terça-feira, 2 de abril de 2013

Cartas da Cidadania/ De:@MartinLutherKing_CEU Para:Dep.MarcoFeliciano_CongressoNacionalBR



Cartas da Cidadania

De: @MartinLutherKing_CEU
Para: @Dep.MarcoFeliciano_CongressoNacionalBR
cc: @Dep.HenriqueEduardoAlves_Presidente_CongressoNacionalBR
     @Dep.AndreMoura_PSC_CongressoNacionalBR

Caríssimos Senhores Deputados (sem trocadilhos - claro, desculpem o possível desconforto da saudação):

Já faz algum tempo que tenho observado o Brasil (creiam-me quando o digo, pois desde que aqui cheguei, tenho me dedicado ainda mais as atividades de observação e contemplação das coisas do mundo).
Se vocês conhecem a minha história ou, pelo menos, uma pequena parte dela - já chegando ao final dos anos 60 (que anos aqueles, não? Até no Brasil...), hão de recordar o quanto é importante para mim a questão dos direitos humanos.
Assim como foi para alguém que vocês conhecem e admiram tanto, o Herbert de Souza (Betinho, para os amigos), pessoa maravilhosa com a qual converso muitas vezes - o que é bem fácil, já que concordamos quase sempre com tudo a este respeito.
Aliás, vale a pena ressaltar que este sempre foi um assunto delicado na América: Desde o querido presidente Abraham Lincoln até esse músico inglês cabeludo, chamado John Lennon (que sempre passa por nós assoviando uma melodia conhecida e ajeitando seus óculos imaginários - aqui onde estamos eles não são mais necessários), a idéia de um mundo em que todos somos iguais para o outro e vivemos em paz, nem sempre é assunto que termina bem. Literalmente.
Quando me lembro dos tempos de menino, minha amada cidade de Atlanta, no glorioso estado da Geórgia - ainda que pesem os tempos difíceis da grande depressão americana que vivemos naquela época, sempre foi minha maior referência de beleza.
Ainda assim, impossível não se sentir fascinado por todas estas maravilhas que vejo neste seu país.
De norte a sul, "from east to west" (de leste a oeste, traduzindo), não há como deixar de admirá-lo e ao seu povo, brasileiro, tão batalhador quanto esperançoso.
E calmo até, devo dizer. Mas - como faz questão de me recordar o mesmo Lennon, talvez seja por conta de toda ebulição social em que vivi, manifestada muitas vezes de forma exacerbada - até violenta, por parte das pessoas, quando se posicionavam na defesa de seus interesses.
O motivo que me leva a sair um pouco deste momento de contemplação apenas, é que vejo daqui, com um misto de tristeza e pesar, toda esta discussão que está sendo provocada (e lá bem se vai um mês) desde de que o senhor assumiu um lugar, reservado por seus pares partidários, na Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal. Sei bem, senhor deputado, como são estas encrencas: Não nos falta aqui uma boa alma da vida política para explicar os caminhos tortuosos que levam a estas escolhas.
Há entre nós um senhorzinho, brasileiro e distinto chamado Ulisses Guimarães, inclusive, que entre um gole e outro no seu Poire (que ele adora), nos conta boas histórias de gente que ainda está neste seu andar, frequentando as mesmas salas e corredores. Garanto-lhe: Fonte como ele é difícil de encontrar.
Pena que tenha partido daí, em circunstâncias trágicas que, a bem da verdade, dificilmente serão totalmente esclarecidas. Pelo menos é o que nos acena e afirma um outro senhor, mineiro, que governou com grande popularidade o Brasil nos idos de 60, e que também saiu da cena terrena num acidente trágico.
O nome dele é Juscelino Kubistchek de Oliveira (JK, para os seus pares). Mas pede para avisar por aí que está bem, acompanhado de uma dupla-sensação: a de ter contribuído com o país e a do dever cumprido.
Mas, voltando ao que me deixa triste, é que o critério das escolhas para presidir a sua comissão em especial - mas também outras, está hoje mais ao sabor do que não faz o menor sentido - do que o contrário, como deveria ser.
Eu que fui um protestante fervoroso, de uma linhagem familiar que ainda hoje é lembrada na Ebenezer Baptist Church - onde fui batizado na fé cristã e na qual me tornei reverendo, sei bem que a nossa fé não deve - em nenhuma hipótese, ser utilizada para mascarar ou subverter a palavra.
Muito menos escudar imperfeições pessoais ou rasgos de intolerância, que vez ou outra teimam em contaminar aqueles que seriam os responsáveis por apresentá-la, na essência pura, nas suas assembleias e congregações.
Além disso, sempre esteve claro para mim - graças ao Senhor Jesus, meu Pastor, que religião alguma deve semear a cisão e a discórdia entre os homens. E que, a melhor nação é aquela em que todos podem professar, da forma que bem entenderem, a sua crença.
Não quero me alongar muito e sei que o senhor deve ter os seus motivos pessoais para querer acreditar que não está no lugar errado.
Mas está.
E vejo, com pesar, que tal o estado de coisas também deve entrar na conta, compartilhada, destas lideranças perdidas e sem sentido que habitam consigo a Câmara Federal. Esta casa, que já foi palco de episódios que honraram a nação e aqueles que aí estiveram portando um mandato, hoje se encontra a merce - infelizmente, da pequena valia da atribuição parlamentar, do espírito profano do individualismo e da subserviência catártica a qualquer benesse que seja depositada pelo Executivo, como o biscoito servido ao cachorro amigo que nos cumpre uma tarefa.
Uma casa de Leis desinteressada e omissa. Líderes partidários que não são líderes. Presidentes que não presidem, de fato. Sendo assim, senhor deputado, foi criada a confusão descabida.
Um desrespeito a importância intrínseca que deveria obter, numa casa parlamentar, o tema dos Direitos Humanos.
Sei que lhe cabe uma decisão, e peço-lhe, em nome da fé cristã: Renuncie.
No mais, tudo se ajeita e - segundo me confidenciou Ulisses, nada precioso - que não seja um pouco da vaidade, o senhor perderá. Mas, vaidade não combina muito com a fé cristã, não é mesmo.
É apenas uma necessidade humana.
Breve e vã.
Aceite meus cordiais cumprimentos,
Saudações fraternas,
@MartinLutherKing, Jr_CEU.

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