quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Ética e Negócios no Brasil


imagem: www.soxfirst.com

É cada vez mais necessária a construção desta ponte. Especialmente quando, de um momento para outro, somos bombardeados por notícias na mídia que colocam em xeque, pelo menos na teoria, o exercício da ética nas relações de negócio.
Muitas são as denúncias.
Diferentes os comportamentos e as empresas em questão.
No governo, movidas a relacionamentos tortuosos, encontramos empresas de setores como telefonia, energia e construção alternando-se como expoentes, em escândalos de maior ou menor intensidade, mas sempre com o objetivo do superfaturamento de preços, a modificação de contratos existentes e a rolagem de débitos - boa parte oriundos da sonegação ou do não-recolhimento de contribuições obrigatórias para o FGTS e o INSS de seus funcionários, por exemplo.
Já na esfera das relações de consumo imediato, mais próxima ao entendimento do dano causado a ética no mundo corporativo, a lista cresce: vai do varejo - ampliando as margens para a concessão de pseudo-descontos ou aparente vantagem nos pagamentos à vista ou a crédito dos bens ofertados, passando pelo setor de serviços - onde quem dita o preço da sua prestação é a aparência e as condições financeiras do "freguês", passa por bancos e administradores de cartões de crédito - onde a regra´se assemelha a prática da agiotagem, para desembocar até mesmo na área educacional, onde a majoração de anuidades ou semestralidades - acima dos índices de inflação e reajuste de salários e dos custos operacionais, oculta a visão imediatista da ampliação exagerada dos lucros, o exercício do domínio mercadológico e a partilha imediata de seus dividendos.
É certo que qualquer resultado da atuação nestes ambientes, têm que ser o lucro.
A coisa só complica, quando não se mede o esforço em alcançá-lo a qualquer custo.
E o arsenal de questionamentos para atribuir responsabilidades é imenso.
Culpa da cultura do mercado?
Como explicar, então, que as empresas podem ser socialmente responsáveis e obter boas margens em seu negócio?
Culpa da formação dos administradores e proprietários do negócio?
Então, como explicar que tanto as disciplinas de gestão e finanças como as de ética e responsabilidade social fazem parte do mesmo curriculum novo a ser aprendido?
Culpa da indiferença da sociedade em esboçar uma reação mais enérgica ao vilipêndio dos seus direitos nas práticas comerciais abusivas?
Sendo o caso, a busca cada vez mais intensa por fazer valer os seus direitos de consumidor, nos PROCONS e Juizados Especiais, a que seria atribuída?
Para cada tentativa de atribuição de culpa, existe uma alternativa que mostra a possibilidade de confrontá-la.
Grandes bancos e redes varejistas com seguranças que atiram em seus clientes, empresários que aparecem sendo presos acusados de corrupção e sonegação fiscal, estudantes de boas universidades particulares que são notícia - por integrar gangues e quadrilhas criminosas.
O ponto de convergência, quem sabe, a explicar é o fato de que a crise é MORAL.
Mais do que social ou econômica, ainda que não possamos deixar de lado a idéia de que estas são dimensões que contribuem com ela.
Ética no negócios.
Já passamos da hora de reforçar os alicerces, que nos permitem enxergar a linha entre a boa e a má atitude.
Para não cruzá-la, nunca.

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