma simples aspirina - por exemplo, pra dorzinha de cabeça, quando ingerida seguidamente e sem controle, pode provocar distúrbios colaterais, que muitas vezes podem evoluir para ocorrências de gastrite crônica e úlceras estomacais.
O certo mesmo- independente da assistência médica ser da rede pública ou privada, é procurar quem entende do assunto, quando o caso é a utilização de remédios : O médico.
Não vale nem a ajuda e boa vontade do farmacêutico - que tem autoridade e conhecimento para manipulá-los , mas não para receitá-los.
Pense nisso, antes de abrir a gaveta da cômoda ou o armário do banheiro na próxima vez que a cabeça doer...

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Sistema "S" e Educação Profissional : A hora do SENAC

Aproveitando esta belo dia em Fortaleza, de muito sol, como têm ocorrido sempre por aqui, estou regionalizando um pouco o BLOGando Sério! Aliás: você sabia que a cidade de Fortaleza é conhecida como "Terra da Luz"?
Não? Agora sabe!
E o por que.
Pois bem, regionalizando para falar um pouco sobre o momento que vive a Educação Profissional e as perspectivas - muito boas, de acelerar verdadeiramente a empregabilidade através do estudo e da formação profissional.
O sistema "S" no Brasil é conhecido, muito apropriadamente, como referência na formação para o trabalho. Nele, enquanto o SENAI atua com a indústria, o SENAC é quem desenvolve os programas e projetos de apoio neste sentido para o comércio.
Por sua própria vocação e por suas origens, o Ceará é como um grande berço embalado pelo potencial do comércio.
Nas últimas 3 décadas o Brasil vêm projetando uma mudança no seu eixo de desenvolvimento econômico, e a pelo menos 10 anos o comércio no estado do Ceará tem se afirmado como um grande motor da economia e do desenvolvimento social.
Com isso, uma boa parte da população trabalhadora se viu as voltas com a necessidade de formação e de especialização em suas áreas de trabalho - especialmente no varejo, e é exatamente aí que reside a importância do SENAC-CE.
A exemplo do que vem ocorrendo com a formação profissional para o trabalho no Brasil e no mundo, também o SENAC-CE, junto com todo o sistema nacional a quem está ligado, buscou o aperfeiçoamento de seus projetos e programas de formação, reforçando o seu portifólio através do que é conhecido em planejamento educacional como "intinerários formativos": Ao entrar num determinado programa, o jovem ou adulto que busca a formação para o trabalho, tem condições de estudar num regime de ciclos e módulos que, ao seu término, lhe proporcionam um certificado específico e o habilitam para o trabalho.
Assim, se por alguma razão não for possível para ele estudar ao longo de toda a etapa de formação prevista - técnica ou agora também superior (graduação tecnológica e pós-graduação), o que se estuda não é perdido.
E o habilita a retornar de onde parou, para dar continuidade ao seu aperfeiçoamento a qualquer momento.
O SENAC-CE também se destaca por haver percebido, muito a contento, a necessidade de planejar estratégicamente e a redesenhar o seu modelo antendendo - de um lado, o que pede o mercado, e do outro o que é necessário para uma formação de ponta.
Outra situação digna de nota, é o fato de que a sua plataforma de EAD - Educação a Distância, moderna, hoje habilita a capilaridade de muitos projetos e amplia significativamente a sua cobertura para os mais de 140 municípios que são atendidos no estado do Ceará.
Num mundo de transformações e desafios, onde a conquista do emprego está diretamente associada ao conhecimento para o trabalho, vale a pena se conhecer um pouco mais do que as instituições do Sistema "S", assim como o SENAC-CE, nos colocam a disposição.
Faça uma visita e conheça em (http://www.ce.senac.br)

TV O Povo: Chegando para ficar no CEARÁ

Boa parte de vocês - que não está nesta belíssima cidade de Fortaleza - Ceará, ou pelas vizinhanças do estado, não vai poder acessar a TV O Povo, canal novo de TV aberta, parte de um grupo de comunicação local, que vem buscando marcar seu espaço por aqui.
Num momento tão cheio de desafios, que vivemos, para produzir e apresentar uma programação que atenda aos anseios do cidadão.
Pois bem, a TV O Povo tem em sua programação o Grande Jornal - jornalístico apresentado diariamente à partir do meio dia e com duas horas de duração, que tem procurado ser um contra-ponto inteligente para a mesmice que são os telejornais - com algumas poucas, mas boas exceções.
Hoje, por exemplo, vai ao ar num de seus blocos, o Grande Debate do Povo, um tema interessante que integra a discussão sobre desigualdade, miséria e política de renda no Ceará.
Quem é de casa pode sintonizar a TV O Povo nos canais 48 na TV aberta, 23 na NET e 11 na TV Show.
Quem ainda não é, está convidado a assistir quando puder.
Afinal, viajar para Fortaleza é sempre um grande prazer, não?!

O Brasil no ranking da corrupção internacional

Saiu o último relatório da ONG Transparência Internacional, que consolida o resultado da pesquisa realizada entre 2006/2007 : Nele, o Brasil passa da 70. para a 72. posição - ou seja, caímos no ranking como resultado de que ampliou-se a percepção internacional sobre a corrupção daqui.
Mais triste é perceber que estamos ladeira abaixo neste ranking, uma vez que o resultado em 2005 - há apenas dois anos portanto, nos colocava 10 posições acima - em 62. lugar.
Ora, vamos lá : O que realmente tem se passado no país? Afinal, já não tínhamos o que comemorar a dois anos (convenhamos - 62. lugar num ranking de corrupção internacional é motivo de celebrar alguma coisa?).
O ranking da Transparência Internacional só vem tocar a fundo nesta ferida aberta, que por alguma razão o exercício de nossa democracia não tem conseguido fechar.
Pior - quando parecia que se avançava numa direção, com governo trabalhista, ideal socialista e coisitas más - taí o resultado!
Os noticiários já refletem o dia-a-dia das causas desta percepção sobre o país. Os últimos acontecimentos na política nacional - por si só - já dão mais do que conta disso.
O que a questão da corrupção esconde - ou pelo menos não deixa tão claro, é que por ser endêmica e contaminar uma boa parte do tecido social no Brasil, nós - cidadãos comuns, pagamos uma conta pra lá de alta.
Não que não tenhamos a nossa parcela de culpa. E temos.
Ela vai da nossa capacidade indiscutível de buscar sempre o ponto-de-vista que pode nos favorecer - o que poderia ser creditado a própria natureza humana, se não tivéssemos que conviver em sociedade.
Aí - na sociedade - é que a coisa muda de figura, e não existe individualismo que possa se sobrepor ao coletivo, ao bem comum, e proporcionar resultado diferente.
Mas também - noves fora a Lei de Gérson, que não é culpado pela interpretação do que se seguiu a propaganda do "gosta de levar vantagem em tudo, certo?", mas acabou por dar nome assim mesmo a este comportamento - que bem poderia ser tese antropológica : jeitinho brasileiro.
Ah, o jeitinho brasileiro.
Conseguiu-se, com o passar dos anos, alterar a interpretação real da nossa capacidade gigantesca de superar as adversidades, estejam elas na sua forma política, social ou econômica, do "seguir em frente que atrás vem gente", e dar-lhe o cunho da prostituição moral que, infelizmente, está sempre presente nestas mesmas dimensões.
Isso não é o "jeitinho brasileiro".
Passa bem longe de qualquer conclusão aceitável do que isto possa representar!
O nosso gingado natural de brasileiro, a nossa alegria de viver, a nossa perseverança sobre os dias difíceis - até com uma boa dose de malemolência, de uma cadência quase musical - isso sim, é o nosso "jeitinho brasileiro"!
E já está mais do que no hora de darmos um basta e puxar o freio do bonde da corrupção, que nos leva ladeira abaixo e nos adiciona um custo impagável como sociedade organizada.
Como?
Deixando na parada todos aqueles que não tem uma interpretação muito clara - artífices de uma necrose social que começa muito simples, e vai ganhando contornos selvagens, que acabam por atentar contra a própria sociedade.
Se for pedir muito empurrá-los pra fora do bonde, tudo bem.
Vamos apenas deixá-los a pé no caminho.
E seguir em frente.
A propósito : Eles já nem fazem muita questão de esconder quem são.
Fica mais fácil.

terça-feira, 25 de setembro de 2007

Mensalão do Lula x mensalão mineiro : Samba de muitas letras (PTPSDB...)

Quando parece que já vimos um pouco de tudo, em termos de descalabro político - mensalão do PT de Lula e absolvição de Renan Calheiros, parece que as manchetes jornalísticas não têm folga: Agora as baterias da imprensa deverão se voltar a comprovação (ou não) de que em Minas Gerais, o PSDB do Senador Eduardo Azeredo esteve envolvido com financiamentos irregulares e até assalto a recursos públicos para o patrocínio de campanhas eleitorais.
Está sobrando - e muito até - para o atual ministro das relações institucionais do governo Lula, Walfrido Mares Guia, como um dos supostos envolvidos nas maracutaias com as quais, triste e decepcionantemente, acabamos por compartilhar pela TV, rádio, revistas e jornais desde o caso do suborno nos Correios e o estopim com as denúncias do ex-deputado federal Roberto Jefferson.
E pelo andar da carruagem - que nesses casos acaba por ser conduzida pelo cavaleiro sem-cabeça, ainda estamos de frente apenas para a ponta de um iceberg, que pode vir acompanhada de toda a má-sorte de comprovações sobre histórias de favorecimento ilícito do jogo eleitoral.
É esperar pra ver. Ou não ver.
Seja como fôr, não podemos correr o risco de fechar os olhos e deixar de fazer valer a nossa indignação.
Podemos ter perdido, como cidadãos, muitas das batalhas sobre bem público e a ética nos últimos tempos.
Só não podemos perder, nunca, a nossa capacidade de nos indignar com o que está aí.
E lembrar que a corrupção não começa em Brasília, nos palácios de governo ou nas assembléias e câmaras legislativas.
Não.
Começa com o nosso descaso nas escolhas que fazemos - ou deixamos de fazer, por qualquer motivo.
Lembrem-se disso nas próximas eleições e façam uma cartilha apontando, pelo menos, em quem NÃO VOTAR!
Agora, podem passar a fita.
Estaremos prontos.
De novo.

Envelhecer nos dias de hoje é diferente

Muito interessante a discussão que propõe a matéria do jornal gaúcho Zero Hora (http://www.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default.jsp?newsID=a1627815.htm&uf=1&local=1&template=3834.dwt&section=Plant%E3o), quando aborda a questão do envelhecimento nos dias atuais.
É realmente algo para pensar.
Até porque, com empenho e uma boa dose de sorte, todos nós vamos chegar a conhecer a terceira idade. E viver de hoje até lá é o que caracteriza este processo.
Com a questão mais explícita sobre o envelhecimento - que é o desafio do auto-sustentar o padrão de vida (quando bom mesmo seria se todos os nossos idosos tivessem é a condição de ascender a um patamar mais elevado e gozar o que lhes fôsse mais desejado), lançamos em tela a discussaão de praxe sobre aposentadoria e sistema previdenciário, ainda tão distantes de empreender equilíbrio e justiça social nesta fase da vida.
Com algumas exceções - daqueles que tiveram condições ou a oportunidade de contar com uma previdência complementar, mas que representam uma minoria, é cada vez mais difícil suportar os custos da terceira idade no Brasil.
A conta do desafio começa na sua alimentação - que precisaria ser diferente, e passa por questões que vão da assistência a saúde (é nesta fase que os planos têm seu valor mais elevado, e remédios acabam sendo necessários para um ou outro problema) , até o próprio lazer e diversão - que deveriam ocupar o espaço que não é destinado mais ao trabalho.
Ou não deveria ser.
Porque a realidade do trabalho contínuo - mesmo após a aposentadoria formal, está presente em boa parcela deste segmento da nossa população.
Existe ainda a questão da acolhida e da família, que acaba afetada pela decisão cada vez mais inequívoca de se optar por um número menor de filhos durante a vida adulta comum, o que acaba gerando reflexos mais adiante neste momento, em que já não dispomos mais das mesmas armas para enfrentar o desafio da solidão. E já não somos mais tão jovens.
A questão de envelhecer preocupa também, porque quase nunca estamos preparados para lidar com as mudanças sutis que nos encaminham a esta realidade, até que elas se manifestam como uma verdadeira torrente por sobre a mente, o corpo, o coração.
Creio que cada um de nós tem condições de contribuir para o amadurecimento de uma realidade - por que não dizer assim, em que envelhecer seja visto pela sociedade como uma coisa naturalíssima, um sinônimo concreto de realização e dignidade.
E tenha o nosso apoio.
Afinal, um dia - quem sabe, o retorno dele nos fará um imenso bem.
Ou uma grande falta.

E Lula abre a Assembléia da ONU

Com a proposta de enfatizar o discurso sobre os biocombustíveis - além de pinçar aqui e ali na questão da redução da pobreza (é com este discurso que eles se lembram da versão original do nosso político), o Presidente Lula falará hoje na Assembléia Geral da ONU.
Já que por aqui nosso presidente não anda vendo ou sabendo de nada, espero que ao0 menos aproveite a viagem.
Taí, só para constar.

Mérito escolar ou aprovação automática na escola?

Parece brincadeira - mas é verdade.
Ou quase, já que a idéia é do prefeito especialista em factóides.
Pois bem, foi assinado pelo prefeito do Rio, César Maia, um decreto que institue o pagamento de um prêmio- isso mesmo, prêmio - para alunos da rede pública municipal que conseguirem boas notas ao final do ciclo avançado do ensino fundamental (7a., 8a. e 9a. série).
O prêmio varia de 2 a 12 salários mínimos (R$ 760 a R$ 4.560). Os alunos que mantiverem desempenho muito bom no final de cada período (inicial, intermediário e final) terão direito a dois salários mínimos. O bônus será dobrado quando isso ocorrer em todas a disciplinas.
Nesse caso, o aluno receberá o diploma de "mérito-máximo-escolar" (uma tradução livre para o português do que ocorre tradicionalmente em escolas e faculdades americanas e européias, e vem do latim "Magna cum laude").
Interessante, não?
Fora da minha época, infelizmente - ou de meus irmãos, todos alunos em escolas públicas.
E um bom aluno como eu poderia ser o tal agraciado com o diploma - que massagearia o pequeno ego, e também o dinheiro - que teria ajudado muito nas vacas magras, não é mesmo mamãe?
A questão é provocativa, e abre caminho para uma série de discussões e visões antagônicas.
Principalmente quando sabemos que o mesmo tipo de mérito não passa pela cabeça dos políticos quando o assunto é a baixa remuneração de professores na rede pública de ensino.
Ou a discussão de um plano de cargos e salários que estimule o professorado, por exemplo.
E, como os recursos previstos para pagamento saem do tesouro municipal, ainda não tenho uma idéia muito fechada e segura sobre os impactos projetados deste desembolso para os cofres públicos.
Principalmente se levarmos em consideração o crescimento da dívida pública do município do Rio, quando levantamos as contas das últimas administrações de nosso alcalde-mayor.
E também os gastos com o patrocínio do Pan-Americano, que orgulhosamente sediamos na cidade maravilhosa, mas que numa perspectiva de finanças começaram com uma estimativa e finalizaram muita além dela (se é que finalizaram mesmo).
Isso, para não falar de outros empenhos e custos da máquina pública que estão sempre em ascenção.
Há ainda a questão da continuidade de alguns programas de forte impacto para a cidadania, como os iniciados com o propósito do favela-bairro, em que ainda há muito o que fazer.
Mas o prefeito, que é economista, não pode ter errado nos cálculos.
Ou pode?

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Digital Cocooning: O Second Life já é aqui

Pois é - o que parece um outro mundo, apenas virtual, como o Second Life por exemplo (coqueluche que voce acessa através de http://www.secondlife.com/) em que o seu alter-ego (ou voce mesmo) atende pelo nome de "avatar", nada mais é do que a quase-reprodução da atualidade:
Aqui e ali, lá e acolá - quase tudo o que se pode encontrar em termos de realidade já está acessível - virtualmente - num simples click do seu mouse e da tela do computador :
Bancos, supermercados, lazer e entretenimento, informação, trabalho e até relacionamento através da rede se tornaram rotina na vida de milhões de pessoas.
Em parte pelo avanço da tecnologia, claro.
Mas também - e sem dúvida, como resultado do próprio crescimento de um fenômeno social que os analistas de comportamento, psicólogos, sociólogos, antropólogos e demais interessados dão o nome de "cocooning" (encasulamento, numa tradução livre para o português).
Com a escalada da tecnologia e o apelo de questões como "otimizar o tempo", "sentir-se mais seguro", mas também de "fast-food" e "tribos" (essas, mais moderninhas e adolescentes), o que era estudado como reflexo de situações do cotidiano no comportamento de alguns indivíduos ou grupos, acabou por ampliar e estender os seus domínios por sobre a geração x e as que a sucederam - e já nasceram praticamente no berço da modernidade, de computadores e realidade virtual.
Mas todo este crescimento ainda é visto com a desconfiança - natural, de quem é contemporâneo a tanta transformação e movimento: De um lado, críticos contumazes atestam a nossa perda de rumo e o desrespeito a valores mais humanos que levamos tanto tempo para conquistar.
De outro, fascinados e facilitadores atestam que a tecnologia está nos proporcionando até redescobrir um mundo tão ligado em fronteiras e desigualdades.
Seja o que for, a discussão está lançada - e é mais do que saudável.
Contra, a favor e até muito pelo contrário, refletir sobre o que vivemos e o quanto já somos parecidos com o que criamos em mundos virtuais é muito bom.
Afinal se penso, logo existo.
Ou será o contrário?
- A propósito : Digital Cocooning foi uma expressão que saiu na reflexão do autor.
Não sei se já referem-se a ela de maneira científica.
Vou pesquisar por aí...
Mas, numa época de wikkipedias e novidades, nada mal para um começo de semana :
Fica aqui a contribuição e, quem sabe, uma nova expressão!

Gastos com seguro-desemprego aumentam

Estudo realizado que tem como base os pagamentos feitos pelo Ministério do Trabalho - e que foi publicado pelo Jornal O Estado de São Paulo (http://www.estadao.com.br/), aponta para o fato de que os gastos do governo com o seguro-desemprego aumentaram na razão de 17,3% ao ano.
E serão mais de 50% de aumento até 2010, segundo os analistas.
Criado com o objetivo - nobre, de promover maior equilíbrio social ao cidadão nos meses que se seguem a sua demissão no trabalho (que, em tese pelo menos, duraria um máximo de 4 ou 5 meses - período limite de concessão do seguro ao trabalhador), há muito deixou de ser considerado um "benefício" pelo estado e uma "obrigação" para o trabalhador, para figurar no rol daquelas medidas que empurram com a barriga a questão da empregabilidade ou da ampliação de postos de trabalho formais no mercado de trabalho.
Uma observação bem pouco científica - mas atenta, dará conta de que as flutuações ocorridas no nível de contratações e demissões acabam por compensarem-se, mostrando que a realidade do trabalho é bem típica e conhecida.
Não por isso este mesmo poder de observação constata, por exemplo, a enormidade de cargos comissionados e terceirizados na administração pública ou a falta de funcionários para atendimento nos caixas - que têm uma média de 2 ou até três desocupados para cada atendente nas filas dos bancos comerciais.
Nem no Banco do Brasil ou a CEF - públicos, tem gente ocupando todos os terminais de atendimento ao público.
Num país onde o governo canta a estabilidade econômica - mas assovia a prorrogação da CPMF e o aumento real da carga tributária, onde o sistema financeiro especulativo (leia-se bancos) obtém lucros recordes, de bilhões de reais, semestre após semestre e as empresas (produtivas) enfrentam a ameaça de continuidade do seu crescimento e desempenho positivo, por conta de altíssimos juros que chegam a 3 dígitos - em época de inflação anual de apenas um, alcançar um crescimento de postos de trabalho REAL é trabalho para gigante nenhum botar defeito.
Lembra muito as histórias de período pré-eleitoral, onde fulano promete um milhão, sicrano cobre a aposta em cinco e beltrano é eleito com a promessa de 10 milhões...
Emprego no discurso e no papel é fácil.
Torná-lo realidade fora deles, é diferente.
Pelo menos para nós.

Ahmadinejad, ONU e EUA

Mahmoud Ahmadinejad.
Depois de Fidel ao seu tempo - e de Hugo Chavez agora, os EUA se vêm as voltas com a viagem do polêmico Presidente do Irã ao seu território - como parte de uma programação oficial na sede da ONU- Organização das Nações Unidas, em New York.
Para complicar, há um "speech" (palestra) a convite da prestigiosa Universidade de Columbia - que despertou confusão e acelerou ainda mais as rotações - já bastante conturbadas, sobre o que seria a presença em solo americano do presidente de um dos países, considerados por eles, como integrante do que denominaram "eixo do mal".
O espírito da democracia, entretanto, deve prevalecer mesmo as turras e a custa de alguns safanões (partidários pró e contra a visita), pois é direito de qualquer chefe de estado de país-membro (no caso da ONU), de ter acesso a tribuna e a participar em suas assembléias.
E de ser ouvido.
A visita de Mahmoud Ahmadinejad ocorre num momento bastante delicado, pois sucede as suas controversas declarações sobre a eliminação do estado de Israel e a produção de armas nucleares para defesa, entre outras.
E os EUA - as voltas com suas preocupações de natureza econômica, terrorismo, guerra do Iraque, problemas no Afeganistão, Coréia do Norte, India X Paquistão - entre tantos, para administrar e sem deixar de lado a costumeira briga pela sucessão presidencial de republicanos x democratas, republicanos x republicanos, democratas x democratas, e republicanos x democratas x independentes (estes quase sempre contra todo mundo), encontraram sinais de que pode ser complicado uma tribuna aberta para o mundo, para a divulgação de idéias pouco ortodoxas neste momento.
As teses do presidente do Irã esgotam-se em si mesmo, e são ainda mais deterioradas quando pregam a extinção aberta de um outro país-membro, como no caso de Israel.
A coluna de ontem - sempre muito boa, do jornalista Elio Gaspari nos jornais em que é publicada (li no Jornal O Povo aqui de Fortaleza), tem uma colocação a cerca do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o que ele chama de "Teoria da Causa Inexistente" - que ele estaria transpondo para avaliar o atual cenário internacional.
Ela encaminha um pouco a relação entre estalo e estrondo, quando se trata de política em nível global.
Vale a pena uma conferida em http://www.oglobo.com.br/ ou em http://www.opovo.com.br/

domingo, 23 de setembro de 2007

Brasil: 40. lugar em Qualidade de Vida. Será?

A revista internacional Reader´s Digest (http://www.readersdigest.com/) publicou em seu último número o ranking dos países, considerando-se a Qualidade de Vida : Nele, fruto de dados sociais e ambientais sobre 141 países, nossa amada terra figura na quadragésima posição.
Nos primeiros lugares - como era de se esperar, figuram Finlândia, Islândia, Noruega e Suécia - nessa ordem.
Até aí, vá lá.
Mas a coisa começa a preocupar quando - apontando para a américa aqui de baixo, vemos Uruguai (9.), Argentina (27.), Costa Rica (34.) e até Cuba (36.) na frente do Brasil.
Eu sei que temos problemas e desafios - muitos mesmo, a superar no caminho de ascender a posições melhores.
Mas é motivo, pelo menos para saudáveis discussões esta colocação, não é ?
A discussão servirá, certamente, como ponto-de-partida para avaliarmos o muito que precisa ser investido para isso.
Mas, também - e desejo isso, para tirarmos da redoma de vidro alguns indicadores, que se contribuem para uma avaliação deste ranking, passam bem ao largo de outros que deveriam ser incluídos - como por exemplo, "estágio de liberdade civil da população" (direito constitucional do livre ir e vir) - no caso de nos compararmos a Cuba ou ainda "densidade demográfica comparada" e "crescimento projetado a futuro", para nos situar em relação a outros.
O que pareceria, simplesmente, choro por uma colocação que nos situa bem atrás do que deveríamos estar aqui em meados de 2007 - afinal somos considerados A potência de 2020, nos permitiria, por exemplo, tentar entender também porque em países considerados "de alta qualidade de vida", como no caso da escandinávia, o número de suícidios na população jovem, ecônomica e socialmente estável e favorecida, costuma ser muitas vezes superior aos nossos aqui em embaixo.
Estabilidade social e econômica, portanto, que são verdadeiros motores na assunção de uma perspectiva de Qualidade de Vida podem não ser - necessariamente, sinônimos para satisfação e alegria de viver.
Ou de liberdade civil - de fato e direito: Lembre-se do tão discutido "Patriotic Act" americano, que dá ao governo em exercício o direito de violar as garantias individuais e constitucionais, em situações que ele - governo - julgar do seu interesse, a bem de uma alegada segurança nacional.
Ou de não juntar-se ao esforço de mitigar a emissão de poluentes na atmosfera (vide a novela da assinatura do Protocolo de Kyoto).
Talvez estas sejam mesmo algumas das razões para os EUA alcaçarem apenas a 23. posição neste ranking da Reader´s Digest.
Sejam quais forem as conjecturas, suposições ou divagações sobre Qualidade de Vida, uma coisa pelo menos é certa : Precisamos nos esforçar.
Mais.

A insegurança das milícias

Em matéria publicada no Jornal do Brasil de hoje, (http://jbonline.terra.com.br/) destaca-se a preocupação dos moradores da zona sul do Rio com a segurança, e a alternativa comum encontrada por particulares, condomínios e comerciantes em diferente bairros, que tem sido a contratação de milícias - segurança privada - seja ela legalizada ou não.
Vale a pena lembrar que o problema da segurança pública na cidade do Rio, no estado e em boa parte do Brasil tem a ver, principalmente, com a falta de uma política nacional disposta a combater o crime em sua principais facetas, com governantes que vivem procurando uma oportunidade para generalizar as suas responsabilidades como "chefes DO estado" e atribuir a outros a culpa pelo recrudescimento da criminalidade em determinadas áreas, mas - principalmente, a capacidade que a sociedade civil tem, ao mesmo tempo e paradoxalmente, de ser organizada com a formulação do pensamento sobre a questão e desorganizada no que tange a mobilização e a participação pró-ativa da população - especialmente nas capitais, para enfrentar abertamente esta situação.
É bem verdade que o indivíduo se sente pressionado pela violência, de uma forma em que boa parte das autoridades não costuma nem sequer tem idéia : ou elas deixariam de lado as formalidades dos cargos e dispensariam a sua, pública e paga por nós, e correriam para o abraço como cidadãos normais?
E a violência urbana - com o escalonamento das quadrilhas e uma certa "setorização" da marginalidade, mostra que existe algum tipo de inteligência a serviço do crime também, não é verdade?
E entre balas-perdidas ficamos apenas nós, pobres mortais.
Com exceção aberta, é claro, para algum comboio desavisado de autoridades passeando de trem pela cidade - mas isso é raro.
Como esperar, então, que o cidadão comum, pai ou mãe de família, saia em campo aberto, disposto a encarar o desafio?
E depois, existe a questão da confiança: É mister para a população, de um modo geral, acreditar que as polícias são antros de corrupção.
E são, mas apenas em pequena parte - uma parte ínfima, segundo o meu julgamento pessoal, se comparada a todo o seu efetivo.
A corrupção já faz parte - infelizmente - do nosso DNA social.
Mas é a velha história da maçã podre no cesto com as outras...
Cria-se uma imagem figurativa, que acaba por atrair para si a idéia firme da generalização, da "coisificação" do comportamento policial como elemento que tem o seu preço, que pode corromper-se mais facilmente.
O que não é verdade.
Assim como é profundamente errado, incivilizado, criminoso até culpar as pessoas que vivem nas comunidades pobres, nas vilas ou favelas - tenham o nome que tiverem, pela violência praticada por alguns pouquíssimos dos seus vizinhos degenerados, traficantes ou ladrões que, a custa de um clima de terror, ainda dominam estas áreas, é igualmente errado generalizar e atribuir a TODA polícia a pecha de corrupta.
A questão da segurança pública - no Rio ou em qualquer cidade, precisa sair da agenda de discussões e passar definitivamente para a ação.
E cada um precisa conhecer e estar disposto a assumir a responsabilidade do seu papel.
Pode ser apenas um passo.
Mas este será o maior que poderemos dar em conjunto, acredite.
E, depois, a caminhada começa por ele.
Ou não é?

Infraestrutura, cidadania e urbanidade

Feliz primavera!
É de se esperar uma saudação neste domingo - e nada demais começá-lo assim!
Chato é, depois, ter que lembrar a recente pesquisa da FGV - Fundação Getúlio Vargas (http://www.fgv.br) , com a qual este humilde cidadão mantém laços antigos, que aponta para um dado nada animador : O resultado mostra que, ainda hoje no Brasil, mais da metade dos domicílios convive com a falta de esgotamento sanitário.
Num país em que os governos pregam, ano após ano, a cantilena conhecida do investimento para o desenvolvimento, é no mínimo antagônico o quadro traçado: Imagine, não estamos falando apenas de casas e/ou moradias sem esgoto - mas de cidadãos que vivem em condições de precariedade no que diz respeito o acesso a serviços básicos de infra-estrutura, da qual o esgoto sanitário é só uma parte.
Existem outros problemas - crassos até, de ausência de eletricidade, de água encanada e - pasmem, até de acesso a telefones.
E acesso a internet então? Noves fora os avanços e as tentativas, se consideramos o conjunto da população, este ainda é um ítem restrito a poucos privilegiados : Não é a toa a preocupação de educadores com o que eles denominam "analfabetismo digital".
Isto quando o país contabiliza um recorde mundial de celulares por habitante, por exemplo ou quando falamos, como num post anterior, que SP contabiliza hoje uma frota de automóveis equivalente a metade de sua população.
Ou quando o governo da situação prega o crescimento do país através de "pacotes de estímulo ao desenvolvimento" - o deste, por acaso, chama-se PAC - Programa de Aceleração do Crescimento - recorda?
Enquanto o BNDES - Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e SOCIAL contabiliza lucros superiores até mesmo aos dos bancos comerciais especulativos - como mostra o seu último balanço e resultado financeiro, resultado de boa parte dos negócios em que participa ou investe, muitos municípios têm dificuldades concretas em aprovar projetos voltados a ampliação de sua infraestrutura de "serviços-cidadãos", como poderiam ser caracterizados o acesso a água ou ao esgoto, por exemplo.
Depois me digam : A quem mesmo interssa a conta do subdesenvolvimento?
Será aos sub-administradores?
Aos sub-políticos?
Aos sub-governantes?
Uma coisa é certa : Ela não interessa a sociedade brasileira.
Sem dúvida!