segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Desastre da TAM: Indiciamento apenas não resolve

Foto: http://www.conut.com.br/
Parentes e amigos das vítimas da maior tragédia da aviação comercial brasileira - o acidente com o vôo 3054 da TAM ao aterrisar em Congonhas, não tem motivos para acalmar a angústia e indignação.
Não obstante a lentidão com que o processo - hoje com mais de 16 mil páginas - percorre o "nem sempre seguro caminho" da justiça brasileira, houve a mudança no enquadramento inicial e tipificação do crime previsto.
O que reduz, de maneira objetiva a sua gravidade, no que diz respeito a penas previstas, e dá mostras de que muita coisa ainda pode ocorrer adiante.
Que afeta aos dois lados.
A experiência com o grave acidente anterior - o do Fokker 100 que caiu após a decolagem, matando todos os passageiros e tripulantes, e o fato de que ainda hoje as ações de indenização estão correndo na justiça, já que muitos parentes das vítimas não aceitaram os acôrdos protocolares, oferecidos inicialmente pela companhia aérea, poderia ter servido de experiência para a própria TAM, no que diz respeito a lidar com os desdobramentos desta grande tragédia - que vitimou além da sua tripulação, outros funcionários que trabalhavam em seu centro de distribuição, totalmente destruído por um incêndio após o choque e explosão do avião.
Não se pode, indiscutivelmente, condenar acusados antes que se tenham esgotado as suas possibilidades - legais de defesa.
O agir da TAM no pós-tragédia, entretanto, tem conseguido atrair para si, e de forma permanente, a atenção da mídia e da sociedade.
imagem: Jornal O Globo
Pouco tempo antes, houve a queda do boeing que fazia o vôo 1907 da GOL, ao sofrer colisão no ar com um jatinho executivo, conduzido por pilotos americanos, que ignoraram o risco ao não acionar o equipamento que permitiria a identificação em vôo da aeronave e manter-se num nível de vôo não-autorizado, o que provocou a tragédia que chocou a opinião pública e que começou também a desvelar a situação da segurança aérea no Brasil.
Porém - como no caso da TAM, não foi o suficiente para manter a GOL na berlinda dos noticiários a respeito da condução do processo de indenização aos parentes das vítimas.
Sabe-se que é longo e tortuoso o caminho que podem percorrer indenizações de seguros no país, especialmente numa tragédia destas proporções.
Mas, tanto em respeito as vítimas quanto as relações existentes entre uma empresa e seu público, o andamento destes processos legais poderia sofrer um rito, digamos, menos ordinário.
Até porque, ao postergar indefinidamente as conclusões e julgar seus culpados, mesmo que sob os alegados efeitos da morosidade no judiciário, casos como este acabam por contribuir para a cristalização de antagonismos.
E a percepção de injustiça.

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