Mas entra ano, sai ano - neste ou em governos passados, e o Detran no Rio de Janeiro continua mesmo ingovernável.
Não se sabe se falta pulso do atual governador Sérgio Cabral, que tem se esforçado para mostrar serviço, mas que deveria estender a severidade das outras áreas de seu governo ao órgão - e definir que lá não se perpetuaria o quadro de má-gestão, que acaba colocando em dúvida a capacidade administrativa do próprio governo.
A impressão que se tem é que o Detran-RJ é uma caixa de pandora, e que o fato de sempre estar ligado as barganhas políticas da administração do estado, fez com que funcionasse ao sabor da incompetência e dos desmandos.
Para começar, o Rio de Janeiro é o único estado da federação a exigir a vistoria anual de veículos, que na prática não funciona: para disfarçar a cobrança da taxa - que é salgada, os proprietários de veículos são obrigados a enfrentar um via-crúcis mentirosa, desde o momento aparentemente "informatizado" da marcação da vistoria - nunca disponível, seja qual for o posto, para períodos inferiores a 3 ou 4 semanas, até o agendamento de horário para os serviços- que significa, na prática, espera em longas filas e até 5 ou 6 horas, dependendo do serviço.
Os funcionários dos postos - quase todos terceirizados através de contratos que, outrora, já deram margem a muita coisa feia, parecem não ter nem mesmo a idéia do que seja respeito ao consumidor, já que não obedecem - na prática, a hierarquia estabelecida para o autênticos funcionários públicos estaduais, em outros órgãos da administração pública.
A bem da verdade, sugiro ao governador que dê uma olhada no monopólio das empresas que fabricam as placas nestes locais, pois há indícios possíveis de uma contabilidade paralela e de subfaturamento da receita para o recolhimento de tributos ao próprio estado.
Para complicar, ao sabor das indicações políticas, poucos foram os últimos presidentes e diretores do órgão - que paga bem, para os padrões do funcionalismo oficial, que se dignaram a pelo menos visitar os locais de atendimento e entender o que ocorre de verdade.
Sob suas barbas.
E mais uma vez quem paga o pato são aqueles que, injustamente penalizados com uma das maiores - senão a maior, alíquota de IPVA do Brasil, são tratados como boi em matadouro.
Desrespeito que alcança os contribuintes mais idosos, já que nos locais de vistoria é comum o escárnio com os "velhotes", como muitas vezes são chamados os eleitores - que o governador sempre prezou muito em seu discurso político, não é verdade?!
A questão não está apenas em nomear apadrinhados para estes espaços da administração pública, mas principalmente em dar sequência ao modelo de sub-administração, atrasada e sem compromisso verdadeiro com a modernidade, corroído pela corrupção e pelo descaso com aqueles que depositam uma parcela considerável dos recursos do estado em impostos e taxas.
Não funcionaria tampouco, creio, a nomeação para postos-chave de militares ou de militantes, mas de administradores e gestores competentes, e com salvo-conduto para deslocar as peças que não funcionam mais e impôr a autarquia o estilo que o atual governador pretende em sua administração.
E como bom carioca, pagador de impostos e torcedor pela recuperação funcional do estado, estou a disposição para o que seja necessário.
O que será que pensa o amigo do Rio, Sérgio Cabral, a respeito do Detran-RJ?
Porque como está, não pode ficar.Precisa ser, idealmente, reconstruído.
Nem que seja necessário refazer as suas fundações.

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