
Que ela chegou, já estamos cansados de saber.
Seus impactos na economia e em nossas vidas já foram mais do que percebidos.
Num primeiro momento, informações desencontradas - e que vemos agora, totalmente fora de crédito possível, davam conta de que os reflexos seriam pouco ou "quase nada" sentidos por aqui.
Curioso pensar que, tendo origem no sistema de mercado e nos fundamentos da economia americana, acreditava-se que ela seria menor ou não causaria grandes danos aos países emergentes.
Não somos - Brasil, Rússia, India e China (livrando um pouco deste quadro, talvez a India, com a questão da TI), exatamente um grupo de países conhecidos por assimilar melhor impactos de natureza global.
É exatamente o contrário.
Ao divulgar a retração do PIB no último trimestre de 2008, que se aproximou dos impensáveis -4% em relação ao ano anterior, o governo foi forçado a mudar de tom, e a começar a encarar assertivamente o grande problema que temos que administrar pela frente.
O barril do petróleo de US$ 150 já esteve abaixo dos US$ 40, o nível de desemprego nos EUA supera os 8%, as economias fortes - da zona do Euro e da Ásia sofrem, na tentativa de equalizar as perdas nos mercados.
A China, Rússia e Índia enfrentam problemas, e adotam pacotes extensos e medidas para evitar que o risco fuja do controle.
A injeção - direta ou indireta - do governo para tentar amenizar a crise no Brasil ja ultrapassaram a casa da dezena de bilhão, num panorama onde grandes empresas perderam até metade do seu valor de mercado, e andam as voltas com a extensão de férias coletivas e demissões.
No flanco do consumo, o estímulo ao crédito e a redução de impostos sobre produtos a qual o governo lança mão são paliativos - até perigosos, caso não se respaldem em ações mais estratégicas a seguir.
Exemplo disso nos EUA, é a nova bolha de risco provocada pela inadimplência dos cartões de crédito. É matemática básica e simples: sem dinheiro ou trabalho, não se pagam contas de cartão.
A mesma ameaça ronda as economias que seriam menos voláteis neste quesito, e são agora objeto de estudos - apressados - de bancos e administradoras também na Europa.
Fóruns e conselhos de desenvolvimento econômico parecem agir ainda sob o impacto do primeiro momento da crise, quando a esta altura, já deveriam ter se tornado mais ágeis, para orientar o pensar e agir do governo.
Autoridades parecem perdidas, quando perguntadas a respeito dos próximos passos ou das etapas do seu planejamento anti-crise.
O que se aprende - no estudo da própria teoria econômica, é que o pós-crise sempre brinda as economias com problemas de toda a ordem de grandeza, e que seus impactos podem ser observados no tempo e espaço como a figura das ondas num lago calmo, extraída da física clássica.
Sendo o Brasil um país de muitos defeitos - mas igualmente de muitas virtudes, a mudança de curso não deve ser o fator preocupante.
Mas, a velocidade da mudança - este sim.
Pode desperdiçar boas oportunidades de agir.
Com mais segurança.
E eficiência.

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