Segundo o recente levantamento do IPEA - Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas, a renda da parcela dos 10% mais pobres no Brasil cresceu, em média, 7% ao ano - quase 6,5 vezes mais daqueles considerados mais ricos (que ficou com cescimento anual médio na casa de 1,1%).
É claro que serã necessário interpretar estes indicadores em conjunto com outras pesquisas - especialmente aquelas que apontam para um aprofundamento da pobreza nas capitais e maiores regiões metropolitanas do país.
A transferência de recursos para a população mais pobre, desde o primeiro governo Lula, tem se dado - quase que exclusivamente - através dos programas sociais, como o Bolsa Família, que na prática e na observação de especialistas, de maneira pontual aliviam os efeitos da pobreza, sem no entanto combater as suas raízes estruturais.
É fato, por exemplo, que o lucro desmedido dos Bancos Comerciais - que em alguns casos recentes, chegou a casa do bilhão de dólares por trimestre - elevou os juros reais de financiamento e de empréstimos para absurdos 400% ao ano.
Ou mais, em casos específicos de rolagem de compras efetuadas com cartões de crédito, por exemplo.
A seguir-se este percurso, temos pelo lado dos atuais programas de transferência de renda uma espécie de perversão no sistema proposto de redução das desiguldades, pois de uma lado amplia-se a possibilidade do mais pobre contar com mais recursos de subsistência é verdade, mas sem oferecer a segurança do desenvolvimento de capacidades alternativas para o seu sustento - e de outro se pune as classes imediatamente superiores, através dos juros do crédito que ajuda a financiar desde a alimentação (cartões de supermercados) até o vestuário (cartões dos magazines populares), segmentos que hoje fazem parte cobiçada dos portifólios dos maiores bancos comerciais.
Não existe receita de bolo para a solução dos problemas de geração de emprego e renda que possam consolidar uma apropriação menos perversa e uma alternância mais segura na pirâmide brasileira, mas sair do ciclo vicioso do sustento proporcionado pela emissão pura e simples dos cartões de benefício, é algo que precisa urgentemente ser tentado.
E claro, estrangulando-se a ganância desmedida de banqueiros, sempre com a mesma desculpa de que o risco de inadimplência é o vilão.
Vilões mesmo são taxas de juros como estas, cobradas sem explicação e controle.
Que acabam alimentando a perversão do crédito e o endividamento da classe trabalhadora.
terça-feira, 23 de setembro de 2008
Renda dos mais pobres cresce, mas...
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