quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Ano novo começa com aumento da carga tributária

Cumprindo as expectativas - mas de maneira considerada "açodada", os ministros da área econômica divulgaram já neste início de ano as medidas compensatórias para o executivo, em decorrência da perda com a arrecadação da CPMF.
Numa atitude que pode ser considerada mais uma resposta política inapropriada, do que um conjunto de medidas avalizadas com a cautela que o momento pede - afinal, o Brasil já possui a maior carga tributária do planeta, e o cidadão trabalha mais da metade do ano apenas para pagar impostos, o presidente Lula corre novamente o risco de haver se precipitado.
Além, é claro, de ter provado com a rapidez de um relâmpago - e com a mesma clareza, de que não é uma pessoa confiável: Foram deles as palavras tranquilizadoras no apagar das luzes de 2007, sobre o aumento de impostos - não haveria!
A insatisfação com as medidas já reverbera em Brasília, mesmo durante o recesso parlamentar, uma vez que a oposição considera não haver condições para acordos, principalmente com o presidente apontando para uma direção, e caminhando para outra.
"Não se pode confiar no governo", extravasam os líderes.
O PSDB e o DEM já deixaram claro que, da forma como está agindo, o governo só reforçará a distância da mesa de negociação em 2008, para uma necessária "pax parlamentaris", em época de inflação chegando novamente a casa dos dois dígitos, do petróleo a US$ 100 por barril e de ânimos temperados ao som do desenrolar do processo do mensalão no STF e de CPI´s que, com um pouco mais de empenho, poderão sair do papel e jogar mais lenha na fogueira que arde no planalto.
Tudo em ano de eleições municipais e da formatação de uma base política nos estados - da qual se espera renovação e incertezas.
Existe um grande vazio a ser ocupado no governo quando se trata da articulação e da consultoria política - onde o principal gargalo é o Senado Federal, mas que pode promover ainda mais rupturas em sua própria base, quando pavimenta o caminho com medidas impopulares e de resultados negativos, como faz agora - na primeira semana do ano.
Lula, que desde a época de sua militância petista nunca gostou de ser contrariado, poderia dar mostras - na presidência da república, de ter amadurecido para o diálogo e articulação.
É pena.
O ano novo político promete - e o sabor da promessa é de que, mais uma vez, pagaremos a conta.

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