quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Crise no Consumo: Governo precisa mudar estratégia


Primeiro foi o aceno com a mudança nas regras do depósito compulsório, reduzindo o percentual que tem que ser recolhido - obrigatóriamente - ao Banco Central.
Depois, nova mudança, propondo que parte do valor a ser recolhido, pudesse ser realizada através de títulos da dívida pública - e não de dinheiro.
A pretensão, por parte do governo e das autoridades da economia era uma só: permitir que as linhas de crédito e financiamento chegassem aos consumidores e empresas.
E que a pressão não elevasse os juros na concessão do crédito.
Parecia que apenas ele - o governo - acreditava que assim caminharia a banca nacional.
Não foi.
Pesquisas nos dão conta que os juros atingiram o maior patamar dos últimos anos, e que os financiamentos ainda estão sendo negados - ainda que por intermédio de táticas diferentes das usuais.
Resultado : O governo alimentou a gordura dos bancos brasileiros - que verdade seja dita, nunca nesta crise estiveram na situação de seus congêneres americanos e europeus.
Injetou recursos da ordem de R$ 80 bilhões nos caixas dos bancos, que tomando um caminho diferente do acordado para as mudanças na regra do jogo, decidiram investir no sentido de aumentar a dívida pública em seu poder.
Não de conceder mais crédito ou manter sob controle as taxas de juros reais praticados.
Empresas - especialmente micro, pequenas e médias deixam de produzir porque não conseguem financiar seu crédito, aumentar seu capital de giro ou adquirir equipamentos de produção sem a sangria estratosférica dos juros.
Consumidores deixam de comprar, principalmente porque não dispõem de dinheiro - mais simples explicação, impossível.
Se, ao invés de colocar o ponto-de-apoio nos bancos (que na sua grande maioria, com taxas que chegam facilmente a superar 250% ao ano, não são os verdadeiros necessitados), o governo pensasse - e sua equipe de sábios - em colocar recursos diretamente na mão dos consumidores e das empresas, o resultado final seria bem diferente.
Mas, para fazer isso é preciso discernimento, competência e coragem.
Principalmente na presidência e entre os caciques do planejamento e da economia.
Qualidades que, parece, andam em falta.
Pelo menos por hora.

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