... mas e para os clientes?Com o anúncio tornado público, e que agitou a bolsa de valores na abertura do mercado desta última segunda-feira, as ações de ambos os bancos chegaram a alcançar alta de 20% em relação a cotações anteriores.
É isso mesmo: Itaú e Unibanco agora são apenas um.
Com patrimônio líquido de quase R$ 52 bilhões e ativos correntes que ultrapassam os R$ 575 bilhões, 15 milhões de correntistas, 4.800 agências e pontos de atendimento (representando 18% do mercado), não um qualquer, mas simplesmente o maior banco privado do hemisfério sul.
E um dos vinte maiores do planeta.
A onda de fusões e aquisições no setor financeiro brasileiro já se apresentava ano passado, com a aquisição do Real (ABN-AMRO) pelo Santander, que criou na ocasião o segundo maior banco brasileiro.

Mas a notícia desta semana - certamente apressada pelo quadro de crise global, não deixou de causar surpresa, tanto no mercado quanto nos concorrentes, já que os detalhes da operação, que durou 15 meses, conseguiram permanecer confidenciais até o último momento.
Analistas financeiros e especialistas do sistema bancário são unânimes ao afirmar que se trata de uma boa notícia.
Segundo eles, a idéia aparente de concentração excessiva no setor não procede, já que o sistema financeiro brasileiro contra com outros bancos de grande porte - inclusive públicos, como o Banco do Brasil e a CEF, além de competidores estrangeiros bem posicionados (Santander e HSBC, por exemplo). A idéia geral é de que seria melhor contar com menos bancos - mas fortes, do que com muitos pequenos e fracos, principalmente em momentos de crise aguda.
De qualquer maneira, a visão acaba sendo simplista, já que a fusão vem sendo apenas comentada do ponto de vista da solidez do mercado, e não das vantagens para o cliente.
Já vivemos num país onde a inflação é menor que um dígito e o custo total efetivo dos empréstimos e financiamentos ultrapassa os 400% ao ano.
E as taxas - por serviços simples e corriqueiros, que no passado eram até gratuitos, se transformaram num assalto autorizado aos bolsos do consumidor.
Se a diversidade, sob este ponto de vista, nos traz um leque maior de opções e a consequente oportunidade de caminhar para o lado que nos trata melhor, a concentração num mercado tão perverso - de juros abusivos, taxas incontidas, comissões de permanência desconhecidas e tarifas que são majoradas ao gosto dos banqueiros (com o governo conivente e convenientemente cego ao que acontece), pode sim estar apontando para um momento de perda real nas relações consumidor-sistema.
Sem mencionar o ponto de vista do trabalho, por exemplo, que já sendo difícil encontrar nas agências pessoal empregado em número suficiente, para ocupar apenas as posições de frente (caixas, por exemplo), a fusão lança dúvidas sobre o volume de espaços de trabalho que, duplicados em caso de fusão, com certeza deixarão de existir.
É certo que o mercado faz o seu papel em defender a concentração, tomado pelo pânico especulativo que lhe é peculiar neste instante.
Mas, como sempre acontece, o fiel da balança deve nos deixar - consumidores - ao final mais desprotegidos.
E dependentes.

Nenhum comentário:
Postar um comentário