segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Lula é idiota! Ou, nos faz de idiotas?

Tudo bem que nada tenha visto ou ouvido, mesmo quando TUDO - absolutamente TUDO se passava na ante-sala do seu próprio gabinete.
Afinal, corrupção não foi um privilégio apenas do seu governo.
Como muita coisa antes dele chegar lá não aparecia na mídia por conveniência, conivência - ou as duas coisas, não se pode mesmo dizer se ele foi o mais corrupto ou não da história "republicana", como se gosta de repetir, em Brasília.
Tudo bem também que tenha falado muito - durante décadas, defendendo teses e até brigando pelos "companheiros de luta", e na "hora H" - a do exercício do seu mandato de Presidente, tenha assumido uma postura diametralmente diferente da que exercitou, durante boa parte de sua militância política.
Afinal, foi o mesmo com Fernando Henrique Cardoso - o sociólogo das teses de esquerda, mas das práticas neo-liberais.
Assim como Lula, ficou famosa a sua defesa de que "o indivíduo não é o presidente", ou coisa que o valha.
Tudo bem também com a compra das toalhas e roupões de algodão egípcio no palácio, com a bolsa-viúva da ditadura, com a edição de programas sociais altamente "populistas" - e que não transferem nem renda nem outra coisa qualquer : servem ao propósito de manter as massas ocupadas em receber um quinhão - frequentemente através de processos discutíveis, pois noticiou-se os vícios das "bolsas" e de muitos de seus bolsistas pelo Brasil afora.
Mais de uma vez.
Afinal, são prerrogativas do executivo editar o tipo de programa que lhe convier, como maneira de atender as suas pretensões eleitoreiras, do aposentado pela lei especial receber o que lhe for estipulado.
E de se enxugar com a toalha que quiser.
Tudo bem também querer tornar "inacabável" uma contribuição - na verdade um IMPOSTO travestido disso, que deveria ter finado há muito.
Afinal, a CPMF deu guarida também ao enchimento dos cofres do tesouro de seu antecessor - e somada a grana das privatizações, que se chegou em algum lugar, certamente não disse a que veio.
E foi, como se nunca tivesse existido.
Sem provocar qualquer melhoria nas condições gerais de saúde do brasileiro que - em alguns casos, até retrocederam a níveis de um passado distante: Vejam por aí os números, assustadores, da dengue, da tuberculose e da hanseníase, pra falar de algumas doenças.
E o estágio de sucateamento das unidades públicas de saúde federais, estaduais e municipais - com equipamentos obsoletos, falta de profissionais e de material básico, com dinheiro escoado pelos ralos da corrupção no superfaturamento da construção de hospitais, que depois de prontos não conseguem alcançar - nem de longe - aquilo para o qual foram imaginados.
Isto quando funcionam.
Há casos - diversos - de construções vazias, obras mal acabadas e zero de atendimento à população.
Afinal, não existiu ainda um governo capaz de domar a área da saúde de maneira a fazer com que os planos privados se encolham, uma vez que o atendimento gratuito a população será de primeira.
Eles só fazem é crescer - e haja bolso para a bi-tributação neste caso, uma vez que uma fatia da extorsão que o trabalhador sofre no IRRF - entre muitos outros impostos, deveria servir para que não fosse necessário pagar mensalidades caras por isso.
E não se conhece quem, mesmo com grande esforço, não o faça por confiar nos serviços públicos de saúde.
E tome mensalidades dos planos.
Tudo bem que não se consiga viajar de trem, ou mesmo transitar com segurança nas estradas que cortam o país - noves fora algumas, poucos trechos - mas valiosos, que foram entregues às concessionárias, e pela qual nos cobram pedágios de primeiro mundo.
E que o frete no país, fazendo-se todas as contas, seja o mais proporcionalmente caro do mundo, com reflexos diretos que incidem sobre o custo de produtos e serviços, pois não há logística que dê conta de transportar - com segurança - uma mercadoria de um extremo a outro deste nosso "Brazilsão" e não cobrar caro por isso.
E que ainda tenhamos que conviver, em princípio, com alíquotas de tributos criados para esta finalidade.
Afinal, paga-se para transitar ao governo federal, às concessionárias, ao governo estadual (lembrem do IPVA e de sua finalidade, por exemplo).
E com a "indústria das multas", paga-se também ao municipal.
Só não se consegue rodar sem buracos.
Mas isto tudo não foi inventado em seus governos: já existia quando estava aí.
E agora, seus ministros não conseguem - a bem do chamado "equilíbrio das contas públicas", abrir mão de nadica.
Se já estava e rendia, por que não continuar a recolher?
Não existe mistério - ou salvaguarda ideológica, quando o assunto é tributário : às burras, as burras, tem que ser enchidas - pois num piscar d'olhos, esvaziam-se.
E, se esvaziadas, não há governo. Não há política. Não há despensa cheia no palácio e mordomias para as elites do legislativo e judiciário.
Não há.
Tudo bem que não se consiga uma educação adequada para crianças e jovens: Reportagem da edição atual da Revista VEJA (http://www.veja.com.br/) nos dá conta que mais da METADE dos brasileiros ao olhar um mapa mundi não sabe dizer ... onde fica o Brasil!
Afinal, falar que educação é uma prioridade do governo é uma cantilena prá lá de ouvida, desde que a república se chamou assim.
Nunca faltam ministros ou secretários de educação - nem nunca faltará.
O que falta mesmo é só educação.
Tudo bem tudo isso.
Agora pera lá : Defender a reeleição indefinida de Hugo Chavez, ou tentar comparar o que ele faz com a querida Venezuela e sua gente, ao que foi feito por Margareth Tatcher na Inglaterra ou Helmut Kohl na Alemanha - aí não.
Não dá pra aguentar:
Lula ou se faz de - ou é - um idiota.
Só que na presidência.
E do Brasil.

Um comentário:

Anônimo disse...

Olá. Que bom saber que existem pessoas que usam a inteligência e o bom senso e teem coragem de expor o seu ponto de vista. O texto foi muito bem elaborado e nos mostra claramente a quem o brasileiro entregou as rédeas do poder.