segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Zelaya pode não ser um democrata...


...mas também não deve ser classificado como ditador.
Até porque - é inconteste - o fato de que chegou a presidência de Honduras de maneira legítima, eleito por seus habitantes.
O fato curioso na história dos acontecimentos, que culminaram alguns dias atrás com seu retorno (escondido) ao país e a situação de albergado na Embaixada Brasileira em Tegucigalpa, está no virús que parece se alastrar pelas democracias na AL: A tentativa de governantes legítimos, de manter-se no poder atuando plebiscitariamente.
Sempre existiu uma grande pretensão popular pulsando na veia democrática do continente, até por conta dos períodos de chumbo vividos no passado - inclusive no Brasil.
O que poderia servir como pano de fundo ao exercício das garantias e direitos constitucionais, acabou perdido num grande"caldo democrático", onde - lugar comum - a democracia vem sofrendo ataques de um quase homônimo "democratismo", que retira a sua essência mais nobre e acaba por servir de instrumento a mudanças constitucionais que visam garantir apenas e possibilidade de reeditar governos.
E seus governantes.
Foi caso na história recente, do Brasil - com o instituto da reeleição, mas também da Venezuela de Hugo Chavez, da Bolívia de Evo Morales, do Equador de Rafael Correa, e de uma série de possíveis outros - ainda em curso e buscando seu manifesto legal.
A poucos meses de deixar o poder - como manda a constituição de seu país, Manuel Zelaya apelou aos exemplos "hermanos" e iniciou o processo de mudança da constituição, que passaria a garantir a sua possibilidade de reeleição.
Deu no que deu.
O caso de Honduras - e de Manuel Zelaya é emblemático, porque - apesar da cara de golpe tradicional, com a expulsão do presidente de pijamas, a assunção de um governo interino, etc., jogou sobre si as luzes da comunidade internacional, e revelou - tal qual na pantomina oriental, um jogo de sombras que, antes tênues, agora sobem ao palco, e compartilham o lugar com o ator principal.
Cientistas e estudiosos da política no continente já alertavam para os problemas do curso da democracia no continente, e de seus efeitos mais imediatos.
Bom será prestar mais atenção no que andaram dizendo.
Jogo jogado.
A quem você confiaria as cartas...

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