quinta-feira, 5 de junho de 2008

Varig : Ministra Dilma Roussef acusada de favorecimento



Alguma coisa estranha ocorreu, definitivamente, com a venda da Varig.
Mesmo para investidores experientes, como os americanos do Grupo Matlin Patterson a compra por US$ 25 milhões com três sócios brasileiros de fachada, e a venda - apenas nove meses depois para a GOL, por US$ 350 milhões - um lucro superior a 1.000%, e um negocio difícil de ser realizado nos dias de hoje.
Sempre se falou - para quem quisesse ouvir a época do negocio, ocorrido em meio a grande crise no setor que afetou a credibilidade das empresas e da própria ANAC - Agência Nacional de Aviação Civil, que a parte boa da Varig estaria sub-avaliada.
Ainda assim, convenhamos, comprar uma empresa por um preço e vender menos de um ano após por 15 vezes mais seria, no mínimo, assunto para uma investigação.
Pelo menos em países com instituicoes reguladoras do mercado que sejam serias.
As denuncias, publicadas esta semana no jornal O Estado de São Paulo, realizadas pela ex-diretora da ANAC, Denise Abreu e envolvendo diretamente a ministra Dilma Roussef, mostrariam um caminho engenhoso - mas conhecido, de favorecimento para o negocio, realizado nos bastidores pelo advogado Roberto Teixeira - compadre notorio do presidente Lula, que segundo o sócio brasileiro e investidor Marco Antonio Audi, teria recebido US$ 5 milhões para facilitar o negocio, e sua filha Valeska Teixeira, representante do fundo americano que efetuou a compra.
Pega de surpresa com a nova denuncia, a ministra Dilma Roussef apressou-se em responder que as mesmas seriam falsas e fruto do descontentamento de Denise Abreu com sua saída da ANAC.
Não convenceu, pelo menos por enquanto.
Ate porque, dizem as línguas, boas e mas, da politica de Brasília, que esta triangulação de favorecimento envolvendo a Casa Civil de Dilma Roussef e, anteriormente, de José Dirceu - e do outro lado o compadre-advogado Roberto Teixeira, já foi repetida outras vezes.
Com sucesso.
O advogado Roberto Teixeira, que evita tocar em sua relação pra la de amigável com o presidente Lula, disse que o negocio foi feito as claras e que não recebeu US$ 5 milhões.
Marco Antonio Audi, o investidor, afirma que basta procurar - porque o pagamento foi feito através de deposito em conta corrente e nominal ao favorecido da prestação de serviços.
A oposição na Câmara dos Deputados, onde a base governista tem mantido presença esmagadora para o enterro de CPIs e tentativas de apuração de esquemas pouco ortodoxos no governo Lula, recebeu o material como uma nova possibilidade de fustigar o governo, já que a CPI dos cartões corporativos acabou, recentemente, em grande e farta pizza no Senado Federal.
Seja qual for o desfecho, valeria a pena que as denuncias transcendessem o esquema politico de Câmara e Senado, e desaguassem em áreas menos afeitas as pressões e mais ao carater técnico de seu conteúdo.
Que, neste caso que envolveria advocacia administrativa, peculato e sonegação, envolveriam diretamente a Receita Federal, CVM e Banco Central - alem, e claro, do MP - Ministério Publico e da própria justiça federal, já que a venda da Varig se encontrava sob a tutela do próprio judiciário.
O que facilitaria uma apuração mais isenta.
E tornaria mais difícil acordoes e ... pizzas.

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