O assunto é delicado.
E portanto, força necessariamente a reflexão. Afinal, muitos não foram, certamente, preparados para enfrentar a questão de forma objetiva e direta.
Existem implicações de toda a sorte, quando o assunto é cercado de tabus, mitos e desinformação - como a discussão sobre o tema da Homofobia.
Em geral, as pessoas são criadas segundo convicções mais tradicionais, permeadas por uma visão religiosa e nem sempre aberta a discussões sobre temas que fogem ao controle da família.
Para complicar, muitas vezes o aprendizado se dá na conta das relações mantidas externamente, com pessoas e grupos que já possuem suas convicções a respeito, e nem sempre estas são frutos da imparcialidade. Ao contrário, dependendo do indivíduo e do grupo, já nos chegam carregadas de intolerância e discriminação.
Estes deveriam ser os balizadores do ambiente que coloca, agora, de maneira equivocada, a discussão na sociedade de um grande número de questões: união homoafetiva, reconhecimentos legais, criminalização, casamento e celebrações religiosas, modelo alternativo de família, e uma proposta de educação sobre o assunto (o controverso - e discutível "kit anti-homofobia do governo", lembra?).
Ao que parece, o momento tem que ser de cautela e reflexão.
É inegável que relegamos, como sociedade, a discussão sobre o assunto a um patamar de importância secundária, que agora está cobrando o seu lugar.
E isto não se dá apenas em relação a este tema, mas seguramente em alguns outros - como drogas, por exemplo.
Mas é visível, igualmente, que avanços de posição foram obtidos - o próprio reconhecimento legal da relação homoafetiva, por exemplo. Quem imaginaria - sinceramente, até bem pouco tempo, que um cônjuge do mesmo sexo tivesse seus direitos reconhecidos, em termos de indicação de dependência, pensão oficial e partilha de bens, por exemplo? Ou que fosse possível para parceiros do mesmo sexo reconhecer uma união estável em cartório, ou mesmo serem acolhidos para pleitear a adoção de crianças dentro do sistema legal?
Um longo caminho percorrido por muitos, vislumbrou num curto período de tempo, estes avanços e conquistas - já firmadas.
É certo que, mesmo o reconhecimento legal acaba por impactar posições e pensamentos, e reforçar divergências de todo o tipo.
Mas se dá, em princípio, seguindo o mesmo jogo democrático que resulta, eleitoralmente, em candidatos que são vitoriosos para ocupar o mandato e os que concorrem mas perdem a eleição.
Nem todos os brasileiros votaram na presidente da república, seu governador, seus prefeitos - mas devemos agir respeitosamente e reconhecer seus mandatos, porque são fruto da maioria. Até uma outra oportunidade que teremos de transformar convicções pessoais novamente em voto, quem sabe então como parte da maioria.
Muito se tem discutido sobre homofobia, quase sempre com posicionamentos que acirram pontos distintos da discussão, e acabam concretando o espaço onde deveria existir flexibilidade, discernimento e diálogo.
O tempo deve ser, agora, de reflexão.
Que podemos fazer melhor, sem confrontos ou posturas sectárias.
Até para abrir espaço ao entendimento do que se encontra em discussão.
Etapa mais do que necessária, para que se consiga uma posição clara a respeito de tudo o que cerca o assunto.
O BLOGANDO SÉRIO! sempre estará ao lado do diálogo.
Nesta e em todas as outras questões.

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