segunda-feira, 27 de maio de 2013

O desafio de tornar uma cidade sustentável

O desafio de tornar uma cidade sustentável
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(Por Jose L Esteves, Especialista em Gestão Urbana e Desenvolvimento Sustentável, GUDS/CEPAL-Banco Mundial-UN Habitat/ Universidad IberoAmericana, Santo Domingo,2001)



Muito temos ouvido - e visto, na mídia internacional, a respeito do tema das Cidades Verdes, Ecocidades ou Cidades Sustentáveis*, entre diferentes nomes pelos quais são conhecidos os municípios e/ou cidades em diferentes países, que abraçaram um padrão de desenvolvimento que tem como característica fundamental, o fato de se tornarem mais amigáveis para o ser humano em seus projetos de planejamento e crescimento urbano.

A grande realidade é que, guardadas as devidas proporções culturais, econômicas e sociais, o desejo de que tenhamos num futuro próximo as capitais e metrópoles brasileiras nesta relação é tão improvável quanto impossível de ser realizado. A exceção é Curitiba, capital do Paraná, que já vem sendo considerada internacionalmente uma Cidade Sustentável, ainda que muito tenha que ser feito para consolidar, de forma permanente, esta indicação. Basta uma visita local, para que isso possa ficar mais claro.

Isso se deve mais, principalmente, as dificuldades encontradas para tornar "amigáveis", cidades que já superaram a marca de 11.0 milhões de habitantes - como é o caso de São Paulo (se considerarmos a região metropolitana e vizinhança, chegamos facilmente aos 15.0 milhões), ou 6.5 milhões no caso do Rio de Janeiro, ou Salvador com 2.7 milhões, ou Brasília com seus 2.6 milhões, ou Fortaleza e seus 2.5 milhões, entre outros exemplos.

Segundo o IBGE, a lista dos 15 municípios mais populosos do Brasil em 2012 contabiliza cerca de 21% do total da população brasileira, chegando ao gigantesco número de mais de 40.5 milhões de pessoas, habitando seus espaços urbanos.
Entre as cidades ditas sustentáveis internacionalmente, para se ter uma ideia, apenas São Francisco (USA) e Sidney (Australia) podem ser consideradas "Metrópoles" no caminho da sustentabilidade. E para constar, a cidade de S. Francisco tem pouco menos de 1 milhão de habitantes. Sidney tem 3.6 milhões de habitantes.

Décadas de descaso com a gestão dos planos e diretrizes urbanísticas nas principais cidades brasileiras, pródigas em colocar no papel visões de sustentabilidade até adequadas - em alguns casos, mas igualmente reprovadas no "fazer cumprir" por parte das administrações públicas, projeta a natureza do trabalho que terá que ser realizado ( e que trabalho!) para que, num choque ainda possível, as alternativas do desenvolvimento sustentável estejam ao alcance dos municípios considerados médios.

Faltam as administrações públicas - de maneira geral, além da construção de planos de desenvolvimento urbano que façam uma conexão direta do "ideal" com o "possível" por parte de seus gestores - tanto no poder executivo como no legislativo, o investimento na capacitação de seus colaboradores essenciais, e a vontade política para colocar em prática soluções e alternativas de planejamento urbano que possam ser priorizadas nos orçamentos públicos municipais, estaduais e federal.

Aliado a isso, os gestores públicos precisam chamar a população que habita seus municípios a ser co-partícipe neste processo de transformação - trazendo esta colaboração do papel de "objetos" para o de "sujeitos" da mobilização pelo desenvolvimento sustentável de seus espaços, que trará impactos significativos em temas como abastecimento, descarte de resíduos, geração de energia, transporte e mobilidade urbana, relações geopolíticas, entre outros.

Já para os pequenos municípios e cidades, o trabalho poderá ser estruturado - senão de maneira mais fácil, pelo menos com a referência do que "não fazer", em termos de crescimento e desenvolvimento, utilizando além de suas próprias vocações culturais, a própria capacidade de aprender por observação com os desacertos, erros e até desastres provocados por seus pares maiores, com a inobservância na adoção de seus modelos. Alguns dos quais, ainda bem recentes.

*Uma lista de cidades consideradas sustentáveis - e do seu porque você encontra em
http://www.mundosustentavel.com.br/2011/09/as-10-cidades-mais-sustentaveis-do-mundo/

domingo, 28 de abril de 2013

Do jeito que está, onde o Brasil vai chegar?


No governo - federal, estadual e municipal, riem de nós! 
Políticos corruptos indicam apadrinhados corruptos e loteiam a maquina pública! 
Hienas asquerosas vestindo mandatos parlamentares ou ocupando altos cargos na administração publica tomaram de butim o Brasil! 
Riem de nós! 
Debocham da nossa subserviência  da nossa passividade, da total falta de reação a tudo que arquitetam na penumbra e colocam em prática, sempre as claras! 
Prédios construídos em programas de casa própria estão sendo mal construídos, racham e caem mesmo antes de chegarem a ser entregues. 
Minha casa, minha vida - uma desgraça para o mutuário, travestindo o ganho ilícito de empreiteiros - os mesmos de sempre, velhos abutres e de novos que chegam, urubus que pousam e se aproveitam do banquete servido...
Pessoas morrem nos hospitais sem conseguir ser atendidas! 
Vidas que se perdem desnecessariamente, antes de chegar as salas de atendimento, pessoas que se amontoam nas emergências hospitalares e sabem que vão ter que esperar a boa vontade de quem compareceu ao trabalho para que possam ser atendidas...
Escolas que nada ensinam, retroagem o estágio que conseguimos alcançar, protegidas por doutores pedagogos de merda, que ainda deixam os paletós (quando homens) ou as bolsas (quando mulheres) penduradas nas cadeiras que rangem das repartições publicas da educação sitiada pelos guerrilheiros, analfabetos culturais mas bem alfabetizados, quase doutorados em viver a custa dos loteios e apadrinhamentos - gente mesquinha, que nunca, mas nunca mesmo trabalhou de verdade, viveu dependurada na benesse de cargos de conveniência...
Tentam sitiar alguns locais de resistência, como as medidas para impedir o MP/ministério Publico de investigar crimes - quase sempre os de colarinho branco, políticos. 
Tentam diminuir as atribuições do STF/Supremo Tribunal Federal, agindo de forma sorrateira, transformando condenados mensaleiros em julgadores de seus deméritos...
Usam e abusam do BNDES e do Tesouro para ajudar aos amigos - que nunca pagam a conta da ajuda, e que transferem, sem pudor, patrimônio obtido com as facilidades para paraísos no exterior...
Empresários X de papel, que enriquecem a si próprios e suas famílias a custa de nosso suado imposto, convertido em benesses. 
Governadores proprietários de ilhas paradisíacas, ex-operário presidente lobista de uma corja que não tem prontuário porque o lugar mais fortalecido de suas empresas é a assessoria jurídica - até com ex-ministros da justiça de prontidão por um naco da pecúnia. 
Todos riem de nós, debocham de mim - de você! 
Andamos num metro ou num trem urbano como sardinhas - pior, porque sardinhas, mortas, tem mais dignidade dentro das latinhas. 
Nós, ao contrário, entramos e saímos vivos deste martírio, dia-após-dia. 
Não conseguimos pegar um ônibus metropolitano para ir ou voltar do trabalho em que não tenhamos que nos espremer dentro, e assim ficamos, quase sempre mais de uma ou duas horas enquanto prefeitos e governadores sobrevoam o trânsito parado em seus helicópteros oficiais - onde o custo é da nossa conta-cidadão. 
Riem de nós, tomam vinho - juntos, sempre juntos, e gargalham dos otários que somos... 
Trabalhamos 1/3 do ano para juntar dinheiro para entregar a uma grande corja. 
Pagamos os banquetes, as residências oficiais, as passagens de avião para o exterior, a moradia, seus empregados, tudo! 
Riem de nós, que ficamos felizes quando chega a sexta feira - como hoje! 
E saímos com os amigos ou amigas para aliviar, temos um tempinho a mais para brincar ou conversar um pouco com nossos filhos, tentar alegrar um pouco as nossas vidas. 
Somos medíocres, reproduzimos qualquer coisa na internet - como autômatos, maquinas descerebradas, incapazes de julgar que bobeira é bobeira, mesmo - não precisa ser filosofada. 
E só deveria ser compartilhada como isso, sem grande devaneios ou idolatrices.
Depois chega o final de semana, é como se enfiássemos a nossa cabeça num Freezer imaginário e nele congelássemos o que vemos e não gostamos, e estará de volta a ocupar as nossas vidas na segunda seguinte. 
Riem de nós, eles. 
Debocham e zombam de nós. Somos vistos- mesmo quando temos grande capacidade e articulação como cidadãos de segunda,terceira categoria. 
Aprendemos a deixar passar, virar de lado, atravessar a calcada, dobrar a esquina, perder de vista e seguir em frente. 
Em frente para onde, cara pálida? 
Em frente para onde, índio, afrodescendente? 
Em frente para onde, quieto ou intransigente, calmo ou gritante, acendente ou revolucionário de mentirinha? Em frente? Para onde? 
Eu quero um Brasil diferente. 
Mesmo que não seja para mim! 
Quase nunca desabafo, nas redes sociais. Tento contemporizar. 
Desculpem, hoje não deu...

terça-feira, 9 de abril de 2013

Cartas da Cidadania/ De: CelsoFurtado_CEU Para: DilmaRousseff_PresidBR


Cartas da Cidadania

De: CelsoFurtado_CEU
Para: DilmaRousseff_PresidBR

Estimada Senhora Presidente (me permita esta forma de saudação, ainda não consegui me acostumar com a que a senhora sugeriu - e nem com a rapidez como foi feita a aceitação dela aí embaixo):

Poderia começar este meu despretensioso contato quase da mesma forma que, nestes dez anos e pouco de governo da estrela - seu e de seu antecessor, também meu conhecido Luis Inácio, vocês tem o hábito de tornar pública: Nunca antes na história desse país, um conjunto de pessoas tão díspares e de competência tão discutível, encasteladas em praticamente toda a máquina executiva da administração pública (ministérios, autarquias, bancos, empresas e fundações públicas) esteve presente, para traçar os rumos deste grande país que é meu, seu, de todo o povo brasileiro.

Para mim, lá se vai quase uma década desde que peguei o trem para as estrelas (sem trocadilhos, claro).
Creia-me, quando digo, por aqui existe uma constelação de brasileiros que merece tal comparação.
Eu, de só menos, pela modéstia que deve caracterizar este paraibano, que motivo de orgulho que não consigo disfarçar, bem sei, ainda goza de bom conceito no seu andar e entre muitos.
Para mim, um pombalense que se viu frente a frente com diferentes gerações de pensadores - da senhora, inclusive, fui professor, quando o tema foi economia, e o dito como um privilégio.
Apesar que - a época sua lá no Rio Grande, no máximo tenha merecido uma nota três pelo conjunto da obra. Credite-se, é verdade, em parte ao fato que um secretário de estado não governa sozinho. Principalmente numa secretaria de fazenda.

Confesso que o faço agora, não sem ter refletido muito com o meu grupo de prosa, aqui onde estou: Noves fora eu mesmo, fazem parte dele o Nilton Santos, o Josué de Castro, Paulo Freire, o Mário Henrique Simonsen, o Roberto Campos, o Nelson Werneck Sodré, o Caio Prado Júnior, o Inácio Rangel - entre outros, para que a senhora veja como tantas correntes podem se encontrar, quando necessário, por um bem maior.
Pelos menos aqui em cima, obviamente.
Sabemos do grande esforço que é tentar o mesmo por aí, onde a terra ainda é plana aos olhos daqueles que só vêem e falam de maneira oportunista. Ouvir? Nem pensar.

Mas a dificuldade é mãe da oportunidade, numa tradução livre do ideograma que os chineses (eles mesmos, estão em todo o lugar, não é mesmo? E com a economia servindo de referência - e de locomotiva para o lado capitalista do planeta), tem. Quem afirmaria, apostando apenas no que via na terra de Mao, tamanha importância nas balanças comerciais de todo o globo...mas voltando, que eles tem para definir o que significa a palavra CRISE. Falada assim, em maiúsculas mesmo, porque é sobre ela que precisamos jogar a sua atenção, pois muito nos aflige.
O que está ocorrendo no Brasil, hoje, é aterrador. Sob qualquer perspectiva, afirma o Darcy Ribeiro, que acabou de se juntar a nós aqui na conversa.

Basta ouvir um pouco mais do que fala o Carlos Lessa ou a Maria da Conceição Tavares ai embaixo, até retirando é claro, um ou outro choramingo mais fortemente "estruturalista" ou "desenvolvimentista", como devem sugerir pares mais próximos de sua área econômica e de planejamento.

Não restará pedra sobre pedra nos próximos vinte, trinta anos, que não seja na forma de pó.

A educação brasileira - que sempre afirmei ser a moeda mais importante para o país (nisto compreendeu quem precisava, desconversou quem não se importava), quando a tinha como leitora ou mesmo ouvinte, não apenas relativa ao ensino da economia, da qual fui professor, mas no seu sentido stricto - do Educare, está sofrendo ataques tão impiedosos e profundos, revestidos de toda a sorte de descalabros, inclusive de "sábios doutores" da pedagogia do inexplicável (Josué de Castro, Paulo Freire e Darcy Ribeiro estão me pedindo para frisar bem isso), como justificativa para a adoção de políticas que vão emburrecer um Brasil, que aos trancos e barrancos, diga-se lá, avançava.
Não vou falar do que o mundo já demonstrava na época da Europa Setentrional (Noruega, Suécia e Finlândia) já naquela época, minha, em termos de considerar a educação um investimento estratégico, nem dos exemplos recentes que estão por aí, como na Coréia (do Sul) e Irlanda, entre outros.
Eles são bem conhecidos e vistos, basta olhar - até na internet, e querer enxergar, que fica fácil.

No que diz respeito a economia, por seguinte, estamos todos surpresos com tal sorte de malfeitos de sua equipe: Nem a carga tributária (a maior do mundo) imposta aos nossos brasileiros e brasileiras - e aos brasileirinhos e brasileirinhas, que já vão herdando as consequências, consegue frear a dívida pública, provocada pelo inchaço sem precedentes na máquina do governo.
O crescimento foi pífio quando outros cresciam o dobro, o triplo. Agora é quase nulo - e os outros continum a crescer a taxas maiores.
 As políticas de transferência de renda, antes com seu grau de acerto, se tornaram com o tempo, apenas moeda de troca para um projeto de poder que beira o descaso e o colapso.
Havia gente do calibre de Frei Beto, no início do Fome Zero e no esboço do que seria hoje uma grande cartada sua. Andava de mãos dadas com a Dra. Zilda Arns - também presente na nossa turma.
Foi-se, ele, do governo. Ela, acabou vindo mais cedo do que devia, para junto de nós.
E aquela proposta perdeu-se no rio de promessas e do marketing político deste período - mais bem remunerado para as agências de propaganda do que qualquer outro no passado.

Mesmo os acenos que se fazem agora, como de resgatar o preço justo da energia (a senhora mandou baixar, com ares de quem mandava - mas seu ministro entregou quase R$ 9 bilhões do tesouro nas mãos das empresas, e no mês seguinte já existiu reajuste delas), desonerar a cesta básica de impostos federais (ela subiu depois da sua medida em 14 capitais), ou incentivar a indústria automotiva (que é totalmente insustentável, do ponto de vista do desenvolvimento sustentável, diga-se de passagem), tem dado mostras cabais de desacerto, frente a uma inflação oficial (medida com expurgos de toda a sorte, sabemos bem), que teima em querer se mostrar de forma mais agressiva. O tomate anda custando mais caro do que carne bovina, pode isso?

A infraestrutura, nem me o diga. Tão importante e necessária para qualquer plano estratégico nacional de crescimento - como era de se esperar, em meio a tantos PAC's I/II/III, divulgados e não concluídos, é de doer o coração.
Portos que não são capazes de dar conta de uma supersafra e alterar a balança em nosso favor - veja a confusão que se forma ao escoar a produção de grãos pelo porto de Santos - sem falar que não existem caminhões suficientes (que falta que fazem uns trens de carga neste modal, como deveria ser, não é mesmo?), estradas privatizadas (desculpe, mas é verdade - esse negócio de chamar de concessão é apenas um conforto para seus ouvidos, e nada tem de diferente), que são cuidadas apenas nos trechos dos pedágios estratosféricos: Imagine um sujeito gastando cerca de R$ 50,00 em tarifas para sair de SP e chegar no RJ pela Nova Dutra, ou em MG pela Autopista Fernão Dias. Para ir, para voltar são outros R$ 50. Ou, saindo de S.Paulo e indo para um passeio nas praias do litoral norte pagar de uma só tacada R$ 22,00 (vinte e dois reais) a Ecovias para ir e outros tantos para voltar, é ou não é estratosférico?
Sem falar, convenhamos, que estas concessionárias são formadas pelas empreiteiras que receberam o dinheiro público (e bastante dinheiro, mais do que são pagas em qualquer outro país por km), para reformar estradas, sem garantia de qualidade, para depois passarem a ocupar o caixa de um quase-imposto que temos estabelecido para circular.

A Petrobras, que via-se como a jóia da coroa, estava, na verdade, mergulhada na subadministração.
Perdeu o que tinha, apostando no que poderia ter, com essa história de explorar no pré-sal ou atuar além mar na exploração ou refino (veja que isto me parece até caso de polícia, mas sabemos que em nada dará), acabou não tendo nem um pouco do que estimou conseguir. Ou esta política duvidosa, de valorização do produto nacional, de comprar mais de um tudo por aqui, e pagando mais caro do que se estivesse importando. Perdeu em dois anos em valor de bolsa - na média, praticamente 1/3 do que valia, quem sabe até menos do que em dinheiro vivo, com os investimentos equivocados e fruto da irresponsabilidade de entrega aos compadres.

Seus ministros e uma boa parte de sua equipe não podem acertar, porque quase nada sabem.
E a senhora chega já ao ministério de número 40 (quarenta). Cuidado se faz necessário, até porque essa dezena é de um aliado seu que já anda alçando seu vôo solo, rumo ao pleito do próximo ano.

Dói mais em mim que a senhora saiba de tudo - ao contrário do que pregava o outro, e não tome uma atitude de governante, do que dizê-lo, porque assim o é. Os acertos políticos, que os colocam nos seus lugares, nada mais são do que uma desgraça ambulante e reincidente.

Não deixe o Brasil naufragar, é o que lhe, fervorosamente, lhe pedimos.

Mesmo que, para isso, seja necessário mudar mais do mesmo, que pouco ou nada vale, e colocar no lugar quem valha a pena. Para isso se confere mandato a um(a) presidente(a), não é mesmo?

Por aqui vou ficando, torcendo pra que até 2014 se ponha no lugar um pouco mais do valor que inexiste agora. Votos que lhe desejam todos nós, por aqui.
Estaremos sempre disponíveis, para o que precisar.
Basta nos contatar em qualquer boa biblioteca.

Desejo-lhe boa sorte, e com um abraço fraterno me despeço,

Cordialmente,

CelsoFurtado_CEU





terça-feira, 2 de abril de 2013

Cartas da Cidadania/ De:@MartinLutherKing_CEU Para:Dep.MarcoFeliciano_CongressoNacionalBR



Cartas da Cidadania

De: @MartinLutherKing_CEU
Para: @Dep.MarcoFeliciano_CongressoNacionalBR
cc: @Dep.HenriqueEduardoAlves_Presidente_CongressoNacionalBR
     @Dep.AndreMoura_PSC_CongressoNacionalBR

Caríssimos Senhores Deputados (sem trocadilhos - claro, desculpem o possível desconforto da saudação):

Já faz algum tempo que tenho observado o Brasil (creiam-me quando o digo, pois desde que aqui cheguei, tenho me dedicado ainda mais as atividades de observação e contemplação das coisas do mundo).
Se vocês conhecem a minha história ou, pelo menos, uma pequena parte dela - já chegando ao final dos anos 60 (que anos aqueles, não? Até no Brasil...), hão de recordar o quanto é importante para mim a questão dos direitos humanos.
Assim como foi para alguém que vocês conhecem e admiram tanto, o Herbert de Souza (Betinho, para os amigos), pessoa maravilhosa com a qual converso muitas vezes - o que é bem fácil, já que concordamos quase sempre com tudo a este respeito.
Aliás, vale a pena ressaltar que este sempre foi um assunto delicado na América: Desde o querido presidente Abraham Lincoln até esse músico inglês cabeludo, chamado John Lennon (que sempre passa por nós assoviando uma melodia conhecida e ajeitando seus óculos imaginários - aqui onde estamos eles não são mais necessários), a idéia de um mundo em que todos somos iguais para o outro e vivemos em paz, nem sempre é assunto que termina bem. Literalmente.
Quando me lembro dos tempos de menino, minha amada cidade de Atlanta, no glorioso estado da Geórgia - ainda que pesem os tempos difíceis da grande depressão americana que vivemos naquela época, sempre foi minha maior referência de beleza.
Ainda assim, impossível não se sentir fascinado por todas estas maravilhas que vejo neste seu país.
De norte a sul, "from east to west" (de leste a oeste, traduzindo), não há como deixar de admirá-lo e ao seu povo, brasileiro, tão batalhador quanto esperançoso.
E calmo até, devo dizer. Mas - como faz questão de me recordar o mesmo Lennon, talvez seja por conta de toda ebulição social em que vivi, manifestada muitas vezes de forma exacerbada - até violenta, por parte das pessoas, quando se posicionavam na defesa de seus interesses.
O motivo que me leva a sair um pouco deste momento de contemplação apenas, é que vejo daqui, com um misto de tristeza e pesar, toda esta discussão que está sendo provocada (e lá bem se vai um mês) desde de que o senhor assumiu um lugar, reservado por seus pares partidários, na Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal. Sei bem, senhor deputado, como são estas encrencas: Não nos falta aqui uma boa alma da vida política para explicar os caminhos tortuosos que levam a estas escolhas.
Há entre nós um senhorzinho, brasileiro e distinto chamado Ulisses Guimarães, inclusive, que entre um gole e outro no seu Poire (que ele adora), nos conta boas histórias de gente que ainda está neste seu andar, frequentando as mesmas salas e corredores. Garanto-lhe: Fonte como ele é difícil de encontrar.
Pena que tenha partido daí, em circunstâncias trágicas que, a bem da verdade, dificilmente serão totalmente esclarecidas. Pelo menos é o que nos acena e afirma um outro senhor, mineiro, que governou com grande popularidade o Brasil nos idos de 60, e que também saiu da cena terrena num acidente trágico.
O nome dele é Juscelino Kubistchek de Oliveira (JK, para os seus pares). Mas pede para avisar por aí que está bem, acompanhado de uma dupla-sensação: a de ter contribuído com o país e a do dever cumprido.
Mas, voltando ao que me deixa triste, é que o critério das escolhas para presidir a sua comissão em especial - mas também outras, está hoje mais ao sabor do que não faz o menor sentido - do que o contrário, como deveria ser.
Eu que fui um protestante fervoroso, de uma linhagem familiar que ainda hoje é lembrada na Ebenezer Baptist Church - onde fui batizado na fé cristã e na qual me tornei reverendo, sei bem que a nossa fé não deve - em nenhuma hipótese, ser utilizada para mascarar ou subverter a palavra.
Muito menos escudar imperfeições pessoais ou rasgos de intolerância, que vez ou outra teimam em contaminar aqueles que seriam os responsáveis por apresentá-la, na essência pura, nas suas assembleias e congregações.
Além disso, sempre esteve claro para mim - graças ao Senhor Jesus, meu Pastor, que religião alguma deve semear a cisão e a discórdia entre os homens. E que, a melhor nação é aquela em que todos podem professar, da forma que bem entenderem, a sua crença.
Não quero me alongar muito e sei que o senhor deve ter os seus motivos pessoais para querer acreditar que não está no lugar errado.
Mas está.
E vejo, com pesar, que tal o estado de coisas também deve entrar na conta, compartilhada, destas lideranças perdidas e sem sentido que habitam consigo a Câmara Federal. Esta casa, que já foi palco de episódios que honraram a nação e aqueles que aí estiveram portando um mandato, hoje se encontra a merce - infelizmente, da pequena valia da atribuição parlamentar, do espírito profano do individualismo e da subserviência catártica a qualquer benesse que seja depositada pelo Executivo, como o biscoito servido ao cachorro amigo que nos cumpre uma tarefa.
Uma casa de Leis desinteressada e omissa. Líderes partidários que não são líderes. Presidentes que não presidem, de fato. Sendo assim, senhor deputado, foi criada a confusão descabida.
Um desrespeito a importância intrínseca que deveria obter, numa casa parlamentar, o tema dos Direitos Humanos.
Sei que lhe cabe uma decisão, e peço-lhe, em nome da fé cristã: Renuncie.
No mais, tudo se ajeita e - segundo me confidenciou Ulisses, nada precioso - que não seja um pouco da vaidade, o senhor perderá. Mas, vaidade não combina muito com a fé cristã, não é mesmo.
É apenas uma necessidade humana.
Breve e vã.
Aceite meus cordiais cumprimentos,
Saudações fraternas,
@MartinLutherKing, Jr_CEU.

sexta-feira, 22 de março de 2013

Cartas da Cidadania/ De: @SobralPinto_Ceu Para: @BrenoGuimarães_JustSP


De: @SobralPinto_Ceu
Para: @BrenoGuimarães_JustSP

Exmo. Dr. Desembargador Paulista,

Quem lhe escreve agora estas poucas - porém decididas linhas, sou eu, um humilde representante dos trabalhadores da justiça que já caminhou por este Brasil.
Sei que teimam a todo instante, me atribuir títulos superlativos por aí e no mundo - principalmente na seara do direito, mas onde estou, também sei, não há valia outra que não a retidão de caráter e a simplicidade com a qual busquei usufruir dos anos em que estive por aí.
Muitos que me abordam, repetem inclusive as reverências as quais nunca dei muita atenção: A bem da verdade, é quase sempre muito triste a chegada de novatos (aqui, que seja bem compreendido), pois não conseguem entender - ou aceitar muito bem o fato de que postos ocupados em cortes de justiça, sejam eles de instâncias primeiras ou das superiores - onde as decisões, por últimas, exigem muito da responsabilidade e do espírito puro da justiça, não significam autorização para o livre caminhar nos jardins da paz do espírito.
Asseguro: Lugar mais belo não há!
Se bem que sinto falta, ocasionalmente, da minha Barbacena querida, pois o que dizem por lá também é uma verdade: Um mineiro pode sair de Minas, mas Minas nunca sai do coração do mineiro.
Talvez tenha sido essa minha característica, esta "mineirês" (meus compadres Carlos Drummond de Andrade - que é mineiro como eu, e Graciliano Ramos - com sua têmpera de bom alagoano, tem lá suas pequenas divergências sobre isso), que me mantenha longe das discussões que, vejo bem daqui, continuam a se criar em nome do que, dizem, ser a justiça.
Sabemos, tanto pelos estudos que aprofundam o conhecimento sobre o nascer das leis, como pela prática de nossa vida, dedicada a busca do equilíbrio entre a natureza humana e a necessidade de viver em sociedade, que toda decisão se reveste de grande risco, não vai agradar a todos.
Ora, pois, esta é a regra do jogo desde a criação do mundo: Quando Deus, em sua infinita sabedoria e competência nos criou, a sua imagem e semelhança (o que agora, pela proximidade Dele, não estou bem certo se devo comentar), com o livre arbítrio - liberdade para acordar e discordar do que seja,  nos colocou num plano que é motivo de controvérsia e ciúmes até entre os anjos (novamente, pela proximidade, não seguirei comentando).
Dito assim, tem sido com grande desconforto e uma grande dose de tristeza que vemos daqui o quanto relegamos a nossa divindade aí embaixo, principalmente numa época em que, diz-se, estamos tão evoluídos no planeta. Pronto: Agora me vejo tendo que acalmar aqui ao lado o grande Carlos (Charles Darwin para os não-íntimos), que sente falta de Galápagos e da pureza da evolução que viu nos outros animais.
Mas, perdoe-me o divagar momentâneo, como dizia, me assusto ainda com a capacidade que as pessoas têm de matar a inocência e perder a capacidade de se indignar. As vezes, de maneira quase que complementar.
Foi o que sentimos aqui, meu caro Dr. Breno Guimarães, quando naquele dia 10 de março passado, aí na Avenida Paulista em Sampa (passou o Adoniram Barbosa por aqui, não pude resistir), o jovem e humilde David Sousa, lavador de janelas, de bicicleta, cruzou no caminho do trabalho, vindo de casa (que fica bem longe, diga-se), com o também jovem Alex Siwek, estudante de psicologia (Sigmund não quer comentar sobre este rapaz, mesmo com minha insistência), que voltava de uma balada, onde havia consumido várias doses de bebida alcoólica. Dirigindo o seu carro, em alta velocidade, numa área de ciclistas demarcada por cones, sob efeito de bebida (além da imprudência e do desprezo pelas regras de convivência civilizada), ele atropelou David Sousa e na batida, arrancou o seu braço e, com este preso ao para-brisas do veículo, evadiu-se do local, sem parar ou prestar qualquer socorro. Estava acompanhado de um carona, deixou-o em casa e - ato seguinte, encostou o carro próximo a um córrego, retirou o braço preso ao para-brisas e o jogou num valão!
Dito assim, não fosse a realidade, pareceria a qualquer um a cena de um filme de terror.
Mas aconteceu, no início da manhã, na maior metrópole do Brasil, a vista de dezenas de testemunhas.
Pois bem, Alex Siwek, perpetrador e réu confesso, acabou preso e dormia a 12 dias na prisão.
Até ontem, quando, para minha surpresa pessoal, foi solto por uma decisão sua.
Saiu da cela que ocupava a pouquíssimos dias, no Presídio de Tremembé, e foi de carona no esportivo mercedes benz (grifo meu) de seus defensores para casa.
O jovem David Sousa, ao contrário, continua internado no Hospital das Clínicas - teve seu braço arrancado, e, vemos que, pelo andar da carruagem solidária que ainda passa aí embaixo (Graças a Deus!), está contando com o apoio de uma legião de pessoas, desconhecidas dele, para que tenha - após sua alta médica, a possibilidade de receber a doação de uma prótese, e consiga ingressar num processo de reabilitação que mitigue a situação traumática que viveu - e que o acompanhará para o resto da sua vida. Para ele, segundo os médicos, ainda não há previsão de soltura - perdão, de alta.
Mas, venhamos e convenhamos - e mesmo o Sr. há de concordar, internação hospitalar acaba sendo uma espécie de prisão, para quem, até bem poucos dias, pedalava sua bicicleta a caminho do trabalho. Como fazia David Sousa.
Não tenho a pretensão, nunca a tive, de estar certo em todas as minhas colocações.
Mas, tenho certeza, nunca em toda a minha vida, dedicada aos princípios da justiça, quis optar por uma leitura da Lei, que por reducionista, tornaria nebuloso e injusto o seu entendimento e a consequente aplicação de seus pressupostos a bem do coletivo.
Até apoio que, na magistratura, decisões sobre a Lei não tem que seguir o que pensa a opinião pública.
Mas vejo, com pesar, que a oportunidade de fazer justiça, ao que parece, se encontra mais ao sabor da vaidade de decisões extemporâneas, das seguidas leituras e releituras da Lei, com seus acórdãos, jurisprudências e  toda a sorte de recursos, quase infindos, do que aquela visão, mais correta - por simples e justa, que é a espinha-dorsal para todo o ordenamento jurídico do seguir.
Me perdoe se, ao escrever estas poucas linhas, saio do meu estado habitual, de apenas espectador, e não o faço para colocar-me no centro das atenções. Isso deixo agora aos vivos, como o senhor.
Conselho bom, diz-se, é conselho pouco.
Quando decidimos de forma errada, temos que ter a ousadia de corrigir o próprio erro.
Especialmente, quando a decisão deixa a sensação de impunidade como algo fortalecido.
Imagine o efeito que poderá ter em mentes jovens, tão descrentes de bons exemplos, um caso tão emblemático como este, onde desde o início o que esta certo aos olhos, certo está.
E o errado, também assim.
Por fim, quero apenas dizer que existe um grande espaço para o abandono da soberba, do decidir ao sabor da vaidade.
Me despeço, e aproveito para enviar-lhe a saudação do também amigo - este carioca, Antonio Evaristo de Morais, pois nosso grupo aqui adora uma boa prosa.
Com respeito,
@SobralPinto_Ceu




sexta-feira, 8 de março de 2013

A Venezuela ficou sem Hugo Chaves.

E nós no Brasil? 

Ao contrário, certamente ficamos com algo! 

Ficamos com um Congresso Nacional que é a vergonha maior de todos os parlamentos, em nada representa os desejos e aspirações do Brasil - e é seguido, na iniquidade de suas atitudes por praticamente todos os parlamentos estaduais e municipais. 

Ficamos com um Executivo Federal que é o retrato da costurapolítica dos interesses de senhoras e senhores que pensam, apenas, em cavar mais fundo as suas minas pessoais de riquezas e tesouros - sem o menor pudor ou vergonha, de que elas advenham do patrimônio construído - com muito trabalho e suor, por nós, simples e humildes brasileiros.
E é seguido, sofregamente, pelos executivos de estados e municípios, como hienas e doninhas, preocupados a dividir e repartir a parte que lhes cabe em cada butim, da maneira que melhor lhes aprouver.
Toscos, em grande parte, nem se preocupam em disfarçar a total inapetência que tem na defesa de interesses de seus munícipes e estadinos. São o retrato da pobreza de idéias e da indiferença que empurra todo o tipo de voto para uma urna - eletrônica, e onde o fato de ser minoria, a depender do resultado do sufrágio, torna-se até galante.


Chaves - ele sempre, se intitulou General da Nova Republica Bolivariana da Venezuela, e dito assim, foi acusado de manipular os instrumentos democráticos para seus planos de governo pessoal e centralizador.
Nossos políticos, ao contrário, bradam aos ventos - sempre que acuados no chafurdar do deleite que permite o livre acesso (deles) a toda sorte de benesses e subtrações - algumas até legais, ainda que muito imorais, procuram se escudar nos votos obtidos - daqueles que somos obrigados a depositar, como se fosse um salvo conduto da democracia para seus desatinos e pilhagens.
Pegos com a mão na massa, filmados e gravados, não se lhes altera minimamente a consciência, certos que estão do fazer valer do espírito de corpo,porco, que os aninha e protege - disfarçado de plenários atentos a democracia e as causas populares.


Hoje - e durante algum tempo, a Venezuela Bolivariana vai prantear seu fundador.
Quem sabe não seja, até neste momento, um rasgo de sorte deles?


Porque, a exceção das duas mais recentes, no Rio, para deputado estadual,federal e vereador - e até para Presidente (uma mulher de aparência frágil, mas trazendo por dentro uma grande fortaleza), onde fiz com prazer renovado a minha opção pessoal, faz muito, mas muito tempo mesmo, que votar em algum candidato menos pior - por falta do excelente candidato, talvez tenha contribuído para o estágio desalentador da política brasileira.
Mesmo assim, quando feito, foi no vislumbre de fazer valer, num pedaço de papel ou num clique-e-confirme, a projeção do respeito que merecia e mereço como pessoa, como eleitor, como cidadão.


Não adiantou.


Mas, não desanimo: O próximo ano é o ano da volta, de focinho tremulante, daqueles que foram e chegaram as Câmaras, Assembléias, Congresso, Senado, Governos Estaduais e Prefeituras- mesmo contra a minha avaliação e vontade, manifestada pelo voto.


E eles, mais uma vez, não devem contar comigo.