Foto: AP/Associated PressO dia de hoje, 04 de novembro de 2008, terá o seu lugar na história contemporânea.
Dia de eleição para os americanos - mas de expectativa para o mundo inteiro.
A corrida eleitoral americana não despertava interesse global - pelo menos da forma que a atual, não fosse um conjunto de fatores que alterou, sensivelmente, o equilíbrio e a harmonia da disputa.
É verdade que a primeira eleição do atual presidente , George W Bush, foi um caso a parte, principalmente em função da confusão do processo eleitoral americano e as ocorrências tumultuadas no estado da Flórida (sul dos EUA) em que, mesmo com a contagem final apontando 500 mil votos a mais do adversário, o hoje multimídia Al Gore, lhe permitiu a vitória.
Antes um duelo de força entre os dois partidos (Republicano e Democrata) e palco para a defesa de ideais mais conservadores ou mais liberais, a configuração em 2008, após o 11 de setembro das torres gêmeas em New York, da guerra no Iraque, do furacão Katrina de New Orleans, da crise dos combustíveis e da escalada mundial no preço dos alimentos, e do terremoto financeiro das hipotecas e bancos americanos que já custou trilhões de dólares aos cofres públicos, e que alcançou e envolveu o globo numa crise sem precedentes recentes, a eleição de 2008 será um marco.
Os acontecimentos representaram, especialmente para os americanos, um horizonte de recessão, dívidas impagáveis, desemprego em massa e incertezas a frente.
E a sensação de que o sonho americano, em algum momento da noite mal dormida, havia se transformado em pesadelo.
Mas para todo o mundo, a sensação - guardadas as devidas proporções, também é de tensão e expectativa.
Trata-se da possibilidade de colocar um freio nas políticas equivocadas, tanto internas quanto externas, que acabaram por reviver um sentimento de anti-americanismo, no qual o atual presidente - com o menor índice de popularidade da história de seus antecessores, parece ter boa parte da culpa.
Mas é certo que, independente do resultado desta terça-feira, onde vença o favorito Barack Obama ou o combativo John McCain, o novo presidente terá bastante trabalho e gastará ainda muito tempo para desfazer equívocos, propôr alternativas, consertar o que está fora de lugar e reorganizar as relações com a sociedade americana e com o mundo.
É possível - pela intensidade do quadro, que algum tempo ainda corra no relógio das decisões definitivas, antes que tenhamos uma idéia clara da escolha, acertada ou errada dos americanos.
Mas democrática.
E este, certamente, já é o peso maior que sentem ambos os postulantes.

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