segunda-feira, 9 de março de 2009

Crise nas universidades: A história se repete



Sensação de "dejá vu", ou de repetição.
Parece que foi ontem.
Mas quando me lembro que o ano era 1992 - vejo que já faz algum tempinho.
Exatos, dezessete anos.
Num artigo publicado pela Revista Marketing (http://www.revistamarketing.com.br/), com o título " Marketing: Caminho para Excelência da Universidade Brasileira", este humilde autor arriscava-se a tratar do cenário de crise que rondava as IPES - Instituições Privadas de Ensino Superior, e lançar mão de algumas propostas que poderiam ser colocadas em prática, sem a necessidade de muito esforço.
Pelo viés da comunicação e do marketing, minhas áreas então.
Ao ler nos principais jornais, que a UGF/ Universidade Gama Filho, UCAM/ Universidade Cândido Mendes, UNIVERCIDADE e UniCarioca tem suas aulas paralisadas, por conta do atraso (em alguns casos, frequente) no pagamento dos salários de seus professores, sou levado a pensar naquelas linhas de 1992.
E, também, no que dizia Einstein : " Tudo que uma universidade não deve ser é um lugar desinteressante para seus alunos e professores".
Ao que parece, o modelo piramidal, de sustenção econômica baseada apenas na receita de mensalidades dos alunos e na cobrança de serviços acessórios, parece estar na posição de cheque-mate.
Num momento em que a economia que vivemos durante décadas, fundada no arcabouço do modelo imposto por Bretton Woods - ainda que com algumas deturpações de origem e corruptela de significados, se vê contestada, é fato de que estruturas de complexidade de custeio como as universidades, que são (ou deveriam ser) atreladas às necessidades de empreendedorismo econômico permanente, já passaram do tempo de rever seus fundamentos de desenvolvimento institucional, sustentabilidade e posicionamento de mercado.
Na época, a discussão era pela alternativa de permanecer como "instituição sem fins lucrativos" ou abrir-se para o mercado.
Começava então o debate nas reitorias e mantenedoras.
E com ele, a sensação da experiência, do ensaio de "acerto-e-erro".
É fato que o Ensino Superior, como instituto, deixou de existir.
Antes.
Mesmo de Darcy Ribeiro e da tão discutida LDB em 1996.
Situação paralela - mas guardadas as devidas proporções, também rondava as universidades públicas.
A idéia de formação de "consórcios de educação" ou de "pools" por parte da instituições, que chegou a ser ventilada, sob a égide da "cooperação interinstitucional" foi deixada de lado, o que - sem dúvida - acabou por favorecer, quase uma década mais tarde, o surgimento das atuais redes de "Ensino Superior". Só que, movidas por um conceito diferente da cooperação e da troca de experiências (boas e ruins).
Se consolidou então a visão - quase que determinista, de que a educação poderia - e deveria, ser considerada sobre a mesma ótica mercantilista das organizações de negócios, e que os conceitos empresariais, com tal e qual efeito, facilmente se aplicariam.
Mas não FOI bem assim.
E não É bem assim.
Os reflexos disso podem ser observados hoje, por exemplo, tanto nas mesmas estruturas educacionais citadas em 1992 - como foi o caso das confessionais - caso da PUC, como naquelas que consolidaram seus avanços sobre a possibilidade de migrar do status de "faculdades integradas" para "centro universitário" ou mesmo "universidade especializada", considerando que esta "promoção" ou "avanço" poderiam ser interpretados unicamente, como frutos de sua competência acadêmica.
O que se viu - na verdade, foi um crescimento aparentemente significativo em relação ao número de novos "centros universitários" e "universidades", mas oblíquamente emparedado pelo surgimento de novas faculdades - isoladas, etapas mais avançadas de centros de ensino médio locais, que permearam o tecido urbano, capilarizando-se e alterando a gênese do ensino superior nas cidades.
Sem falar que, um pouco mais a frente, significativa parcela deles sucumbiria ao crescimento vigoroso das redes e passaria a fortalecer a este outro fenômeno, que buscou incorporar com mais perspicácia os modelos de gestão de unidades de negócio: disponibilidade, acessibilidade e pricing - preço final.
O momento de revisão das estruturas mais tradicionais, "on demand" - estratégico - esta atrasado.
Mas, ainda poderia ser colocado em prática.
Seria necessário que elas, para isso, pensem "fora do quadrado".
E sobre um "colchão de inovação".
Mais a frente continuaremos a falar sobre isso.

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