terça-feira, 6 de novembro de 2007

Itaú e o lucro recorde de R$ 6,4 bilhões

Em apenas nove meses - isto mesmo, você não leu errado - nove meses deste ano, o Banco Itaú apresentou um lucro recorde na história dos bancos : São 6,4 bilhões de reais.
Um resultado que superou até mesmo a marca do Bradesco - que havia apontado ontem em seu balanço um lucro de "apenas" R$ 5,8 bilhões.
O que fazem os bancos alcançarem lucros astronômicos, enquanto grupos empresariais - formais, tradicionais, constituídos para a produção de bens de consumo - não chegarem nem perto deste tipo de resultado?
Se o próprio governo tem a grande maioria de seus títulos da dívida pública nas mãos da banca nacional, dívida que capitaliza-se e é penalizada com juros numa espiral que investimento público nenhum consegue de retorno, a quem interessa - de verdade, que os bancos no Brasil alcancem um patamar de lucratividade tão excepcional, que deixa todos os países de primeiro mundo para trás?
Sempre se soube - nas aulas de administração e de economia, que uma porteira tão aberta como a nossa, sem qualquer demonstração de ação mais firme por parte dos governos no equilíbrio da situação interna de risco - que é diferente do rating externo, das agências internacionais (recentemente até colocadas em suspeição), especialmente porque é difícil imaginar que, uma vez que atingem este nível de retorno, cada vez menos se contentarão com um retorno de menores proporções.
Para não falar que as tarifas bancárias - outrora no guião e sob acompanhamento de autoridades monetárias e do próprio Banco Central, praticamente foram liberadas e já respondem por parte da RECEITA dos bancos, pagando - com sobras - boa parte de suas despesas operacionais, inclusive salários.
Não sei não...
Fala-se muito da "alta taxa de juros", mantida pelo COPOM e por Henrique Meireles - "Governor of the Central Bank", ou capo di tutti capi do que acontece nessa complexa e tão lucrativa rede de cumpadrios.
Quem dera!
Quem dera que para remunerar aos bancos e financeiras, no cheque especial ou no crédito pessoal, tivéssemos como base a Taxa Básica de Juros, que todos os consumidores estão cansados de saber - serve apenas para inglês ver: A vera mesmo, um percentual menor que 17% anuais que autoridades e economistas sempre discutem, se transforma, na boca do caixa e nossas contas a pagar, em 120 e até 180% de juros reais ao ano.
Um liquidificador ou uma máquina de costura para D. Maria, acabam saindo - parcelado - pelo preço de dois ou três aparelhos no final do carnet.
E isso num país que atingiu "o equilíbrio econômico" e a "inflação de um dígito".
Na verdade mesmo, não existe nada de complicado no que tentam nos empurrar- já que, bem diferente de nossos irmãos argentinos neste ponto, por exemplo, somos cordeirinhos quando o assunto é como se governa a economia: Especula que manda, paga o preço quem obedece.
A falta de uma liderança mais firme - e comprometida verdadeiramente com o que faz um país ir pra frente, sem demagogia ou retórica, é celeiro para armazenar impropriedades.
Como esta que vivemos, quando apenas dois bancos - em nove meses do ano, publicam suas contas e apontam lucros de mais de R$ 12 bilhões.
Bem mais do que as empresas que andam fabricando por aí e empregando gente de verdade : ou alguém se lembra de, ao entrar numa agência bancária - de qualquer banco, ter visto todos os caixas ocupados por funcionários - nos últimos, deixa ver, cinco anos?
É de corar. E de vergonha.
Estamos entregues ao Deus dará.
Mais uma vez.
Quem sabe Deus não é mesmo brasileiro?

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