segunda-feira, 12 de maio de 2008

O BBB- brasileiro: Grau de investimento, e daí?

Não se trata - como a princípio pode parecer pelo título, de desconsiderar que a manutenção de uma política econômica sem sobressaltos, tenha levado o Brasil a atingir, segundo a agência de risco Standard & Poors, a classificação internacional BBB-, ou seja, de entrada no seleto clube de países confiáveis para receber investimentos internacionais.
É certo que, grau de investimento é algo como a implantação de um sistema de qualidade: só permanece enquanto a prática reafirma a teoria.
Para o governo, ávido pela celebração e comemoração de alguma notícia que proporcione um ânimo mais sincero do que o provocado pelo PAC - Plano de Aceleração do Crescimento, já falado por aqui, que em princípio é mais teoria do que prática, o anúncio teve sabor de vitória.
O que não se fala, entretanto, é que da mesma forma em que ele decidiu eleger o PAC como instrumento antecipado da campanha presidencial de 2010, em detrimento de investir com mais afinco no desencalhe das reformas estruturantes que o país tanto precisa (tributária, trabalhista, previdenciária, política, etc.), o grau de investimento alcançado será proporcional a capacidade de se enfrentar, com maestria, questões que se colocam a prova todo o momento, como a alta dos alimentos e dos combustíveis, o custo elevado da matriz energética atual (inclusive o ambiental), a confiança autêntica dos investidores de longo prazo que desejamos (e não apenas dos oportunistas - que não têm um compromisso real com o crescimento e desenvolvimento do país) e, principalmente, o controle mais coerente da dívida pública, dos custos da sua administração e a gestão "oportunista" da máquina estatal.
Tal como uma empresa gigante - que é, o Brasil precisaria contar agora com gestores a altura de suas potencialidades.
Exatamente o que parece ser o nosso calcanhar de aquiles.
E sem isso, me perdoem, não há bonança que segure uma próxima tempestade.
Que, em alguns casos - como o jogo recente do Flamengo pela vaga na Libertadores, pode vir do excesso de confiança.
E da falta de competência em aproveitar a motivação de uma vitória recente.

Nenhum comentário: