quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Médico-auditor à distância: A inacreditável especialidade da UNIMED

Parece brincadeira, mas é verdade.
E infelizmente.
Já passou por uma situação, digamos, sui generis - a de ter diagnosticado um problema de saúde pelo seu médico, após a realização de exames, e ter que solicitar a bendita da "autorização" do plano, para realizar uma pequena intervenção ou cirurgia?
Não? Sorte a sua...
Aqueles que responderam "sim", devem conhecer a via-crúcis que os Planos de Assistência a Saúde inventaram, na tentativa de alongar o sofrimento daqueles que já estão ansiosos.
Afinal, pequena ou grande, uma cirurgia é sempre uma cirurgia: Lá se vai sua rotina de despreocupação, que dá lugar a alguma (ou muita, dependendo do caso) apreensão, altera um pouco seu humor, mexe com trabalho, família, etc.
É aí que aparece o seu plano de saúde - que pode ser uma cooperativa de médicos, como o sistema UNIMED, por exemplo, ou uma administradora de seguros desta natureza, para colocar os complicadores no caminho de quem vem pagando - não importa o tempo, dois, cinco, dez anos por uma tranquilidade, que nessa hora quase vira aborrecimento: Eles repassam a informação para o tal "médico-auditor", com o qual voce nem tem contato - ou mesmo sabe de sua especialidade, por exemplo, e que vai decidir (mesmo sem ver o paciente-usuário), se a requisição do procedimento é ou não procedente!
Em outras palavras: Vai supervisionar em 3, 5 minutos- no máximo, com base numa ficha passada por uma atendente simpática, mas sem nenhuma autonomia , e emitir um parecer sem mesmo ter contato com o paciente!
Este amigo jornalista passa por uma experiência assim, no caso com a UNIMED-Fortaleza, depois de ter passado 10 bons anos com a mesma UNIMED - no Rio e em BH.
Que serve para descobrir situações kafkinianas, do tipo "assistentes sociais" que estão preocupadas em referendar a assistência "para a empresa" - e não para o cliente.
E se voce quiser reclamar, mostrar seus 10 anos de relacionamento com o sistema, existe o serviço de "Ouvidoria" que - pasme - atende por este nome, mas tem como responsabilidade "criar estatísticas de atendimento", é meramente administrativo e não tem interferência sobre nenhuma área - segundo suas funcionárias.
Ou seja, assim com o médico-auditor que não te atende, inventaram também a assistente-social que não lhe assiste e a ouvidoria que não escuta o cliente.
Tudo junto, um super-pacote.
E a autorização para a cirurgia?
Ela que espere um "processo interno" e o referendo de um "comitê auditor", que dará o parecer final. Ah: Num prazo de 5 dias úteis.
Isto para uma intervenção mais urgente...
Não seria melhor substituir logo os nossos médicos?
E poupar o dinheiro que confecciona tantos papéis - do guia de especialistas e clínicas, até os papéis de pesquisa de satisfação do cliente?
Melhor: Para que centrais de atendimento?
Nada que um bom 0300 não resolva, em casos como este.
Poupamos nosso tempo e paciência - e a cooperativa ou administradora do plano ainda pode ganhar uns bons trocados com a comissão das telefônicas de plantão.
Com o dinheiro que economizam pelos atendimentos de seus associados, prestados nos hospitais públicos (que são quase sempre a primeira referência, em caso de urgências) e que não é reembolsado ao governo (municipal, estadual ou federal), aumentariam ainda mais a receita final.
E o paciente? E o cliente?
Que tente melhor sorte com o PROCON, o Juizado Cível de Pequenas Causas, o CRM - ou a delegacia de polícia mais próxima.
Mas não deixe de tentar: Afinal, há um dia da caça - e outro do caçador.
Ou não há?

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