Saiu o último relatório da ONG Transparência Internacional, que consolida o resultado da pesquisa realizada entre 2006/2007 : Nele, o Brasil passa da 70. para a 72. posição - ou seja, caímos no ranking como resultado de que ampliou-se a percepção internacional sobre a corrupção daqui.
Mais triste é perceber que estamos ladeira abaixo neste ranking, uma vez que o resultado em 2005 - há apenas dois anos portanto, nos colocava 10 posições acima - em 62. lugar.
Ora, vamos lá : O que realmente tem se passado no país? Afinal, já não tínhamos o que comemorar a dois anos (convenhamos - 62. lugar num ranking de corrupção internacional é motivo de celebrar alguma coisa?).
O ranking da Transparência Internacional só vem tocar a fundo nesta ferida aberta, que por alguma razão o exercício de nossa democracia não tem conseguido fechar.
Pior - quando parecia que se avançava numa direção, com governo trabalhista, ideal socialista e coisitas más - taí o resultado!
Os noticiários já refletem o dia-a-dia das causas desta percepção sobre o país. Os últimos acontecimentos na política nacional - por si só - já dão mais do que conta disso.
O que a questão da corrupção esconde - ou pelo menos não deixa tão claro, é que por ser endêmica e contaminar uma boa parte do tecido social no Brasil, nós - cidadãos comuns, pagamos uma conta pra lá de alta.
Não que não tenhamos a nossa parcela de culpa. E temos.
Ela vai da nossa capacidade indiscutível de buscar sempre o ponto-de-vista que pode nos favorecer - o que poderia ser creditado a própria natureza humana, se não tivéssemos que conviver em sociedade.
Aí - na sociedade - é que a coisa muda de figura, e não existe individualismo que possa se sobrepor ao coletivo, ao bem comum, e proporcionar resultado diferente.
Mas também - noves fora a Lei de Gérson, que não é culpado pela interpretação do que se seguiu a propaganda do "gosta de levar vantagem em tudo, certo?", mas acabou por dar nome assim mesmo a este comportamento - que bem poderia ser tese antropológica : jeitinho brasileiro.
Ah, o jeitinho brasileiro.
Conseguiu-se, com o passar dos anos, alterar a interpretação real da nossa capacidade gigantesca de superar as adversidades, estejam elas na sua forma política, social ou econômica, do "seguir em frente que atrás vem gente", e dar-lhe o cunho da prostituição moral que, infelizmente, está sempre presente nestas mesmas dimensões.
Isso não é o "jeitinho brasileiro".
Passa bem longe de qualquer conclusão aceitável do que isto possa representar!
O nosso gingado natural de brasileiro, a nossa alegria de viver, a nossa perseverança sobre os dias difíceis - até com uma boa dose de malemolência, de uma cadência quase musical - isso sim, é o nosso "jeitinho brasileiro"!
E já está mais do que no hora de darmos um basta e puxar o freio do bonde da corrupção, que nos leva ladeira abaixo e nos adiciona um custo impagável como sociedade organizada.
Como?
Deixando na parada todos aqueles que não tem uma interpretação muito clara - artífices de uma necrose social que começa muito simples, e vai ganhando contornos selvagens, que acabam por atentar contra a própria sociedade.
Se for pedir muito empurrá-los pra fora do bonde, tudo bem.
Vamos apenas deixá-los a pé no caminho.
E seguir em frente.
A propósito : Eles já nem fazem muita questão de esconder quem são.
Fica mais fácil.
quarta-feira, 26 de setembro de 2007
O Brasil no ranking da corrupção internacional
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