terça-feira, 15 de abril de 2008

Caso Isabela : A Imprensa que ajuda e atrapalha

E sempre ao mesmo tempo.
Por razoes de natureza pessoal, e por entender que um crime tão cruel não aponte um homicida, mas um monstro, o blog se absteve de comentar a enxurrada de informacoes, versões e suposicoes que encontramos todos os dias nos principais veiculos de informacao, desde o ocorrido.
O caso Isabela pode - e deve - se tornar emblemático para a midia, e provavelmente vai reacender a discussão sobre a mobilização da opinião publica sobre o fato: A noticia, repetida diariamente em uma dezena de programas de TV e radio, e em colunas de jornais e blogs na internet, que causa comoção acentuada sobre a população, instiga tanto a sociedade, que não quer ver um crime bárbaro como este entrar no rol dos esquecidos e insolúveis, quanto os vitimados - neste caso o pai, a madrasta, a mãe - e as suas famílias, alvo diário de uma turba de jornalistas, nem sempre profissionais e entendedores da boa-medida que deve reger a relação entre o exercício de sua função de informar e o fato p.p.dito.
Independente do desfecho que terá, o assassinato de Isabela deixara marcas profundas.
Que podem variar desde a culpa presumida, transformada posteriormente em inocência dos professores e proprietários da Escola Base em São Paulo, alguns anos passados, ate a inocência presumida e posterior culpa comprovada de Guilherme de Pádua, no crime - brutal - cometido contra Daniela Perez - filha da novelista Gloria Perez, com a agravante torpeza de que matador e vitima conviveram como aparentes amigos e companheiros de trabalho.
Também a policia e o MP sairão marcados.
Tem sido comuns e sequenciais as divergências - tornadas publicas, o que as traduzem como potencialmente equivocadas - entre delegados e promotores de justiça.
Ate mesmo no que diz respeito a tomada de decisão quanto a prisão e soltura posterior do casal - pai e madrasta - da menina assassinada.
Mas a grande marca - não a da perda inconsolável de uma menina, cruel e friamente assassinada numa noite em SP, será mesmo a que a população comum, na qualidade de espectadora passiva e frente a tantos desencontros, terá que carregar: Sem rumo e sem provas, definir por antecipação a quem cabe a culpa pela monstruosidade.
Ao confundir que o mesmo assunto, repetido inúmeras vezes nos noticiários, tenha se tornado uma espécie de "cruzada midiatica" na busca da verdade, os veículos de comunicação acabam mascarando que a desgraça de Isabela e, ao mesmo tempo, igualmente sua fonte de inspiração para novas reportagens, para despertar a atenção e o desejo de compra sobre aquilo que trabalham diuturnamente nas redacoes.
E que seria apenas jornalismo - o bom e antigo.
Se o resultado, conhecidos os culpados pelo crime, não deixasse um sabor de arrependimento ou de surpresa quando consultarmos a nossa consciência.
Que pode ter navegado, ate aqui, apenas ao sabor de achismos.
E não, necessariamente, da verdade.

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