A primeira - o ciclone que devastou Mianmar, antiga Birmânia, abriu espaço na mídia internacional para reafirmar o estado de exceção em que vive o país.
No país governado por uma junta militar , equipes de resgate foram impedidas de atuar no auxílio humanitário aos quase um milhão de atingidos. Além disso, os poucos carregamentos de alimentos e medicamentos que conseguem ultrapassar os bloqueios ditatoriais e vergonhosos impostos por seus governantes, acabam sendo confiscados e desviados de sua finalidade principal.
Diante de um mundo estarrecido, seria muito apropriado que a ONU, através dos instrumentos diplomáticos e legais possíveis, autorizasse neste momento algum tipo de intervenção e forçasse o país a receber a ajuda humanitária tão necessária para o quadro, já que tal bloqueio de assistência as vítimas civis deve constituir, no mínimo, um claro atentado genocida - um verdadeiro crime contra a humanidade.
Até por ser um dos países mais pobres do continente, sem grandes riquezas naturais exploratórias, com uma população civil pobre e incapaz de reagir em tal situação, a ação em Mianmar seria, desde do que poderia ser julgado um princípio intervencionista na soberania de um estado independente, mais justificada para o mundo do que, por exemplo, o que ocorreu por ocasião da invasão do Iraque.
Já na China - país sede das olimpíadas deste ano, que foi sacudida por um terremoto devastador de 7.4 graus na escala Richter esta semana, e já contabiliza um número de mortos superior a 19 mil pessoas - como informam as agências de notícias internacionais, com centenas de milhares desabrigadas em algumas províncias da região do tremor, ao contrário, houve acolhida imediata da ajuda internacional oferecida ao país, seguida de uma ação imediata das autoridades na tentativa de auxiliar a população das áreas mais afetadas e prestar socorro as vítimas do abalo.
Isto num país onde é reconhecidamente difícil tratar com abertura e transparência as suas questões críticas internas, como demonstrado em situações anteriores onde o governo, se não dificultou, pelo menos atuou com pouca determinação e engajamento (vide epidemia da Gripe Aviária - SARS, por exemplo).
Estes são dois extremos de ação política, e dão a medida, clara, de como a liberdade política que gozamos por aqui tem que ser mais valorizada e respeitada.
Vamos torcer para que em Mianmar, apesar de seus governantes, a população consiga receber a ajuda urgente de que precisa.
E que na China - antes sob os holofotes do mundo principalmente em função das olimpíadas, este novo posicionamento seja o preâmbulo de novos tempos.
Sem retorno ao passado.
quinta-feira, 15 de maio de 2008
Catástrofes da Ásia nos mostram duas realidades
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário