terça-feira, 1 de julho de 2008

Bolsa americana relembra o crack de 1930



Com uma queda que assustou o mercado - e ocasionou reflexos no resto do mundo, a Bolsa de Valores nos EUA viveu um de seus piores momentos desde o crack de 1930: Uma baixa de mais de 10% durante a abertura dos negócios nesta semana, que fez com que a variação negativa do mês de junho fosse considerada uma das maiores das ultimas décadas.
Mais a frente, mesmo com uma recuperação no correr dos pregoes, ficou a sensação de que os dias atuais podem reservar surpresas aos investidores.
Exagero, claro - em 1930 tanto o mundo como a Bolsa dos EUA eram outros.
Mas serviu como alerta interessante.
Vivendo o momento da alta incansável dos preços do barril de petróleo - que bate recordes a cada dia, e também sofrendo com os reflexos do aumento global nos preços dos alimentos, que tem impulsionado o patamar dos índices de inflação tanto em países desenvolvidos como emergentes, o primeiro semestre de 2008 acumula resultados que, salvo uma guinada extraordinariamente positiva durante a próxima metade do ano, podem apontar para um dos resultados mais fracos das ultimas décadas.
O caso do petróleo, mais fácil de ser explicado - ainda que analistas internacionais, curiosamente, evitem tocar neste assunto de maneira mais isenta, em parte pode ser atribuído ao aumento de consumo dos combustíveis nos países, principalmente os emergentes.
Mas a especulação com os papeis regidos pelo alto rendimento proporcionado pela commodity, que não lastreiam o consumo efetivo, mas sim o apetite insaciável de grandes investidores e especuladores, pela realização de lucro em seus portfolios e o que tem - seguramente - forcado as altas constantes e manutenção dos preços num patamar, que hoje acumula mais de 100% sobre os valores do barril em apenas um ano.
Já na questão dos alimentos, salvo o protecionismo dos países ricos com a concessão de subsídios aos agricultores, quadro que sempre criou instabilidade para uma avaliação mais equilibrada do assunto, e certamente cultivou artificialismos para a divulgação de conjunturas internacionais sobre esta área, a entrada discutível dos biocombustiveis - como no caso dos EUA, derivados de grãos nobres como a soja e o milho, aliado ao incentivo que começou a ser distribuído para que agricultores destinassem seus plantios a esta produção, com melhor resultado financeiro ao final, certamente tem sido o fator-chave para que exista um temor generalizado sobre os limites da produção para consumo e uma provável escassez mais a frente, se houver quebra de safras.
O que tem se tornado cada dia mais possível, dadas as inconstâncias e imprevisibilidades do clima em diferentes regiões do globo, amplificadas como resultado do aquecimento global.
Thomas Malthus, ao que parece, esta tendo o seu momento de recuperação histórica: Ao lançar a teoria de que a produção dos alimentos, ao crescer numa progressão inferior a qual cresceria a população do planeta, ocasionaria problemas sérios de desabastecimento e a incapacidade de alimentar a todos num determinado momento do tempo. Como o que estamos vivendo hoje.
E tem la sua razão, para deixar inspirados os novos cientistas de plantão, que já voltam a se debrucar sobre seus estudos e achados, pouco considerados durante épocas mais moderninhas.
Seja como for, a confiabilidade de novas projecoes - tanto sobre o consumo global de combustíveis, quanto sobre a produção mundial de alimentos, definitivamente devera associar outros cenários.
E levar teóricos antigos, experientes - computadores a parte, mais a serio.

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