quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Barack Obama : Eleito o novo presidente dos EUA

Foto: Agência de Notícias AFP

Barack Hussein Obama. Filho de pai queniano e mãe americana. Senador Americano pelo Estado de Illinois, 47 anos, advogado formado pela Universidade de Harvard, casado com Michelle Obama e pai de duas filhas. Presidente eleito dos EUA que tomará posse em janeiro de 2009. Negro.

Não fosse a importância de enfatizar a mudança para a sociedade onde, na época em que ele nasceu, o casamento legal entre brancos e negros era proibido na maior parte do país, a última parte de sua resumida biografia seria até dispensável.

Hoje os EUA amanheceram, num exemplo de democracia histórica, com o seu primeiro presidente afro-descendente. De origem humilde e consciente dela, Obama discursou pela madrugada no berço de sua origem, a cidade de Chicago, para uma multidão que aguardava ansiosa por este momento.

Sua caminhada, até aqui vitoriosa e cheia de marcos importantes para jovens desta potência chamada de USA, pode ser encarada como um exemplo vivo de superação. O último desafio, abraçado com a sua campanha pela disputa como candidato do partido democrata a presidência, mostrou aos americanos - e ao mundo - que pode existir luz no fim do túnel.

O longo túnel da intolerância, da discriminação, da desigualdade.

Mas também da democracia, da oportunidade, e da esperança por dias melhores, principalmente numa época tão conturbada e repleta de desafios - sociais, políticos e econômicos.

Onde o próximo presidente eleito, ele, Barack Obama, terá a oportunidade de mostrar que o sonho americano, ainda assim, é possível.

Boa sorte Obama! Estamos torcendo por você.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Eleições nos EUA: Chegou o Dia D

Foto: AP/Associated Press

O dia de hoje, 04 de novembro de 2008, terá o seu lugar na história contemporânea.
Dia de eleição para os americanos - mas de expectativa para o mundo inteiro.
A corrida eleitoral americana não despertava interesse global - pelo menos da forma que a atual, não fosse um conjunto de fatores que alterou, sensivelmente, o equilíbrio e a harmonia da disputa.
É verdade que a primeira eleição do atual presidente , George W Bush, foi um caso a parte, principalmente em função da confusão do processo eleitoral americano e as ocorrências tumultuadas no estado da Flórida (sul dos EUA) em que, mesmo com a contagem final apontando 500 mil votos a mais do adversário, o hoje multimídia Al Gore, lhe permitiu a vitória.
Antes um duelo de força entre os dois partidos (Republicano e Democrata) e palco para a defesa de ideais mais conservadores ou mais liberais, a configuração em 2008, após o 11 de setembro das torres gêmeas em New York, da guerra no Iraque, do furacão Katrina de New Orleans, da crise dos combustíveis e da escalada mundial no preço dos alimentos, e do terremoto financeiro das hipotecas e bancos americanos que já custou trilhões de dólares aos cofres públicos, e que alcançou e envolveu o globo numa crise sem precedentes recentes, a eleição de 2008 será um marco.
Os acontecimentos representaram, especialmente para os americanos, um horizonte de recessão, dívidas impagáveis, desemprego em massa e incertezas a frente.
E a sensação de que o sonho americano, em algum momento da noite mal dormida, havia se transformado em pesadelo.
Mas para todo o mundo, a sensação - guardadas as devidas proporções, também é de tensão e expectativa.
Trata-se da possibilidade de colocar um freio nas políticas equivocadas, tanto internas quanto externas, que acabaram por reviver um sentimento de anti-americanismo, no qual o atual presidente - com o menor índice de popularidade da história de seus antecessores, parece ter boa parte da culpa.
Mas é certo que, independente do resultado desta terça-feira, onde vença o favorito Barack Obama ou o combativo John McCain, o novo presidente terá bastante trabalho e gastará ainda muito tempo para desfazer equívocos, propôr alternativas, consertar o que está fora de lugar e reorganizar as relações com a sociedade americana e com o mundo.
É possível - pela intensidade do quadro, que algum tempo ainda corra no relógio das decisões definitivas, antes que tenhamos uma idéia clara da escolha, acertada ou errada dos americanos.
Mas democrática.
E este, certamente, já é o peso maior que sentem ambos os postulantes.

Itaú e Unibanco: Bom para o mercado...

... mas e para os clientes?
Com o anúncio tornado público, e que agitou a bolsa de valores na abertura do mercado desta última segunda-feira, as ações de ambos os bancos chegaram a alcançar alta de 20% em relação a cotações anteriores.
É isso mesmo: Itaú e Unibanco agora são apenas um.
Com patrimônio líquido de quase R$ 52 bilhões e ativos correntes que ultrapassam os R$ 575 bilhões, 15 milhões de correntistas, 4.800 agências e pontos de atendimento (representando 18% do mercado), não um qualquer, mas simplesmente o maior banco privado do hemisfério sul.
E um dos vinte maiores do planeta.
A onda de fusões e aquisições no setor financeiro brasileiro já se apresentava ano passado, com a aquisição do Real (ABN-AMRO) pelo Santander, que criou na ocasião o segundo maior banco brasileiro.

Mas a notícia desta semana - certamente apressada pelo quadro de crise global, não deixou de causar surpresa, tanto no mercado quanto nos concorrentes, já que os detalhes da operação, que durou 15 meses, conseguiram permanecer confidenciais até o último momento.
Analistas financeiros e especialistas do sistema bancário são unânimes ao afirmar que se trata de uma boa notícia.
Segundo eles, a idéia aparente de concentração excessiva no setor não procede, já que o sistema financeiro brasileiro contra com outros bancos de grande porte - inclusive públicos, como o Banco do Brasil e a CEF, além de competidores estrangeiros bem posicionados (Santander e HSBC, por exemplo). A idéia geral é de que seria melhor contar com menos bancos - mas fortes, do que com muitos pequenos e fracos, principalmente em momentos de crise aguda.
De qualquer maneira, a visão acaba sendo simplista, já que a fusão vem sendo apenas comentada do ponto de vista da solidez do mercado, e não das vantagens para o cliente.
Já vivemos num país onde a inflação é menor que um dígito e o custo total efetivo dos empréstimos e financiamentos ultrapassa os 400% ao ano.
E as taxas - por serviços simples e corriqueiros, que no passado eram até gratuitos, se transformaram num assalto autorizado aos bolsos do consumidor.
Se a diversidade, sob este ponto de vista, nos traz um leque maior de opções e a consequente oportunidade de caminhar para o lado que nos trata melhor, a concentração num mercado tão perverso - de juros abusivos, taxas incontidas, comissões de permanência desconhecidas e tarifas que são majoradas ao gosto dos banqueiros (com o governo conivente e convenientemente cego ao que acontece), pode sim estar apontando para um momento de perda real nas relações consumidor-sistema.
Sem mencionar o ponto de vista do trabalho, por exemplo, que já sendo difícil encontrar nas agências pessoal empregado em número suficiente, para ocupar apenas as posições de frente (caixas, por exemplo), a fusão lança dúvidas sobre o volume de espaços de trabalho que, duplicados em caso de fusão, com certeza deixarão de existir.
É certo que o mercado faz o seu papel em defender a concentração, tomado pelo pânico especulativo que lhe é peculiar neste instante.
Mas, como sempre acontece, o fiel da balança deve nos deixar - consumidores - ao final mais desprotegidos.
E dependentes.
Foto: Agência Reuters (www.reuters.com) Imagem: www.revistadobrasil.com.br