domingo, 23 de setembro de 2007

A insegurança das milícias

Em matéria publicada no Jornal do Brasil de hoje, (http://jbonline.terra.com.br/) destaca-se a preocupação dos moradores da zona sul do Rio com a segurança, e a alternativa comum encontrada por particulares, condomínios e comerciantes em diferente bairros, que tem sido a contratação de milícias - segurança privada - seja ela legalizada ou não.
Vale a pena lembrar que o problema da segurança pública na cidade do Rio, no estado e em boa parte do Brasil tem a ver, principalmente, com a falta de uma política nacional disposta a combater o crime em sua principais facetas, com governantes que vivem procurando uma oportunidade para generalizar as suas responsabilidades como "chefes DO estado" e atribuir a outros a culpa pelo recrudescimento da criminalidade em determinadas áreas, mas - principalmente, a capacidade que a sociedade civil tem, ao mesmo tempo e paradoxalmente, de ser organizada com a formulação do pensamento sobre a questão e desorganizada no que tange a mobilização e a participação pró-ativa da população - especialmente nas capitais, para enfrentar abertamente esta situação.
É bem verdade que o indivíduo se sente pressionado pela violência, de uma forma em que boa parte das autoridades não costuma nem sequer tem idéia : ou elas deixariam de lado as formalidades dos cargos e dispensariam a sua, pública e paga por nós, e correriam para o abraço como cidadãos normais?
E a violência urbana - com o escalonamento das quadrilhas e uma certa "setorização" da marginalidade, mostra que existe algum tipo de inteligência a serviço do crime também, não é verdade?
E entre balas-perdidas ficamos apenas nós, pobres mortais.
Com exceção aberta, é claro, para algum comboio desavisado de autoridades passeando de trem pela cidade - mas isso é raro.
Como esperar, então, que o cidadão comum, pai ou mãe de família, saia em campo aberto, disposto a encarar o desafio?
E depois, existe a questão da confiança: É mister para a população, de um modo geral, acreditar que as polícias são antros de corrupção.
E são, mas apenas em pequena parte - uma parte ínfima, segundo o meu julgamento pessoal, se comparada a todo o seu efetivo.
A corrupção já faz parte - infelizmente - do nosso DNA social.
Mas é a velha história da maçã podre no cesto com as outras...
Cria-se uma imagem figurativa, que acaba por atrair para si a idéia firme da generalização, da "coisificação" do comportamento policial como elemento que tem o seu preço, que pode corromper-se mais facilmente.
O que não é verdade.
Assim como é profundamente errado, incivilizado, criminoso até culpar as pessoas que vivem nas comunidades pobres, nas vilas ou favelas - tenham o nome que tiverem, pela violência praticada por alguns pouquíssimos dos seus vizinhos degenerados, traficantes ou ladrões que, a custa de um clima de terror, ainda dominam estas áreas, é igualmente errado generalizar e atribuir a TODA polícia a pecha de corrupta.
A questão da segurança pública - no Rio ou em qualquer cidade, precisa sair da agenda de discussões e passar definitivamente para a ação.
E cada um precisa conhecer e estar disposto a assumir a responsabilidade do seu papel.
Pode ser apenas um passo.
Mas este será o maior que poderemos dar em conjunto, acredite.
E, depois, a caminhada começa por ele.
Ou não é?

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