Citados pelo ministro Guido Mantega - até para justificar a iniciativa, mais pessoal do que do governo, de criar um Fundo Soberano, o exemplo de outros países - como o Chile , escondeu uma realidade : Nele, como nos outros casos, tal "cofrinho", como foi chamado pelo próprio ministro na apresentação para a imprensa, é destinado a receber recursos oriundos principalmente de seus superávits e, via de regra, são aplicados e geridos internacionalmente de maneira a proporcionar o crescimento de uma salvaguarda adicional para enfrentar períodos de turbulência econômica.
O do Brasil - ao contrário, tem como objetivo primordial - anunciado pelo próprio ministro, o fortalecimento de instrumentos de crédito destinados a internacionalização de empresas brasileiras.
Em outras palavras, será mais um "fundo financiador de iniciativas" e não necessáriamente um fundo de proteção contra as flutuações econômicas negativas, decorrentes da instabilidade dos múltiplos cenários globais que possam vir, de alguma maneira, a afetar o desempenho positivo e os resultados obtidos na balança comercial brasileira.
Neste caso, ao financiar as empresas para a expansão de sua pretensa competitividade internacional, mesmo com todos os controles e salvaguardas que possam ser praticadas, seria muito difícil que este fundo garantidor dispusesse da liquidez de ativos, necessária em momentos cruciais do mercado para garantir uma certa estabilidade.
Sem falar ainda que, independente do fato de já existirem instrumentos mais consolidados de crédito financeiro e comercial em nível internacional, a possibilidade de ingerência política do governo e a criação de mecanismos, digamos, "facilitadores" da obtenção dos tais recursos disponíveis por determinadas empresas (ou isto não ocorre?), poderia levar a iniciativa a um desvio de finalidade.
Se recursos de fundos existentes, administrados por aqui e garantidos pelo governo - como o próprio FGTS, já deram - e continuam a dar, sinais de que podem capilarizar-se em direções pré-determinadas, mesmo sob forte supervisão e com instrumentos de controle institucionais, o mesmo poderia, com certeza, ocorrer com os recursos existentes no Fundo Soberano, a se confirmar o seu propósito.
Ou alguém garante que não?
quinta-feira, 15 de maio de 2008
Governo cria fundo soberano na contramão de outros países
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário