Ao que tudo indica - principalmente as manchetes de jornais esta semana, o Brasil realmente encontra-se equilibrando na corda bamba, quando o assunto é o abastacimento futuro de gás.
Depois de jogar "para inglês ver" com a descoberta do campo - bem profundo - de petróleo (batizado de Tupi), que dará a tão badalada auto-sustentabilidade ao país, o governo corre contra o relógio para buscar alternativas que possam evitar uma crise de abastecimento de gás natural de grandes proporções.
A situação se complica mais, em função do longo período de estiagem de chuvas, que reduziu a níveis críticos a água dos reservatórios nas usinas hidrelétricas, e força a um plano de contingência que acarretará o desvio de parte da energia gerada - e a consequente necessidade de frear o consumo residencial e a própria produção industrial em muitos setores.
Sem falar que haverá a necessidade de alimentar uma rede de termelétricas para assegurar a complementação da energia necessária a atender parte da demanda total.
Isso já agora, em 2008.
Houve muito tempo - desde o "apagão" no governo Fernando Henrique, para que as autoridades do setor, especialistas e, principalmente, o governo do presidente Lula colocassem em prática alternativas para mitigar o problema em tempo futuro.
Ao contrário do que se imagina, muito boa de política e de mando - mas deixando a desejar quando o assunto era a construção de uma estratégia de curto, médio e longo prazos para o setor da energia, a ex-ministra Dilma Roussef (atual Casa Civil) não conseguiu articular a elaboração de um programa eficiente de prevenção a crise - que se anunciava desde o momento do "apagão" do governo anterior.
Resultado : Estamos, uma vez mais, na posição de aflitos expectadores diante da cortina de fumaça - imposta até com o custo extra em nossas contas de consumidores de luz, a título de seguro-apagão, que ao que se pode imaginar, serviu apenas para encher mais o cofre das distribuidoras e do próprio governo federal.
A situação se complicou - dada a inépcia (ou incompetência mesmo, porque não dizer) dos negociadores de plantão na questão da Bolívia de Evo Morales, que nos fez engulir via-Petrobras, a desapropriação de refinarias, aumento gigante no preço do fornecimento de gás, e, não satisfeito, redução do volume que nos seria destinado nos próximos anos.
Some-se a isto o fato de que, alternativamente, nenhum avanço concreto na questão do fortalecimento de uma matriz energética mais diversificada - inclusive com a adoção de uma política de incentivo a energias consideráveis sustentáveis, foi colocado em prática.
O que se faz, mais uma vez, é apostar para a platéia internacional na questão do biodiesel, mesmo sabendo das dificuldades que carrega uma proposta sem lastro, tanto no que diz respeito a produção e técnica, quanto no alcance real da proposta brasileira - uma incógnita que não se sabe ainda responder com firmeza nem mesmo dentro do governo.
Como brasileiro que se preza, conhecedor de que discursos políticos oficiais quase nunca estão atrelados a realidade, é melhor torcer.
Para não ficarmos no escuro.
E parados.
quinta-feira, 22 de novembro de 2007
O "apagão" do gás e a jogada com o petróleo de Tupi
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